Homem é condenado por usar Pix para enviar mensagens ofensivas à ex-namorada
A Justiça de Santos aplicou uma condenação por Pix ofensivo que chamou atenção do país. Um gerente terá que pagar R$ 6 mil por danos morais à ex-namorada, uma personal trainer, após enviar 11 transferências com xingamentos no campo de descrição.
O que aconteceu no caso julgado em Santos?
O réu fez 11 transferências seguidas no dia 27 de fevereiro de 2024, entre 16h05 e 20h52, com valores de R$ 5 a R$ 20. O total transferido somou apenas R$ 118, mas cada operação trazia ofensas escritas no campo de mensagem.
A vítima, uma personal trainer, mantinha relacionamento com o réu por cerca de um ano. Após o término, ele passou a persegui-la presencialmente na academia e também por meios digitais, segundo os autos analisados pela 9ª Vara Cível de Santos.

Quais foram os argumentos da juíza Rejane Rodrigues Lage?
A magistrada Rejane Rodrigues Lage entendeu que houve dolo claro de ofender e humilhar. Para ela, o uso repetido de um canal bancário para insultos extrapolou qualquer dissabor comum entre ex-companheiros, configurando violação direta aos direitos da personalidade da autora.
Os pontos centrais da sentença foram:
Qual o fundamento jurídico aplicado pela Justiça?
A base da sentença é o artigo 186 do Código Civil brasileiro, que define como ato ilícito qualquer ação voluntária que viole direito e cause dano a outrem, inclusive moral.
Os elementos considerados na decisão foram:
- Existência de medida protetiva em favor da autora.
- Uso de canal bancário com finalidade estranha ao pagamento.
- Documentação completa das mensagens ofensivas.
- Contexto de perseguição após o fim do relacionamento.
Por que o comprovante de Pix é considerado prova forte?
O comprovante reúne dados como CPF do pagador, CPF do recebedor, horário, data e identificação única da operação. Esse conjunto de elementos confere autenticidade e dificulta qualquer tentativa de alegar fraude ou edição posterior por parte do réu.
Como a violência psicológica digital é tratada na lei brasileira?
A Lei Maria da Penha reconhece a violência psicológica como forma autônoma de agressão contra a mulher, incluindo condutas que causem dano emocional, humilhação ou perseguição, ainda que praticadas por meios digitais.
A tabela abaixo organiza os instrumentos jurídicos que podem ser acionados em casos semelhantes ao julgado em Santos:
| Instrumento | Aplicação | Esfera |
|---|---|---|
| Lei Maria da Penha Lei nº 11.340/2006 | Violência psicológica e medida protetiva. | Criminal |
| Art. 186 do CC Ato ilícito | Reparação por dano moral via ação cível. | Cível |
| Lei do stalking Lei nº 14.132/2021 | Perseguição reiterada que ameaça a integridade. | Criminal |
| Injúria Art. 140 do CP | Ofensa à dignidade ou ao decoro da vítima. | Criminal |
O que a sentença sinaliza para o uso do Pix no Brasil?
A decisão reforça que o ambiente digital não é zona neutra. Ferramentas de pagamento foram criadas para facilitar a vida financeira, e desviá-las para hostilizar alguém gera responsabilização civil concreta, mesmo quando os valores movimentados são baixos.
Para quem passa por situação parecida, o caminho indicado por especialistas envolve guardar prints, extratos e qualquer registro das mensagens, além de procurar a Delegacia de Defesa da Mulher mais próxima e um advogado de confiança para avaliar as medidas cabíveis.




