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Depois de 4 quedas de energia na mesma semana sem anotar um protocolo, Renata, universitária de 22 anos, recomeçou 2 vezes o trabalho da faculdade, viu a comida estragar na geladeira da kitnet e só então, com a ANEEL e o Consumidor.gov.br, entendeu como cobrar a distribuidora

João Victor Por João Victor
31/07/2026
Em Notícias
Jovem sentada diante de um notebook em uma kitnet escura, olhando o celular ao lado de uma geladeira aberta com alimentos armazenados.

Em uma kitnet às escuras, a universitária confere o celular enquanto a geladeira aberta expõe alimentos e os prejuízos causados pelas quedas de energia. Imagen generada por IA.

EM resumo
✓Por que anotar a data, horário e duração de cada queda transforma chamados isolados em um histórico comprovável.
✓A importância de solicitar o número do protocolo antes de encerrar qualquer ligação para a distribuidora.
✓Como registrar prejuízos com alimentos estragados ou aparelhos queimados para pedidos de ressarcimento.
✓O caminho correto para escalar a queixa: do atendimento inicial à Ouvidoria, ANEEL e Consumidor.gov.br.

Quatro vezes na mesma semana, a luz caiu bem na hora do jantar. Renata, universitária de 22 anos que mora sozinha em uma kitnet, numa cidade grande, tinha se acostumado a ouvir o barulho do ventilador parar de repente, no meio de uma noite de verão em que o calor já era difícil de suportar mesmo com energia.

Da primeira vez, achou que fosse coisa da fiação do prédio antigo onde morava. Da segunda, comentou com a vizinha do corredor, que também tinha passado pelo mesmo problema, sem saber a quem reclamar. Da terceira, os alimentos que guardava na geladeira pequena começaram a estragar, e ela percebeu que precisava agir de outro jeito, além de esperar a luz voltar sozinha.

Ligou para a central da distribuidora de energia. Foi atendida, ouviu que “a equipe já estava verificando a região” e desligou sem anotar nada — nem o horário da ligação, nem um número que comprovasse que aquele contato tinha existido.

Estudava para provas à noite, dependia do notebook carregado e do sinal de internet para entregar trabalhos. Cada queda de energia não era só desconforto: significava recarregar o roteador, torcer para o notebook aguentar até a bateria acabar e recomeçar 2 vezes o mesmo trabalho da faculdade, que se perdia no meio do processo.

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Na quarta queda, resolveu mudar a abordagem. Começou a anotar, no celular, a data e a hora exata em que a energia caía e voltava, além do tempo que ficava sem luz. Passou também a guardar o número de protocolo de cada ligação, e a pedir, especificamente, que esse número fosse informado antes de desligar.

Foi só depois de acumular um pequeno histórico, com datas e protocolos, que ela conseguiu montar um relato consistente da falha recorrente, em vez de uma queixa solta que dependia só da própria memória.

Por que anotar hora e duração pesa mais do que lembrar depois

Ajustes no celular ajudam a identificar falhas de conexão, lentidão e possíveis interrupções no serviço de internet.

Falhas de energia pontuais acontecem e nem sempre indicam um problema maior. Mas quando as interrupções se repetem, o registro de data, horário e duração de cada queda é o que permite diferenciar um incidente isolado de um padrão que merece resposta da distribuidora. Sem esse registro, cada reclamação nova parte do zero, sem conexão com as anteriores. E é justamente essa desconexão que faz o problema parecer menor do que realmente é, tanto para quem atende quanto para quem liga: sem histórico, três quedas na mesma semana viram três chamados isolados, não um padrão que precisa de investigação.

Como abrir um protocolo que realmente identifica o problema

Dados que valem registrar

Data e hora do início e do fim de cada queda, região ou endereço afetado, e se outros vizinhos relataram o mesmo problema no mesmo período.

Prejuízo com equipamentos

Alimentos perdidos e eventuais danos a aparelhos elétricos também podem ser registrados, com fotos e, se possível, notas fiscais dos itens afetados, para compor o relato caso seja necessário reclamar formalmente.

Oscilações bruscas na volta da energia também podem danificar equipamentos eletrônicos sensíveis, como notebook, roteador e geladeira. Usar estabilizador ou nobreak nos aparelhos mais expostos reduz esse risco, e qualquer dano identificado logo após uma queda vale registrar no mesmo dia, enquanto os detalhes ainda estão claros na memória.

Ao ligar para a distribuidora, vale sempre pedir o número de protocolo antes de encerrar a chamada — é esse número que permite acompanhar o andamento do pedido e provar que o contato foi feito.

Quando a queixa sai da distribuidora e chega à ANEEL

Se o problema persiste mesmo depois de comunicado à distribuidora, o passo seguinte é procurar a ouvidoria da própria empresa e, na sequência, os canais da ANEEL, agência reguladora do setor elétrico. A ANEEL orienta sobre como proceder em caso de interrupções frequentes e recebe reclamações quando a resposta da distribuidora não é satisfatória. Antes de chegar a esse ponto, vale conferir se a distribuidora respondeu dentro do prazo prometido em cada protocolo e se a explicação dada faz sentido diante do histórico registrado — divergências entre o que foi informado por telefone e o que consta oficialmente também podem ser levadas à agência.

Guia de Reclamação: Passo a Passo e Prazos Regulares
Selecione em qual estágio está o seu problema para saber quais provas reunir e qual o prazo de resposta oficial:
1ª Etapa: Central da Distribuidora
•Anote a data, hora exata do início e fim da oscilação/queda.
•Solicite e anote o número do protocolo antes de desligar.
•Tire fotos de alimentos estragados ou equipamentos afetados no mesmo dia.
Prazo de Resposta da Distribuidora: Até 5 dias úteis (para solicitações/reclamações comerciais gerais)
Nota metodológica: Prazos e exigências regulatórias estabelecidos pela Resolução Normativa ANEEL nº 1.000/2021 para o setor elétrico brasileiro.

O que muda depois que o histórico de quedas existe

Documentos, fotos e registros organizados facilitam a apresentação do problema durante o atendimento e a busca por solução.

Com datas, protocolos e prejuízos documentados, a moradora deixa de depender apenas da própria memória para descrever o problema, e passa a ter um relato que pode ser conferido por qualquer atendente, ouvidoria ou instância externa. Esse histórico também ajuda a identificar se o problema é pontual, sazonal ou estrutural, o que muda a forma como a reclamação deve ser encaminhada.

Uma história como esta, embora hipotética, mostra o que fazer quando o fornecimento falha de forma repetida ou causa prejuízo: registrar datas, duração, equipamentos afetados e protocolos, além de seguir a sequência entre distribuidora, ouvidoria e ANEEL. O tempo de resposta e os critérios de cada distribuidora podem variar, o que reforça a importância de conferir as regras vigentes antes de qualquer reclamação formal.

O passo a passo para lidar com problemas no fornecimento está descrito na página da ANEEL sobre como resolver, e o canal específico para reclamar da distribuidora pode ser consultado em reclame da distribuidora. Iniciativas recentes de troca de equipamentos para reduzir consumo também foram tema de outra reportagem sobre troca de geladeiras pela companhia de energia.

Tags: Aneeldireitos do consumidordistribuidoraenergia eletricaprotocolo de reclamacaoqueda de energia

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