Antes de subir a escadaria do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, o visitante encontra um adro monumental com 12 esculturas em pedra sabão esculpidas por Aleijadinho entre 1800 e 1805. Ao lado, seis capelas guardam 66 imagens em madeira policromada em tamanho natural, retratando os Passos da Paixão de Cristo. É por causa desse conjunto que Congonhas, a 85 km de Belo Horizonte, entrou na lista de Patrimônio Mundial da UNESCO em 1985.
Quem são os 12 profetas esculpidos por Aleijadinho?
Os quatro profetas maiores do Antigo Testamento ocupam o eixo central da escadaria. São eles Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel. Segundo a Enciclopédia Itaú Cultural, os oito profetas menores completam o conjunto: Baruc, Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Habacuc e Naum.
Cada estátua tem uma pose única. As mãos gesticulam como se os personagens conversassem entre si, e os olhares se cruzam em direções diferentes, criando um jogo de correspondências entre as figuras. O conjunto é considerado uma das séries mais completas de profetas na história da arte cristã ocidental. Isaías e Jeremias abrem a composição na base da escada, e Jonas aparece com a baleia aos pés, referência análoga a gravuras publicadas em Florença no século XV.

Por que a obra é considerada uma das obras-primas do barroco mundial?
Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), as 66 esculturas em madeira policromada distribuídas pelas seis capelas dos Passos da Paixão formam um dos mais completos grupos escultóricos de imagens sacras do mundo. Não há outro santuário brasileiro com o mesmo volume e a mesma unidade artística.
A UNESCO reconheceu a singularidade em 1985. Conforme o Centro do Patrimônio Mundial da UNESCO, o santuário representa uma realização artística única do gênio humano, refletindo o ápice da arte cristã na América Latina. A igreja tem decoração interior em estilo rococó italiano, e o conjunto é a última grande obra da carreira de Aleijadinho, já idoso e enfermo quando esculpiu os profetas.

Como surgiu o santuário no Morro do Maranhão?
Começa com uma promessa. O português Feliciano Mendes, que havia enriquecido com a extração de ouro em Minas Gerais no início do século XVIII, adoeceu gravemente. Prometeu ao Bom Jesus de Matosinhos que construiria um santuário em sua homenagem caso se curasse. Ao se restabelecer, iniciou as obras em 1757, tomando como modelo o Santuário do Bom Jesus de Braga, em Portugal.
A construção completa se estendeu por mais de um século, entre 1757 e 1875. Aleijadinho assumiu a parte escultórica no fim da carreira. Iniciou pelas capelas da Paixão em 1796, concluiu as esculturas em madeira em 1799, e produziu os profetas em pedra sabão entre 1800 e 1805, com auxílio de sua oficina, já com a doença muito avançada.

O que é o Jubileu do Bom Jesus de Matosinhos?
É uma das maiores festas religiosas do interior de Minas Gerais. Realizado anualmente entre 7 e 14 de setembro, o Jubileu tem mais de 250 anos de tradição. Segundo a Prefeitura de Congonhas, o evento reúne milhares de romeiros vindos de diferentes regiões do Brasil.
Durante a semana da festa, a cidade se transforma. A área da Romaria, prédio circular construído na década de 1930, vira praça de alimentação. Comerciantes locais montam tendas, e a arrecadação é revertida para o Fundo Profeta, destinado à preservação do patrimônio. É a única cidade brasileira que reúne, ao mesmo tempo, título da UNESCO, obra escultórica de Aleijadinho e um jubileu religioso multissecular no mesmo endereço.
O que visitar além do santuário na Cidade dos Profetas?
O centro é compacto e permite roteiro a pé. Confira abaixo os principais pontos:
- Santuário do Bom Jesus de Matosinhos: adro com os 12 profetas em pedra sabão e seis capelas com as 66 esculturas em madeira.
- Museu de Congonhas: inaugurado em 2015, é fruto de cooperação entre a UNESCO, o IPHAN e a Prefeitura de Congonhas, com acervo interativo sobre o santuário e o barroco mineiro.
- Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição: construída em 1734, tem fachada projetada por Aleijadinho e uma das maiores naves de igreja de Minas Gerais.
- Centro Cultural Romaria: prédio circular com pátio interno, restaurado em 1995, hoje abriga o Museu da Mineralogia e Arte Sacra.
- Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos: fundada em 1746, recentemente restaurada.
- Igreja de São José: construção do início do século XIX, com formas arredondadas incomuns.
Quem quer ver de perto os profetas de Aleijadinho, vai curtir esse vídeo do canal De fora em Juiz de Fora, com mais de 82 mil visualizações, que explora o centro histórico de Congonhas:
Como é o clima na região central de Minas Gerais?
O clima é tropical de altitude, com temperaturas amenas o ano inteiro. Confira abaixo como o ano se organiza para quem quer visitar:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar em Congonhas?
A cidade fica na região central de Minas Gerais, no traçado histórico do Caminho Velho da Estrada Real. Está a 85 km de Belo Horizonte pela BR-040, cerca de 1h30 de carro. De São Paulo, são aproximadamente 510 km. O aeroporto comercial mais próximo é o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, a cerca de 115 km. Rodoviária concentra linhas diárias de Belo Horizonte, Ouro Preto e São João del-Rei.
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Conheça a cidade que guarda a última grande obra de Aleijadinho
Poucos lugares no mundo reúnem tantos elementos únicos em um só endereço. Congonhas tem um adro que virou referência da arte barroca ocidental, uma igreja com decoração rococó italiana, seis capelas com dezenas de figuras em madeira em tamanho natural e uma festa religiosa com mais de dois séculos de tradição.
Você precisa subir a serra até o Morro do Maranhão e conhecer Congonhas, a cidade onde Isaías, Jeremias e Daniel aguardam, em pedra sabão, todos os visitantes desde 1805.




