Uma bandeira do Brasil na varanda do apartamento custou mais de mil reais a um casal de Vila Velha, no Espírito Santo. O condomínio aplicou duas multas alegando alteração de fachada, e os moradores foram à Justiça pedir a anulação das cobranças e indenização por danos materiais e morais.
Como a bandeira foi colocada e por que o condomínio multou?
Em setembro de 2025, durante as comemorações da Independência do Brasil, o casal fixou a Bandeira do Brasil na sacada do apartamento, na Praia da Costa, presa de forma removível à tela de proteção pelo lado interno, sem nenhuma intervenção na estrutura do prédio.
O condomínio entendeu que a exibição configurava alteração de fachada e aplicou duas penalidades: a primeira em dezembro de 2025, no valor de R$ 386,69, e a segunda em janeiro de 2026, de R$ 779,62. Juntas, as multas chegaram a aproximadamente R$ 1.166.

Que leis estão em conflito nesse caso de bandeira em varanda?
O centro do debate jurídico está na tensão entre duas normas federais. A lei que regula os condomínios proíbe qualquer alteração da forma externa da fachada por condômino. Já a lei dos símbolos nacionais autoriza o uso da Bandeira Nacional em todas as manifestações do sentimento patriótico dos brasileiros.
Há ainda um elemento que favorece o casal: o regimento interno do condomínio proibia bandeiras apenas no salão de jogos adulto, sem qualquer vedação expressa ao uso em varandas. Os moradores sustentam que não havia norma interna descumprida.
Os principais pontos jurídicos do conflito são:

Esse tipo de multa por bandeira em varanda é comum no Espírito Santo?
O caso de Vila Velha não é isolado. Na cidade da Serra, outro morador recebeu multa de R$ 2.000 após colocar a bandeira na varanda, desta vez com base em regimento que proibia expressamente a exposição de objetos nas fachadas e sacadas.
Para Gedaias Freire, presidente do Sindicato Patronal dos Condomínios do Espírito Santo, colocar uma bandeira não equivale a uma obra permanente, já que alteração de fachada pressupõe mudança estrutural, como a troca de janelas ou portas.
Leia também: Dívidas bancárias de até R$ 10 mil podem ter cobranças encerradas pela Justiça
Como as partes se comparam nesse processo judicial?
O processo tramita no 4º Juizado Especial Cível de Vila Velha e aguarda sentença desde 27 de maio de 2026, quando a juíza Inês Vello Corrêa declarou o caso pronto para julgamento. O casal pede anulação das multas, devolução dos valores e indenização por danos materiais e morais.
A tabela abaixo resume a situação de cada parte e os valores envolvidos:

O que muda para quem mora em condomínio durante a Copa do Mundo de 2026?
Com a Copa do Mundo de 2026 no calendário, a tendência é que mais moradores queiram decorar as varandas com a Bandeira do Brasil. A advogada condominialista Leidiane Malini considera razoável que os condomínios autorizem temporariamente a exibição, desde que fixados critérios objetivos de segurança em condomínios, preservação estética e prazo para retirada.
O caminho mais seguro para evitar multas é ler o regimento interno antes de pendurar qualquer bandeira e, se necessário, pedir autorização formal à administração. Quando a norma interna for omissa, o morador tem argumentos mais sólidos, como demonstra o caso de Vila Velha, ainda em julgamento.




