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As centenas de pessoas que dançaram até a morte em uma praça pública

Daniely Cardoso Por Daniely Cardoso
12/03/2026
Em Curiosidades, Notícias
Os relatos descrevem que a dança não tinha nada de festiva: era marcada por expressão de dor

Os relatos descrevem que a dança não tinha nada de festiva: era marcada por expressão de dor

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Imagine caminhar por uma praça e, de repente, ver dezenas de pessoas começando a dançar sem parar, dia e noite, como se não conseguissem controlar o próprio corpo. Foi isso que aconteceu na chamada Dancing Plague of 1518, um dos episódios mais misteriosos da história europeia.

O que foi a Dancing Plague of 1518

A Dancing Plague of 1518 foi um surto em que um grupo crescente de habitantes de Estrasburgo passou a dançar de forma descontrolada ao longo de semanas. Tudo teria começado com uma mulher chamada Frau Troffea, que começou a se mover compulsivamente em uma rua da cidade e, em poucos dias, foi acompanhada por dezenas de pessoas, em uma dança repetitiva e exaustiva.

Os relatos descrevem que a dança não tinha nada de festiva: era marcada por expressão de dor, cansaço e aparente estado de transe. Alguns cronistas contam que pessoas caíam no chão com os pés sangrando e, ainda assim, tentavam continuar, como se uma força maior as obrigasse a permanecer em movimento constante.

Leia também: Curiosidades da psicologia que fazem você repensar atitudes comuns

Como as autoridades reagiram à multidão dançante

As autoridades locais, guiadas por crenças religiosas e morais muito fortes, interpretaram o evento como um possível castigo divino ou uma manifestação espiritual. Em vez de interromper o surto, permitiram que os dançarinos continuassem, esperando que, ao “gastar” a dança, se libertassem daquela condição considerada quase sobrenatural.

Chegou-se até a contratar músicos profissionais e reservar espaços específicos, como praças e salões, para que as pessoas dançassem sem atrapalhar o restante da cidade. Em alguns registros, há menção a altares e procissões, mostrando como religião, medo e tentativa de controle social se misturavam nessa resposta incomum.

Por que tantas pessoas começaram a dançar sem parar

Não existe consenso definitivo sobre a causa da Dancing Plague, mas muitas teorias foram sugeridas. A mais aceita atualmente fala em um possível surto psicogênico coletivo, também chamado de histeria de massa, em que o estresse extremo e o clima emocional da época se transformaram em sintomas físicos compartilhados.

Naquele período, Estrasburgo vivia crises de fome intensa, doenças e forte pressão religiosa, o que deixava a população em constante medo e insegurança. Nesse cenário, ver alguém dançando compulsivamente podia funcionar como gatilho para que outras pessoas, já fragilizadas, entrassem no mesmo padrão de comportamento, influenciadas pela sugestão e pelo desespero.

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Para você que gosta de curiosidades, separamos um vídeo do canal O Covil com a história por trás da praga da dança:

O ergotismo explica a Dancing Plague of 1518

Uma hipótese clássica para explicar o episódio é o ergotismo, intoxicação causada por centeio contaminado com um fungo que produz substâncias alucinógenas. Essa teoria relaciona o surto a convulsões, delírios e dores corporais, sintomas que podem surgir após o consumo de pão estragado, comum em períodos de colheita ruim.

No entanto, muitos pesquisadores destacam que o ergotismo costuma causar imobilidade, espasmos dolorosos e até necrose dos membros, e não movimentos rítmicos e prolongados como os observados na Dancing Plague. Por isso, a explicação psicossocial, ligada ao contexto de sofrimento coletivo, ganhou mais força em estudos recentes.

Como a Dancing Plague of 1518 terminou ao longo das semanas

Os relatos indicam que o surto foi perdendo força aos poucos, após algumas semanas de tensão. Parte dos dançarinos teria sido levada a santuários dedicados a santos associados à cura espiritual e proteção, onde recebiam rituais religiosos, cuidados básicos com o corpo e, principalmente, afastamento do ambiente urbano que alimentava o medo.

Com o tempo, a prática incomum desapareceu, sem registros de novo surto na mesma escala em Estrasburgo. O episódio, porém, continuou vivo em documentos municipais, relatos religiosos e crônicas da época, servindo como lembrança de um momento em que a cidade pareceu entrar em uma espécie de transe coletivo.

Sua história pode virar reportagem

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Tags: fato curiosohistóriapraga da dança

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