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Início Economia

Trabalhador vira “Calopsita Manca” após acidente e siderúrgica paga R$ 50 mil

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
01/08/2026
Em Economia
As humilhações continuaram mesmo após a empresa saber do problema

As humilhações continuaram mesmo após a empresa saber do problema

Um apelido usado uma única vez pode ser ofensivo, mas este caso envolveu humilhações que continuaram por muito tempo. O assédio moral no trabalho atingiu um empregado que ficou com uma perna mais curta após um acidente. O TRT de Minas reconheceu o assédio e o adoecimento ligado ao emprego, fixando indenizações que somaram R$ 50 mil.

Como começaram os apelidos contra o trabalhador?

O empregado sofreu um acidente de moto em 2010 e teve uma fratura grave na perna direita. Mesmo após cirurgias, ficou com um encurtamento de 6 centímetros e dificuldade para andar.

Segundo a decisão divulgada pelo TRT da 3ª Região, o chefe e os colegas usavam nomes como “Calopsita Manca”, “Manquinha” e “inútil”. Também imitavam o jeito de andar e simulavam tropeços.

O caso reuniu apelidos ofensivos, mensagens e impacto comprovado na saúde

Quais fatos mostraram que não era uma brincadeira isolada?

As provocações eram repetidas e continuaram mesmo após a situação ser comunicada dentro da empresa. Os apelidos também apareceram em um grupo de WhatsApp.

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O tribunal considerou os seguintes pontos:

1
Apelidos repetidos As palavras ofensivas eram ligadas diretamente à deficiência física do empregado.
2
Imitação do modo de andar Colegas simulavam tropeços e transformavam a limitação física em motivo de riso.
3
Mensagens no WhatsApp As provocações continuaram em um grupo usado pelos trabalhadores.
4
Problema conhecido O empregado relatou a situação, mas as humilhações voltaram depois de uma pausa.

Como o trabalho afetou a saúde do empregado?

O perito identificou transtorno misto de ansiedade e depressão. O problema tinha mais de uma causa, mas foi agravado pelas condições vividas na siderúrgica.

  • Limitação física: a sequela deixou o trabalhador em situação de maior vulnerabilidade.
  • Humilhação constante: os apelidos atingiam sua autoestima e sua dignidade.
  • Agravamento da saúde: o ambiente contribuiu para piorar os sintomas de ansiedade e depressão.
  • Resposta tardia: o apoio oferecido pela empresa não impediu a continuidade do problema.

A Lei Brasileira de Inclusão garante igualdade de oportunidades e adaptação adequada no ambiente de trabalho para pessoas com deficiência.

Leia também: Bebê prematuro perde o polegar após erro na aplicação de remédio e mãe e filho ganham R$ 100 mil na Justiça

Como os R$ 50 mil foram divididos?

O tribunal separou o dano causado pelas humilhações do dano ligado ao adoecimento. Isso resultou em 2 indenizações diferentes.

Os valores foram fixados pela Primeira Turma do TRT-MG ao mudar a decisão da 3ª Vara do Trabalho de Coronel Fabriciano.

R$ 20 mil
Assédio moral O valor reparou os apelidos, as imitações e o tratamento humilhante repetido.
R$ 30 mil
Doença ocupacional O tribunal reconheceu que o ambiente contribuiu para o transtorno de ansiedade e depressão.
R$ 50 mil
Total das reparações A soma tratou separadamente as humilhações e o impacto na saúde mental.
Recurso
Decisão da Primeira Turma O colegiado reformou a decisão inicial que havia negado os pedidos.

Quando um apelido pode virar assédio moral?

Um apelido pode formar assédio quando é ofensivo, repetido e usado para diminuir a pessoa. Também pesa a omissão da empresa depois de tomar conhecimento do problema.

A CLT prevê reparação por dano extrapatrimonial quando uma ação ou omissão atinge a esfera moral ou existencial do trabalhador. Neste caso, as provas mostraram repetição, discriminação e adoecimento.

Tags: assédio moraldoença ocupacionalPessoa com Deficiênciasiderúrgica

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