Quem dá bons conselhos aos amigos, mas se confunde diante de um problema parecido, pode estar vivendo o chamado paradoxo de Salomão. Em três experimentos com 693 participantes, pesquisadores observaram avaliações mais amplas sobre conflitos alheios. Tomar distância da própria situação ajudou a reduzir essa diferença.
Por que dar conselhos aos amigos parece mais simples?
Quando alguém conta uma briga de casal, é possível ouvir os dois lados e lembrar outras saídas. Mas, se o conflito acontece com a própria pessoa, medo de perder alguém, mágoa e expectativas podem ocupar mais espaço na avaliação da situação.
Isso não significa que o problema de outra pessoa seja pequeno. A diferença está na distância entre quem observa e quem está envolvido. Na pesquisa, essa mudança de perspectiva afetou a forma de pensar sobre conflitos de relacionamentos próximos.

O paradoxo de Salomão recebeu esse nome na pesquisa
Os psicólogos Igor Grossmann e Ethan Kross investigaram essa diferença no estudo divulgado pela Association for Psychological Science em 2014. O nome paradoxo de Salomão faz referência à imagem de alguém sábio para julgar assuntos alheios, mas com dificuldades diante dos próprios.
Nos testes, os participantes foram convidados a refletir sobre conflitos próprios ou de outras pessoas. Os pesquisadores avaliaram aspectos do raciocínio considerado sábio, como aceitar incertezas, considerar perspectivas diferentes e reconhecer mudanças possíveis. O resultado não mediu inteligência geral nem a capacidade de prever o futuro de uma relação.
O que os três experimentos encontraram?
O estudo publicado na Psychological Science e registrado no PubMed reuniu 693 participantes em três experimentos. Em média, os participantes raciocinaram de modo mais amplo sobre problemas de outras pessoas do que sobre conflitos que imaginavam como seus.
Nos experimentos seguintes, instruções para observar a situação com maior distanciamento psicológico, em vez de mergulhar na experiência pessoal, reduziram a diferença entre os dois tipos de julgamento. O efeito apareceu entre adultos de 20 a 40 anos e de 60 a 80 anos.

A diferença surge em conflitos muito próximos
Imagine uma amiga que recebe mensagens confusas de alguém com quem se relaciona. Você talvez sugira conversar, confirmar os fatos e evitar conclusões rápidas. Se a situação acontece com você, cada demora na resposta pode parecer uma prova de algo maior.
- Perspectivas: considerar a versão de cada pessoa envolvida.
- Incertezas: admitir o que ainda não foi confirmado.
- Mudanças: pensar no que pode ocorrer mais adiante.
- Acordos: avaliar soluções que não dependem só de um lado.
Um conselho útil também precisa reconhecer limites
O paradoxo de Salomão não afirma que as pessoas nunca consigam resolver seus próprios conflitos. Ele aponta uma diferença média entre avaliar o próprio caso e o alheio, que foi reduzida em certas condições experimentais. Cada relação envolve dados e escolhas particulares.
Antes de tomar uma decisão importante, dar espaço a diferentes perspectivas e admitir dúvidas pode ser mais útil do que buscar uma resposta imediata. A pesquisa sugere que o olhar cuidadoso oferecido a um amigo também pode ser aplicado, com limites, à própria vida.
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