Sentar no chão e voltar a ficar de pé sem usar mãos, joelhos ou outro apoio parece um gesto simples. Transformado em teste por pesquisadores brasileiros, ele reúne equilíbrio, força, mobilidade, flexibilidade e coordenação numa nota de zero a dez.
Estudos acompanharam milhares de adultos e encontraram uma associação consistente: notas mais baixas no teste de sentar e levantar apareceram junto de maior mortalidade nos anos seguintes. Isso não faz da nota uma previsão individual nem autoriza qualquer pessoa a tentar o movimento sem avaliar risco de queda.
O que é o teste de sentar e levantar?

Conhecido pela sigla SRT, do inglês sitting-rising test, o método foi desenvolvido pelo médico brasileiro Claudio Gil Soares de Araújo e sua equipe na Clínica de Medicina do Exercício, no Rio de Janeiro.
A pessoa começa de pé, descalça, em superfície plana e não escorregadia. Sem se preocupar com velocidade, tenta sentar no chão e depois se levantar usando o mínimo possível de apoios.
O teste não é uma corrida de 30 segundos. Algumas demonstrações são rápidas, mas o protocolo orienta executar com controle. Cronometrar pode aumentar o risco e não faz parte da pontuação original.
Como a nota de zero a dez é calculada?
São cinco pontos para sentar e cinco para levantar. Em cada fase, perde-se um ponto por apoio usado: mão, antebraço, joelho, lateral da perna ou mão sobre o próprio joelho, por exemplo. Uma perda perceptível de equilíbrio retira meio ponto.
| Ação | Pontuação inicial | Desconto |
|---|---|---|
| Sentar no chão | 5 pontos | 1 por apoio; 0,5 por desequilíbrio |
| Levantar do chão | 5 pontos | 1 por apoio; 0,5 por desequilíbrio |
| Total | 10 pontos | Soma das duas etapas |
O cruzamento das pernas é permitido. O avaliador precisa distinguir um contato usado para sustentar peso de um toque acidental. Por isso, uma nota obtida em casa pode não ser idêntica à avaliação profissional.
O que o estudo original encontrou?
O trabalho publicado inicialmente acompanhou 2.002 adultos de 51 a 80 anos. Durante o seguimento, participantes com desempenho mais baixo tiveram maior risco de morte por todas as causas.
O artigo “Ability to Sit and Rise from the Floor as a Predictor of All-Cause Mortality” é observacional. Ele mostra associação, não que usar a mão para levantar provoque morte precoce.
A nota funciona como resumo de capacidades relevantes. Fraqueza, pouca mobilidade, pior equilíbrio e composição corporal podem afetar o resultado e também acompanhar condições que influenciam a saúde.
O que a pesquisa mais recente acrescentou?
Uma análise publicada em 2025 incluiu 4.282 homens e mulheres de 46 a 75 anos e cerca de 12 anos de seguimento. Os modelos consideraram fatores clínicos e examinaram mortes naturais e cardiovasculares.
Comparados aos participantes com nota dez, aqueles na faixa de zero a quatro apresentaram risco 3,84 vezes maior de morte natural e 6,05 vezes maior de morte cardiovascular. A faixa intermediária, de 4,5 a 7,5, também apresentou risco aumentado.
Os números estão no European Journal of Preventive Cardiology. Eles são razões de risco ajustadas no grupo estudado, não “anos restantes” de uma pessoa.
Quem não deve tentar sozinho?
Não faça o teste sem orientação se você tem histórico de quedas, tontura, desmaio, dor aguda, cirurgia recente, limitação articular importante, alteração neurológica, doença cardiovascular instável ou recomendação para evitar esforço.
Pessoas grávidas, muito frágeis ou inseguras para chegar ao chão também precisam de avaliação individual. O benefício de uma curiosidade não compensa uma queda.
Mesmo quem se sente bem deve liberar espaço, retirar tapetes, manter outra pessoa por perto e interromper diante de dor, falta de ar incomum, palpitação ou tontura. Não use móveis instáveis como apoio.
Nota baixa é sentença?
Não. Idade, lesões, proporções corporais, familiaridade com o chão e condições temporárias alteram o resultado. A amostra do estudo veio de uma clínica privada e não representa igualmente toda a população brasileira.
O teste também não substitui pressão arterial, exames, avaliação cardiovascular, força medida de outras formas nem capacidade aeróbica. Uma pessoa pode pontuar bem e ainda ter fatores de risco importantes.
O uso mais sensato é como pista funcional. Dificuldade para sentar e levantar pode orientar uma conversa com fisioterapeuta, profissional de educação física ou médico sobre equilíbrio, força e mobilidade.
O que pode ajudar a melhorar a função?

- Força de pernas: sentar e levantar de uma cadeira estável, com altura apropriada.
- Equilíbrio: exercícios progressivos perto de apoio seguro e com supervisão quando necessária.
- Mobilidade: trabalhar tornozelos, quadris e coluna dentro de amplitude confortável.
- Prática do padrão: aprender transições para o chão por etapas, com técnica orientada.
A progressão deve respeitar dor, diagnóstico e experiência. Para muitos idosos, o teste de levantar da cadeira é alternativa mais segura e também fornece informação funcional útil.
Por que esse teste brasileiro ganhou o mundo?
Ele requer pouco espaço, nenhum equipamento sofisticado e observa um movimento ligado à independência cotidiana. Conseguir ir ao chão e voltar pode importar para brincar com crianças, cuidar da casa ou se recuperar de uma posição baixa.
O mérito do SRT não é adivinhar a data da morte. É tornar visível, em poucos movimentos, um conjunto de capacidades que merece cuidado. A nota abre uma pergunta sobre função; não fecha um destino.
Com que frequência repetir?
Os estudos não definem uma frequência doméstica para “acompanhar longevidade”. Repetir diariamente pode apenas treinar o gesto e aumentar exposição a queda. Se um profissional usar o teste, ele pode escolher intervalos conforme objetivo e programa de exercícios.
Melhora na nota pode refletir técnica, confiança ou ganho funcional. Piora súbita merece atenção, sobretudo se vier com fraqueza, dor ou tontura. O resultado deve ser interpretado junto de outras medidas, não como placar isolado.
Para trabalhar uma das articulações envolvidas, veja estes exercícios simples para mobilidade do quadril.
Faça qualquer progressão com técnica, espaço seguro e objetivos compatíveis com sua condição atual.
Este conteúdo tem fim unicamente informativo e não substitui a avaliação de um profissional. Em caso de dúvida, procure um especialista.




