Quando os portugueses chegaram ao extremo leste do Rio Grande do Norte, encontraram uma enseada protegida por falésias e teriam soltado a frase que batizou o lugar: que baía formosa. É a única baía do estado, e não é coincidência que ali as ondas quebrem bem. Séculos depois, um garoto começou a surfar naquela água usando a tampa do isopor onde o pai guardava peixe. Em 2021, ele voltou de Tóquio com uma medalha que nenhum surfista jamais tinha ganhado.
A tampa de isopor que virou medalha de ouro
Ítalo Ferreira nasceu e cresceu em Baía Formosa. Segundo o Comitê Olímpico do Brasil (COB), ele aprendeu a surfar com a tampa de isopor que o pai usava para guardar os peixes revendidos aos restaurantes da vila. O potiguar apareceu internacionalmente aos 20 anos, como vice-campeão mundial júnior, e venceu a World Surf League pela primeira vez em 2019.
Em 27 de julho de 2021, na praia de Tsurigasaki, ele se tornou o primeiro campeão olímpico do surfe masculino. A final durou 35 minutos e começou com a prancha partida na primeira onda. Ítalo remou de volta à areia, trocou de equipamento e derrotou o japonês Kanoa Igarashi.
A história continua na cidade. Em 27 de outubro de 2022, o surfista inaugurou o Instituto Ítalo Ferreira na casa onde morou com os avós, um projeto de cerca de 400 metros quadrados que oferece reforço escolar, educação ambiental e aulas de surfe a crianças da região. O pai, ex-pescador, preside a instituição.

Onde surfar e onde apenas boiar
São 26 km de litoral, e a maior parte não tem casa nenhuma. Cada praia serve a um propósito diferente, e vale saber disso antes de escolher a toalha.
- Praia de Baía Formosa: a enseada urbana, com barcos ancorados e falésias. Point de surfe e ponto de partida a pé.
- Praia da Cacimba: ondas consistentes, a preferida dos surfistas locais.
- Praia do Sagi: no extremo sul, na divisa com a Paraíba, separada pelo rio Guaju. Quase deserta, com mangue e falésias.
- Praia do Bacupari: guarda o farol movido a energia solar e dunas com vista aberta.
- Praia do Porto: onde os pescadores desembarcam. O mirante ao lado é o melhor pôr do sol da cidade.
O acesso ao trecho sul depende da maré. Bugues e quadriciclos saem do centro, e os passeios até Sagi só acontecem na maré baixa. Um detalhe da orla: em alguns pontos, nascentes de água doce afloram na areia da praia.
Quem sonha em descobrir um paraíso ecológico preservado no Nordeste, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Joilson Garcia, que conta com mais de 26 mil visualizações, onde Joilson Garcia mostra praias paradisíacas, passeios de bugue e a famosa Lagoa da Coca-Cola em Baía Formosa:
A maior floresta de Mata Atlântica sobre dunas do país
A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Mata Estrela é o maior remanescente de Mata Atlântica do Rio Grande do Norte, reconhecida oficialmente em 1990 e hoje sob supervisão do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Ela cresce sobre dunas, o que a torna rara.
Conforme a Prefeitura de Baía Formosa, as trilhas atravessam árvores de pau-brasil, gameleiras e jatobás. O som que anuncia a mata é a vocalização do macaco-guariba, que ecoa entre as copas. A caminhada mais longa chega a 14 km.
O destino de quase todo mundo é a Lagoa de Araraquara, apelidada de Lagoa da Coca-Cola. A água escura, quase avermelhada, vem da decomposição das folhas que caem no fundo. Dá para nadar. A cidade mantém ainda um Santuário das Tartarugas, dedicado à preservação de animais marinhos.

Como é o clima de Baía Formosa durante o ano?
Litoral tropical úmido, sem inverno de verdade. A temperatura muda pouco, mas a chuva muda muito, e é ela que define a viagem.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Baía Formosa saindo de Natal
São cerca de 95 km da capital potiguar, aproximadamente 1h40 de carro pela BR-101. O município é o mais oriental do Rio Grande do Norte e fica a cerca de 110 km de João Pessoa. Há linhas intermunicipais saindo da rodoviária de Natal, mas os horários são poucos e vale confirmar antes. O centro se resolve a pé, com ladeiras. Para as praias distantes, bugue ou veículo com tração.
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Conheça a vila onde o mar ensinou um campeão
Baía Formosa é um vilarejo de pescadores encaixado entre a única baía do estado e a última grande floresta atlântica do Nordeste setentrional. O turismo chique ficou em Pipa, a 60 km, e aqui sobrou o essencial: mar, mata e gente.
Você precisa dirigir até o extremo leste do Rio Grande do Norte, sentar no mirante ao entardecer e entender por que uma criança com uma tampa de isopor virou campeã olímpica exatamente nessa água.




