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Cartões bancários podem estar com os dias contados para método de pagamento que avança rapidamente

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
29/06/2026
Em Economia
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Resumo gerado por IA a partir dos artigos deste site.

Primeiro foram as notas de papel. Agora, o cartão bancário físico dá sinais de que pode ser o próximo item a desaparecer das carteiras. A Mastercard anunciou metas formais para eliminar o número físico do cartão e as senhas tradicionais até 2030, enquanto no Brasil o celular já substituiu a carteira para 22% dos brasileiros, o dobro do registrado dois anos antes.

O que a Mastercard planeja para acabar com o cartão físico até 2030?

O plano da Mastercard tem dois eixos centrais. O primeiro é a tokenização total: em vez de transmitir os 16 dígitos do cartão a cada compra, o sistema gera um código único e descartável para cada transação, chamado token, que não tem utilidade se interceptado. Atualmente, mais de 30% das transações globais da empresa já são tokenizadas, e a meta é chegar a 100% das operações sem cartão físico até 2030.

O segundo eixo é a autenticação biométrica. Segundo Marcelo Tangioni, CEO da Mastercard Brasil, senhas e códigos enviados por SMS serão progressivamente substituídos por reconhecimento facial, impressão digital e leitura de íris. A empresa também investe em biometria comportamental: sistemas de inteligência artificial que identificam o usuário pelo padrão de digitação, pressão na tela e movimentos do dispositivo, tornando a autenticação completamente invisível para quem paga.

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Homem sentado no banco do motorista olha para o celular dentro do carro, enquanto uma mulher se aproxima da porta aberta e observa a situação com preocupação.

Adeus, saldo que parece presente: Eduardo, motorista de aplicativo de 38 anos, após 2 semanas de plantão, viu no extrato um Pix desconhecido às 6 da tarde e só então entendeu, com o Banco Central e o Código Civil, que dinheiro recebido por engano continua sendo de quem enviou

05/08/2026
Mulher segura celular, envelope e comprovante em uma rodoviária, enquanto conversa com um homem que também olha para o telefone; ao fundo, um adolescente com mala está perto de um ônibus.

Aos 41 anos, Vânia, professora e mãe solo de 2 filhos, recebia havia 11 anos uma pensão combinada de boca com o ex-marido, viu o valor mudar todo mês até no ônibus do filho, e só quando ele foi para a faculdade entendeu o que recomendam o Código Civil e o Banco Central.

05/08/2026
Comerciante sentado no balcão de uma loja de materiais de construção consulta o aplicativo bancário no celular, ao lado de outro telefone em ligação, documentos, cadernos e sacos de cimento.

O comerciante de material de construção, de 51 anos, tentou pagar 2 fornecedores, viu o aplicativo do banco travar por segurança, ligou 3 vezes sem resposta clara e só depois entendeu que precisava provar a origem do dinheiro ao Consumidor.gov.br e ao Banco Central.

04/08/2026
Marceneiro em oficina segura o celular junto ao rosto com expressão de susto, ao lado de uma bancada de trabalho com máquina de cartão, tábuas de madeira e ferramentas na parede.

Aos 41 anos, Edimilson, marceneiro autônomo, atendeu uma ligação com os 4 últimos dígitos do cartão, instalou o aplicativo pedido, viu 3 transferências saírem em 2 minutos e só depois entendeu, com o Banco Central e o Consumidor.gov.br, que nenhum banco exige chamada aberta.

04/08/2026
Pix
Cartões bancários podem estar com os dias contados para método de pagamento que avança rapidamente – Créditos: depositphotos.com / rafapress

Como o Brasil se posiciona nessa transição para pagamentos sem cartão?

O Brasil ocupa posição de destaque nessa mudança. O Pix, adotado por mais de 75% da população segundo dados do Banco Central do Brasil, deixou de ser alternativa e tornou-se a infraestrutura central de pagamentos do país, reduzindo diretamente o uso do cartão de débito físico. O Pix por Aproximação, que dispensa abertura de aplicativo e leitura de QR Code, entrou em fase de expansão no varejo físico em 2026, embora ainda represente apenas 0,01% do total de transações Pix em janeiro deste ano.

O comportamento geral dos consumidores reforça a tendência. De acordo com o relatório Panorama Mobile Time/Opinion Box 2025, 92% dos usuários com celular já pagaram via QR Code ao menos uma vez, e o pagamento por aproximação saltou de 17% para 64% nos últimos anos. O cartão de plástico físico ainda lidera como meio mais utilizado, citado por 52% dos entrevistados, mas perdeu participação de forma contínua.

O que está acontecendo no mundo com os pagamentos pelo celular?

A tendência é global e avança em ritmos diferentes por país. Os dados mais recentes mostram:

Leia também: Nova regra entra em vigor nesta sexta-feira e muda empréstimos para quem tem carteira assinada

Quais são os riscos dessa transição que pouco se fala?

A digitalização dos pagamentos tem uma face menos celebrada. O Riksbank sueco, banco central de um dos países mais avançados nessa transição, alertou em seu relatório de 2025 que o sistema ficou mais ágil, mas também mais frágil: falhas técnicas, ataques cibernéticos e crises de infraestrutura podem paralisar toda a cadeia de pagamentos de um país. No Brasil, o próprio Banco Central reconhece a dependência crescente de infraestrutura digital estável para manter o Pix funcionando como coluna vertebral financeira do país.

Há ainda a questão da exclusão digital. No Brasil, 46 milhões de pessoas ainda vivem sem acesso à internet de qualidade, segundo dados do CGI.br. Idosos, pessoas sem smartphone ou sem conexão estável ficam progressivamente fora de um sistema que pressupõe conectividade constante. Na Suécia, onde a transição está mais avançada, um movimento organizado chamado kontantupproret defende a manutenção do dinheiro em espécie como garantia de inclusão, argumentando que quem não tem acesso a ferramentas de pagamento digital está sendo excluído da sociedade.

O cartão físico vai desaparecer de vez ou vai coexistir com o digital?

A meta da Mastercard é ambiciosa, mas o prazo de 2030 é curto para uma transformação que depende de infraestrutura, legislação e inclusão digital em escala global. No curto prazo, o mais provável é uma coexistência: o celular assumindo o protagonismo nas compras cotidianas, enquanto o cartão físico permanece como alternativa para situações de falha tecnológica, viagens ou perfis de usuários menos conectados.

A tabela abaixo resume os principais métodos em disputa e o estágio atual de cada um:

O que o consumidor brasileiro precisa saber diante dessa mudança?

Para quem já usa o celular para pagar, a transição é quase imperceptível. O que muda, na prática, é que os bancos vão progressivamente reduzir o envio de cartões físicos de reposição e ampliar as carteiras digitais como padrão. Instituições como Nubank, Inter e outros bancos digitais já operam com modelo em que o cartão físico é opcional, não padrão.

Para quem ainda depende do plástico, o ponto de atenção é garantir que o celular esteja configurado para pagamentos por aproximação e que o acesso ao aplicativo do banco esteja ativo, com biometria cadastrada. Quem não tem smartphone compatível ou acesso estável à internet enfrenta um risco real de ficar progressivamente fora de um sistema financeiro que migra para o digital sem garantir que todos consigam acompanhar o ritmo.

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Tags: MastercardPagamentos DigitaisPix

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