Em um único fim de semana de maio de 2026, a Direção Geral de Segurança Vial da Polícia de Salta, na Argentina, fiscalizou mais de 7.600 veículos em postos fixos e móveis espalhados por toda a província. O resultado foi expressivo: 760 condutores autuados por descumprir a legislação de trânsito, com 84 casos positivos no teste do bafômetro entre os 5.822 testes realizados. Os dados foram divulgados oficialmente pelo Governo da Província de Salta.
O que revelam os números da operação de Salta em maio de 2026?
A operação coordenada pela Subsecretaria de Segurança Vial de Salta aplicou um volume de fiscalização expressivo: dos 7.682 veículos abordados, cerca de 10% resultaram em autuação. A taxa de positividade no teste do bafômetro foi de 1,4% entre todos os testados — um índice que, embora pareça pequeno, representa dezenas de condutores trafegando alcoolizados em horários e trechos de alta movimentação.
As infrações registradas foram majoritariamente por descumprimento da lei nacional de trânsito argentina, que abrange desde a ausência de documentação até o uso do celular ao volante e o excesso de velocidade. A operação foi realizada de forma preventiva, com presença ostensiva, e não apenas reativa, o que é considerado pela literatura de segurança viária como a abordagem mais eficaz para redução de acidentes.

Como funciona a fiscalização de trânsito no Brasil e quais são as penalidades?
No Brasil, a fiscalização de trânsito é regida pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB — Lei nº 9.503/1997), com as regras sobre álcool ao volante reforçadas pela Lei nº 11.705/2008, a chamada Lei Seca, que instituiu a política de tolerância quase zero. A fiscalização é realizada por agentes de trânsito e policiais rodoviários em operações conhecidas como blitze, que podem ser fixas ou móveis, diurnas ou noturnas.
Conforme o artigo 165 do CTB, as penalidades para quem é flagrado dirigindo sob influência de álcool são severas. Os limites e consequências em vigor são:
- Até 0,04 mg/L no bafômetro: não configura infração — é a margem de erro do equipamento
- A partir de 0,05 mg/L: infração gravíssima — multa de R$ 2.934,70, suspensão da CNH por 12 meses e recolhimento do veículo
- A partir de 0,34 mg/L: configura crime de trânsito previsto no artigo 306 do CTB, com possibilidade de prisão de 6 meses a 3 anos
- Reincidência em até 12 meses: multa dobra para R$ 5.869,40 e a CNH pode ser cassada por 24 meses
- Recusa ao bafômetro (art. 165-A): também é infração gravíssima, com as mesmas penalidades de quem testa positivo
Quem tem autoridade para realizar fiscalização de trânsito no Brasil?
A fiscalização de trânsito no Brasil é competência de diferentes órgãos, conforme o tipo de via. Nas rodovias federais, atua a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Nas rodovias estaduais, as polícias militares e os departamentos estaduais de trânsito (Detrans). Em vias municipais e urbanas, os agentes municipais de trânsito, vinculados às prefeituras, têm poder de autuação. Todos operam dentro do Sistema Nacional de Trânsito, coordenado pelo SENATRAN.

As blitze podem abordar documentação, condição do veículo, uso de cinto, celular ao volante, velocidade e álcool. O agente não é obrigado a revelar antecipadamente o critério de seleção dos veículos abordados, e a operação pode ser realizada sem aviso prévio em qualquer horário e local dentro da jurisdição do órgão.
O caso de Salta serve de espelho para a realidade brasileira?
Os dados argentinos reforçam uma dinâmica conhecida no Brasil: a presença ostensiva de fiscalização reduz infrações e salva vidas. Estudos do Observatório Nacional de Segurança Viária mostram que estados brasileiros com maior frequência de blitze registram quedas significativas nos índices de acidentes graves envolvendo álcool. O bafômetro, combinado com fiscalização sistemática, continua sendo a principal ferramenta preventiva disponível.
Em um fim de semana, a Polícia de Salta retirou 84 motoristas alcoolizados das ruas antes que pudessem causar um acidente. No Brasil, a Lei Seca existe há mais de 15 anos e tem as penalidades mais duras da história do CTB. Se você dirige, a regra é simples: se beber, não dirija. Compartilhe com quem ainda acha que “um copinho não faz diferença” — os números dizem o contrário.




