Tomar café faz parte da manhã de milhões de brasileiros, mas a bebida não deve ser tratada como remédio. Um estudo de longo prazo encontrou uma associação entre café e demência: participantes que consumiam bebida cafeinada apresentaram menor risco durante o acompanhamento. O resultado mais forte apareceu entre 2 e 3 xícaras por dia, sem provar que o café evitou a doença.
O que o estudo encontrou sobre café e demência?
O estudo acompanhou 131.821 participantes por até 43 anos. Durante esse período, 11.033 pessoas desenvolveram demência.
A análise publicada no PubMed sobre café, chá e função cognitiva comparou o consumo informado ao longo dos anos com diagnósticos e testes de memória.
Quem estava no grupo de maior consumo de café cafeinado apresentou risco 18% menor do que quem bebia pouco ou nada. Essa diferença representa uma associação estatística e não uma garantia individual.

Por que 2 a 3 xícaras chamaram atenção?
Os benefícios observados foram mais marcados entre participantes que bebiam de 2 a 3 xícaras de café cafeinado por dia. O comunicado da Universidade Harvard também aponta diferença entre café comum, chá e descafeinado.
Estes foram os principais resultados:
O resultado prova que café previne demência?
Não. O estudo foi observacional, ou seja, acompanhou hábitos sem sortear quem deveria ou não tomar café. Pessoas que bebem café também podem ter diferenças de rotina, alimentação, sono, trabalho e saúde.
Os pesquisadores fizeram ajustes para reduzir essas diferenças, mas nenhum cálculo consegue retirar todos os fatores externos. O consumo também foi informado pelos próprios participantes.
- Associação: 2 fatores aparecem juntos nos dados.
- Causa: exigiria provar que o café produziu diretamente a diferença.
- Quantidade variável: uma xícara pode ter volumes e doses de cafeína muito diferentes.
- Hábitos conjuntos: sono, atividade física e alimentação também influenciam o cérebro.
- Resposta individual: ansiedade, pressão, coração e estômago mudam a tolerância.
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Quantas xícaras podem ser seguras para um adulto?
A segurança depende mais da quantidade de cafeína do que do número de recipientes. A FDA cita 400 mg de cafeína por dia como uma quantidade geralmente não ligada a efeitos negativos para a maioria dos adultos.
O tamanho da xícara, o grão e o preparo mudam bastante a dose:
Vale começar a tomar café para proteger o cérebro?
Não é indicado começar ou aumentar o consumo apenas por causa desse estudo. Quem não bebe café pode proteger a saúde cerebral com sono adequado, atividade física, controle da pressão e acompanhamento médico.
Gestantes, pessoas com arritmia, ansiedade, refluxo ou uso de certos medicamentos precisam conversar com um profissional sobre cafeína. Tomar café perto da noite também pode prejudicar o sono, outro fator importante para a memória.
O estudo encontrou uma pista de longo prazo, não uma receita contra a demência.




