O Tribunal Popular Intermediário de Hangzhou, na China, proferiu uma sentença que se tornou referência global sobre o uso de inteligência artificial nas relações de trabalho. Um supervisor de controle de qualidade obteve uma vitória judicial após ser demitido por uma empresa que alegou a automação de suas funções como motivo para o desligamento.
Por que a Justiça considerou a demissão injusta?
A companhia de tecnologia argumentou que uma reorganização interna justificava a rescisão contratual. Contudo, o tribunal determinou que a adoção de novas tecnologias não constitui um evento imprevisível ou inevitável que permita a demissão sem o pagamento das compensações devidas aos trabalhadores.
A decisão baseou-se na legislação trabalhista chinesa, que exige motivos concretos e objetivos para a rescisão. O magistrado entendeu que a troca por inteligência artificial é uma escolha administrativa voluntária da empresa, não isentando o empregador das responsabilidades sociais e contratuais estabelecidas pelo contrato original.

Quais argumentos foram utilizados pela empresa e pelo trabalhador?
O profissional, conhecido pelo sobrenome Zhou, recusou uma proposta de realocação que incluía uma redução salarial drástica de 40%. A empresa tentou justificar a medida alegando dificuldades operacionais que não foram comprovadas durante o processo judicial, segundo registros da agência Caixin Global.
Abaixo, listamos os principais pontos que fundamentaram a defesa do trabalhador no tribunal:
- A realocação proposta não era considerada razoável pelo tribunal.
- Não houve demonstração de crise financeira severa na empresa.
- A substituição por software foi uma decisão comercial unilateral.
- O histórico profissional de dedicação foi considerado na sentença.
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Como o valor da indenização de 33 mil euros foi definido?
O montante de 260 mil yuanes, aproximadamente 33 mil euros, foi fixado com base no tempo de serviço e na remuneração que o funcionário recebia. A justiça entendeu que, uma vez que a empresa optou por encerrar o contrato sob premissas incorretas, o colaborador tinha direito à compensação total prevista para desligamentos sem justa causa.
Veja na tabela abaixo os fatores que influenciaram a decisão do tribunal sobre o caso:

Qual o impacto desse precedente para o mercado de tecnologia?
Este caso em Hangzhou sinaliza uma mudança na forma como o Judiciário encara a automação. Embora o país seja um dos líderes mundiais na instalação de robôs industriais, a jurisprudência começa a equilibrar o progresso técnico com o respeito aos direitos fundamentais de quem compõe a força de trabalho.
O precedente estabelecido pelo tribunal reforça que o ganho de eficiência proporcionado pela inteligência artificial não deve ocorrer às custas de precarização. Especialistas jurídicos avaliam que as empresas deverão assumir responsabilidades sociais cada vez maiores ao planejar seus processos de transição tecnológica.
A decisão reflete uma tendência global ou apenas local?
O caso chinês ressoa com debates que ocorrem em diversas economias ocidentais. Com milhões de automações ativas no mercado global, legisladores de diferentes continentes observam a postura chinesa como um exemplo prático de regulação sobre o impacto humano da tecnologia avançada.
A proteção ao emprego em cenários de substituição por inteligência artificial deve se tornar um dos temas centrais nos tribunais de trabalho nos próximos anos. Manter o equilíbrio entre o desenvolvimento do setor tecnológico e a segurança jurídica do trabalhador é, hoje, uma das maiores prioridades para a estabilidade econômica global.




