No começo do século XX, engenheiro eletricista era profissão praticamente inexistente no Brasil, e quem queria estudar o assunto precisava atravessar o Atlântico. Em Itajubá, no sul de Minas Gerais, um advogado resolveu inverter a rota: foi buscar professores e laboratórios na Europa e montou aqui a primeira escola do país dedicada à eletricidade. A decisão mudou o destino da cidade e, de quebra, o mapa energético brasileiro.
Por que a engenharia elétrica brasileira começou no Sul de Minas?
Por uma aposta pessoal de Theodomiro Carneiro Santiago. Conforme a Universidade Federal de Itajubá (Unifei), o advogado idealizou uma escola em que o ensino fosse colado à prática e contratou na Bélgica os professores Armand Bertholet, Arthur Tolbecq e Victor Van-Helleputte, vindos da Universidade de Liège e da Universidade do Trabalho de Charleroi, aos quais se somaram dois engenheiros suíços e um francês.
O detalhe mais revelador está na sala de aula. As primeiras turmas assistiram às lições em francês, porque não houve tempo para que os europeus recém-chegados aprendessem português. O Instituto Eletrotécnico e Mecânico de Itajubá foi inaugurado em 23 de novembro de 1913 e era, segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), a décima escola de engenharia instalada no país. O reconhecimento federal veio em 1917, a federalização em 1956 e o status de universidade em 2002.

O que os engenheiros formados aqui construíram pelo Brasil?
Boa parte do sistema elétrico nacional. De acordo com o Senado Federal, engenheiros formados na instituição participaram da criação e da instalação de empresas como Furnas Centrais Elétricas, Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e Companhia Energética de Brasília (CEB).
O legado virou data no calendário. A Sociedade Mineira de Engenheiros (SME) lembra que o Dia Nacional do Engenheiro Eletricista é celebrado justamente em 23 de novembro, aniversário da fundação da escola itajubense. A universidade também extrapolou os limites do município e abriu campus em Itabira, no leste mineiro, movimento parecido com o de outra cidade do Sul de Minas que nasceu tecnológica a partir de uma escola.

Como é a vida em uma cidade universitária na montanha?
Ritmo de interior com plateia jovem. A cidade fica encaixada em um vale da Serra da Mantiqueira, o que garante manhãs frias, neblina nos morros e temperaturas amenas mesmo em janeiro, cenário bem diferente do calor do restante do estado.
A presença universitária aparece na rotina: repúblicas, festivais culturais, empresas de tecnologia ligadas a energia e um comércio central compacto, concentrado em torno da Praça Theodomiro Carneiro Santiago, que, conforme o portal oficial Minas Gerais, existe desde 1819 e recebeu o nome do fundador da universidade. O entorno rural mantém a produção de banana, café e leite.

O que fazer na cidade e nos arredores?
O roteiro combina patrimônio urbano e rocha exposta, com escaladas a poucos minutos do centro. Confira os destaques:
- Pedras da Princesa e Aguda: formações rochosas procuradas para escalada esportiva e trekking, citadas entre os atrativos da cidade pelo portal Minas Gerais.
- Reserva Biológica da Serra dos Toledos: área protegida nos limites do município, com mata preservada e nascentes que abastecem a região.
- Praça Theodomiro Carneiro Santiago: coração da cidade, cercada pelo comércio e pela paróquia de Nossa Senhora da Soledade.
- Museu Wenceslau Braz: casarão dedicado à memória do presidente que governou o Brasil durante a Primeira Guerra Mundial e tinha raízes na região.
- Artesanato local: tecidos bordados e peças em bambu, madeira e palha de bananeira, tradição registrada pelo portal de turismo do estado.
Chegar exige subir a serra: a cidade fica próxima da divisa com São Paulo, com acesso pela BR-459, que liga a região à Rodovia Fernão Dias e ao vale do Paraíba paulista.
Quem quer descobrir uma cidade universitária cercada pela Serra da Mantiqueira, vai curtir esse vídeo do canal Turistrampo, com mais de 23 mil visualizações, sobre Itajubá:
Vale a pena morar em uma cidade universitária de montanha?
Depende do que se busca, e aqui o pacote é bem específico: estrutura de cidade média com plateia jovem. O portal oficial Minas Gerais descreve o município com centros culturais, comércio, indústrias e rede hoteleira, tudo em um território cercado por serras, rios e cachoeiras.
A universidade federal é o motor dessa rotina. A presença de laboratórios ligados a energia, segundo a própria Unifei, atraiu empresas de tecnologia e engenharia para o entorno, o que sustenta um mercado de estágio e de primeiro emprego incomum para uma cidade desse porte. Some-se o clima ameno o ano inteiro e o deslocamento curto: o centro se atravessa a pé em poucos minutos.
Como é o clima de Itajubá ao longo do ano?
A altitude da Mantiqueira segura o calor e deixa o inverno seco e ensolarado. Veja o que esperar em cada estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Conheça a cidade que ensinou o Brasil a gerar energia
Poucos municípios do interior conseguem apontar uma data e dizer que ali começou uma profissão inteira. Itajubá tem essa marca e ainda oferece o que se espera de uma cidade encaixada na Mantiqueira: clima ameno, serra à vista de qualquer esquina e um centro que se atravessa a pé.
Você precisa reservar um fim de semana para subir até as pedras, caminhar pelo centro no fim da tarde e entender por que essa cidade pequena aparece na biografia de tanta gente que construiu o sistema elétrico brasileiro.




