Na Suíça, construir o segundo túnel do Gotthard envolve mais do que escavar os Alpes. Dentro da própria montanha, uma fábrica molda segmentos de concreto que serão levados até a tuneladora para revestir a galeria. A solução concentra a produção num espaço protegido da neve, do clima e de riscos presentes nas encostas.
Por que a fábrica funciona dentro da montanha?
O novo tubo rodoviário terá cerca de 16,9 quilômetros entre Göschenen e Airolo, próximo à passagem atual. Na extremidade norte, a instalação de concreto ocupa uma caverna escavada especificamente para manter materiais, moldes e equipamentos perto do local de trabalho.
A cavidade tem 148 metros de comprimento, 18 de largura e até 16 de altura. Economiza espaço na superfície, reduz ruídos e protege atividades de condições climáticas severas, incluindo o histórico local de avalanches.

Parte da rocha escavada volta como matéria-prima
Agregados obtidos da escavação seguem até Stalvedro, no lado sul, e retornam de trem a Göschenen. Correias transportadoras levam o material por uma passagem até silos e equipamentos de mistura instalados dentro da montanha.
A central pode fornecer 5.000 metros cúbicos por semana em períodos intensos, atendendo segmentos e outras instalações. O relato técnico do órgão rodoviário suíço explica como a cadeia de produção integrada mantém a obra abastecida.
Parte da rocha retirada da montanha retorna à produção de concreto, que abastece mais de uma frente de obra. Os cards a seguir ajudam a visualizar esse percurso:
Como cada peça vira parte da parede do túnel?
As peças curvas, chamadas aduelas de concreto, são moldadas e depois montadas em anéis pela tuneladora. A fabricação segue etapas diferentes da escavação da rocha:
- Armadura: aço é posicionado dentro do molde limpo.
- Concretagem: o material preenche a forma curva.
- Cura inicial: cada peça permanece aproximadamente oito horas em ambiente controlado.
- Proteção: após ser desmoldada, fica cerca de 24 horas numa área abrigada.
- Instalação: as aduelas retornam à tuneladora e formam anéis sucessivos.
Um anel típico reúne seis segmentos e reveste aproximadamente dois metros de galeria. O estoque comporta cerca de 560 anéis, permitindo que a fabricação acompanhe o avanço da máquina e absorva oscilações no ritmo subterrâneo.

Por que os dois tubos terão funções diferentes durante a reforma?
O túnel atual funciona desde 1980 e necessita de modernização. A orientação oficial de operação e segurança prevê abrir a passagem nova, reformar a antiga e operar cada tubo com uma faixa normal e outra de emergência, sem aumentar a capacidade autorizada.
Além da escavação, estão previstas 68 ligações subterrâneas com a infraestrutura existente, distribuídas aproximadamente a cada 250 metros. As conexões integram o planejamento de acesso, manutenção e resposta a emergências.
O segundo tubo não entra imediatamente na configuração final. Na tabela a seguir, veja como muda a função de cada passagem durante a reforma:
| Etapa | Novo tubo | Tubo antigo | Tráfego |
|---|---|---|---|
| Até 2030 | Em construção | Em serviço | Fluxo no atual |
| Após abertura | Recebe veículos | Em reforma | Passagem transferida |
| Previsão 2033 | 1 faixa + emergência | 1 faixa + emergência | Sentidos separados |
A produção acompanha o avanço da tuneladora sob os Alpes
Manter a fábrica dentro da rocha reduz a exposição do trabalho ao clima, mas exige abastecimento constante, estoque e transporte de peças. O material entra por uma rota e os anéis prontos retornam para revestir a galeria.
Essa organização complementa os desafios de interligar galerias sob os Alpes. O revestimento circular precisa acompanhar o corte, sem depender apenas da velocidade da escavação.
O vídeo sobre a produção de concreto no Gotthard apresenta a cadeia de materiais e segmentos associada ao segundo túnel:
Uma nova passagem antecede a recuperação da antiga
A previsão é abrir o tubo novo em 2030, reformar o primeiro e colocar ambos em serviço a partir de 2033. São etapas diferentes: uma fábrica em funcionamento e anéis instalados ainda não representam uma galeria liberada ao tráfego.
Assim como em outros projetos de segurança em túneis rodoviários, o segundo túnel do Gotthard combina obra nova e recuperação da infraestrutura existente, com produção de concreto dentro da montanha para apoiar essa transformação.
Sua história pode virar reportagem
Conte por texto ou áudio — nomes e endereços viram fictícios antes de qualquer publicação.




