Uma moradia de 13.800 anos no Alasca oferece pistas da sobrevivência humana no fim da Era do Gelo. No sítio Shég’ Xdaltth’í’, arqueólogos identificaram fogueira, provável abrigo, forno subterrâneo e agulhas ósseas. Esses vestígios iluminam atividades cotidianas, embora o formato da construção permaneça incerto.
Onde fica a moradia de 13.800 anos encontrada no Alasca?
O sítio chamado Shég’ Xdaltth’í’ fica sobre uma elevação próxima ao rio Tanana, no interior do Alasca, Estados Unidos. Seu nome, de origem indígena atabascana, significa algo próximo de “eles estiveram lá”. A paisagem atual tem árvores, diferente daquela da última Era do Gelo.
A região fazia parte da Beríngia, área que ligava partes da Ásia e da América quando o nível do mar era menor. A localização ajuda a investigar movimentos humanos antigos, mas não permite reconstruir sozinho uma rota exata de migração.

As marcas no chão revelam um abrigo usado no dia a dia
Segundo a Universidade do Kansas, foram encontrados indícios de um espaço doméstico, como solo marcado por carvão, fogueira e vestígios de postes. A posição desses elementos sugere um abrigo parcialmente coberto, aberto para o sul, e não uma casa preservada com paredes completas.
A equipe identificou três momentos de ocupação, com idades aproximadas de 13.800, 13.000 e 12.700 anos. Isso é importante porque o lugar não representa uma única visita. O período mais antigo oferece pistas de grupos que podiam retornar à mesma área ao longo do tempo.
Para que serviam o forno de terra e as ferramentas?
Perto do abrigo havia um forno escavado no chão, com carvão, ossos e pedras. A interpretação dos pesquisadores é que ele poderia cozinhar carne lentamente. Uma pedra grande usada como apoio, junto a ossos quebrados e pedras de bater, indica o processamento de alimentos.
- Fogueira: marca uma área usada por pessoas, perto do abrigo proposto.
- Forno de terra: pode ter preparado carne para várias pessoas.
- Pedras de bater: ajudam a explicar a quebra de ossos para retirar a medula.
- Agulhas de osso: indicam trabalho cuidadoso com materiais flexíveis.
As agulhas feitas de ossos de aves merecem atenção. Elas mostram que não se tratava apenas de caçar animais grandes. Também era necessário preparar objetos, cuidar de roupas ou outros materiais e organizar as tarefas de um grupo vivendo em um ambiente frio.
O que as descobertas dizem sobre os animais caçados?
Restos de bisões, cavalos, mamutes e caribus ajudam a reconhecer os recursos disponíveis na região. Alguns desses animais desapareceram dali ou se extinguiram. O caribu continua importante para comunidades do Alasca, mas isso não significa que os costumes atuais sejam idênticos aos de 13.800 anos atrás.
O estudo publicado na Science Advances descreve ferramentas, restos de animais e sinais de atividade concentrados. Essa combinação sustenta a ideia de um acampamento-base antigo, possivelmente usado repetidas vezes, sem comprovar o tamanho da família ou sua organização exata.

O formato das pontas de pedra chamou atenção
Os pesquisadores encontraram pontas de pedra em forma de losango, um desenho considerado incomum no Alasca daquele período. Ferramentas semelhantes são conhecidas no lado asiático da antiga passagem terrestre. A comparação oferece uma pista sobre possíveis contatos, deslocamentos e transmissão de técnicas.
O formato sozinho, porém, não prova que uma pessoa específica cruzou a Beríngia. A equipe compara diferentes tipos de vestígio e suas datas para avaliar essa possibilidade. O cuidado evita transformar semelhanças entre objetos em uma viagem histórica conhecida em todos os seus detalhes.
O abrigo amplia o conhecimento sobre a vida na Era do Gelo
Mais de 80 mil peças e vestígios arqueológicos foram recuperados nas escavações conduzidas ao longo de vários anos. Eles permitem examinar não só instrumentos de caça, mas também preparo de comida, costura e manutenção de um local que oferecia abrigo e espaço para diferentes tarefas.
A descoberta aproxima a arqueologia de uma pergunta simples: como as pessoas viviam entre uma caçada e outra? No Alasca, a resposta aparece em marcas discretas no solo, ossos trabalhados e restos de fogueira. O abrigo é uma interpretação sustentada por evidências, ainda aberta a novos estudos.
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