Em uma situação fictícia criada apenas para representar esse tipo de caso, durante a manutenção de um computador da empresa, o WhatsApp Web de uma supervisora grávida estava aberto e mensagens privadas foram usadas para justificar uma justa causa. No exemplo, o TST considerou a prova ilícita, reverteu a demissão e reconheceu o pagamento referente à estabilidade da gestante, já que o acesso às conversas teria ocorrido sem autorização.
O que aconteceu com o WhatsApp Web da supervisora?
Durante uma manutenção no computador usado pela supervisora, o WhatsApp Web permaneceu aberto e conversas particulares foram acessadas. O TST informou que essas mensagens serviram de base para a dispensa por justa causa durante a gravidez.
A Primeira Turma considerou que o acesso ocorreu sem autorização da trabalhadora. Mesmo tendo sido encontrado em equipamento da empresa, o conteúdo era de conversas privadas, e o colegiado entendeu que a forma de obtenção da prova invadiu a esfera de privacidade protegida.

Por que as mensagens não puderam sustentar a justa causa?
A Constituição Federal protege intimidade e vida privada e também estabelece que provas obtidas por meios ilícitos são inadmissíveis no processo. Esses direitos serviram de referência para o exame da forma como as mensagens chegaram à empresa.
No caso concreto, o fato de a sessão estar aberta não foi tratado como autorização para ler conversas particulares. O TST concluiu que a prova era ilícita e, sem ela para sustentar a falta grave atribuída à supervisora, a justa causa não permaneceu válida.
O que aconteceu com a demissão e a estabilidade?
Com a prova afastada, a consequência atingiu diretamente a forma da dispensa. A justa causa foi revertida, e a trabalhadora passou a ter direito aos salários correspondentes ao período de estabilidade provisória reconhecido pela Primeira Turma durante a gestação.
O WhatsApp pode ser usado no computador por meio da versão Web, mas isso não transforma automaticamente conversas pessoais em conteúdo livre para terceiros. O julgamento analisou a origem da prova e a expectativa de privacidade naquele contexto específico.
A seguir listamos 4 pontos decisivos que ajudam a entender por que a justa causa foi revertida:
- Sessão aberta: o WhatsApp Web ficou disponível durante a manutenção do computador.
- Conteúdo privado: as mensagens acessadas eram conversas particulares da supervisora.
- Sem autorização: a trabalhadora não havia permitido a leitura daquele conteúdo.
- Prova afastada: o material foi considerado ilícito e não sustentou a justa causa.
Leia também: Crianças comem chocolate com larvas e mãe recebe R$ 5 mil na Justiça
Quando um computador da empresa ainda exige cuidado com privacidade?
O uso de equipamento corporativo pode envolver regras internas, segurança e manutenção, mas o caso mostra que acesso técnico não equivale a acesso irrestrito ao conteúdo pessoal. A forma de obtenção da informação continua relevante quando ela será usada para aplicar uma punição trabalhista.
Para empresas e trabalhadores, separar conta pessoal, equipamento e autorização reduz conflitos. No processo julgado, a manutenção do computador não legitimou a leitura das conversas privadas nem tornou utilizável, para a justa causa, a prova obtida dessa maneira.
A seguir listamos 3 situações do caso que ajudam a separar manutenção técnica de acesso a conteúdo pessoal:
| Situação | Ponto de atenção | Efeito no caso |
|---|---|---|
| Manutenção | Acesso ao equipamento | Não autorizou leitura das conversas |
| WhatsApp aberto | Sessão pessoal disponível | Conteúdo continuou privado |
| Justa causa | Uso das mensagens como prova | Prova foi considerada ilícita |
O que esse julgamento deixa de lição para relações de trabalho?
Embora a situação apresentada seja fictícia e criada apenas para fins ilustrativos, ela ajuda a compreender questões relevantes nas relações de trabalho. O julgamento não significa que toda mensagem encontrada em computador corporativo será inválida. A decisão dependeu de como aquelas conversas privadas foram acessadas, da falta de autorização e do uso desse material para justificar a penalidade aplicada à supervisora.
A principal lição é que uma sessão aberta do WhatsApp Web não elimina, por si só, a discussão sobre privacidade e licitude da prova. Quando uma demissão grave depende de mensagens pessoais, a forma de obtenção pode mudar completamente o resultado do caso.




