Era sábado à tarde, e Fabiana, gerente de 37 anos, tinha 3 horas livres antes de buscar o filho na casa da avó. Estacionou o carro no shopping do outro lado da cidade, pegou o tíquete na cancela e foi resolver duas coisas: trocar um presente e passar no banco. Fazia esse trajeto quase toda semana e nunca tinha prestado atenção ao cartaz colado perto do caixa de pagamento do estacionamento. O carro era relativamente novo, comprado havia pouco mais de 1 ano, e ela costumava cuidar dele com atenção, sempre estacionando em vagas largas para evitar arranhões.
Voltou pontualmente, carregando as sacolas, e encontrou o retrovisor do lado do motorista quebrado, pendurado apenas pelos fios. Foi direto ao guichê de atendimento, mostrou o tíquete com o horário de entrada e pediu para ver as imagens das câmeras daquele setor. A atendente respondeu que o estacionamento era “por conta e risco do cliente” e apontou para o mesmo cartaz que Fabiana nunca tinha lido, agora ampliado numa placa perto da saída. Sem saber o que responder, ela fotografou o retrovisor ali mesmo, ainda perto do guichê, mais por reflexo do que por saber que aquilo seria importante depois.

Nos dias seguintes, ela voltou ao shopping 2 vezes para insistir no pedido das imagens, ligou para o número de atendimento do estabelecimento e recebeu a mesma resposta padronizada, sempre citando o aviso na parede como se ele encerrasse o assunto sozinho. Foi numa dessas ligações que uma atendente, sem perceber, comentou que a gravação daquele dia “ainda estava disponível no sistema, mas dependia de autorização para liberar”. Foi aí que Fabiana entendeu que o aviso na parede era uma posição da empresa, não uma regra que decidia tudo sozinha — e que a resposta real dependia de provas que ainda podiam ser reunidas.
Quem responde pelo dano causado dentro do estacionamento?
O estacionamento oferecido por um shopping, ainda que gratuito, costuma ser tratado como parte da estrutura de atendimento ao cliente que frequenta o local. Uma placa informando que o espaço funciona “por conta e risco do cliente” expressa a posição do estabelecimento, mas não decide sozinha uma discussão sobre um dano concreto: o caso depende das provas reunidas, como o horário de entrada, as imagens do momento e o estado do veículo registrado na saída. É comum que o consumidor, diante do cartaz, desista de perguntar mais qualquer coisa — foi o que quase aconteceu com Fabiana, até ela decidir insistir por mais 2 dias antes de formalizar qualquer pedido.
O tíquete de entrada prova alguma coisa sozinho?
O tíquete comprova o horário em que o carro entrou no estacionamento, mas não mostra, por si só, o momento em que o dano aconteceu. Por isso, registrar a ocorrência ainda dentro do local, com o tíquete em mãos e fotos do retrovisor quebrado, fortalece o pedido de análise das imagens daquele exato intervalo — muito mais do que reclamar dias depois, já em casa. Quanto mais cedo o pedido é feito, maior a chance de as imagens daquele dia ainda estarem guardadas no sistema do estabelecimento, já que muitos sistemas de câmeras sobrescrevem gravações antigas depois de um determinado período.
Vale a pena insistir em pedir as imagens das câmeras?

Sim, e o pedido deve ser feito por escrito, formalizando a reclamação com o número do tíquete, o horário estimado do dano e fotos do veículo. O Código de Defesa do Consumidor trata a informação clara e a resposta adequada do fornecedor como direitos básicos do cliente, o que sustenta o pedido de acesso às imagens e a uma resposta formal sobre o ocorrido. Se a resposta do estabelecimento não for satisfatória, o passo seguinte é registrar a reclamação em canal oficial de defesa do consumidor, anexando tíquete, fotos e o histórico das tentativas de contato.
O que Fabiana reuniu antes de formalizar o pedido
Ela separou o tíquete com o horário de entrada, 3 fotos do retrovisor tiradas ainda no estacionamento, uma foto do cartaz de isenção de responsabilidade e um resumo com as datas das 2 ligações feitas ao número de atendimento. Foi com esse conjunto que conseguiu formalizar um pedido específico, em vez de uma reclamação genérica sobre “um dano no carro”. Também anotou o nome da atendente que mencionou a gravação ainda disponível, para citar na reclamação formal o momento exato em que essa informação foi dada por telefone.
Eu não sabia que precisava fotografar o carro ainda lá dentro, achei que o tíquete já bastava, comentou Fabiana a uma vizinha, ao contar o que tinha aprendido com a demora para conseguir as imagens.
Reunir esse tipo de prova não garante o resultado do pedido, porque cada situação depende de uma análise própria das circunstâncias e das imagens efetivamente disponíveis. O cuidado com a documentação do veículo também aparece, sob outro ângulo, em outra reportagem sobre mudanças nas regras para motoristas.
Uma história como esta, embora hipotética, mostra o que fazer quando um veículo é danificado num estacionamento de estabelecimento comercial: registrar a ocorrência ainda no local, pedir as imagens por escrito e formalizar a reclamação com tíquete e fotos, sempre lembrando que cada caso depende das provas concretas reunidas.




