Durante séculos, faltavam pistas sobre quem vivia nessa parte do norte da África, mas uma sociedade neolítica deixou um grande conjunto agrícola em Oued Beht, no Marrocos. O sítio foi ocupado entre 3400 e 2900 a.C. e reúne sinais de cultivo, criação de animais e armazenamento.
Por que havia um espaço tão grande na história do norte africano?
O Magreb tem registros arqueológicos importantes de períodos muito antigos e de épocas posteriores. Entre cerca de 4000 e 1000 a.C., porém, várias partes da região eram bem menos conhecidas, deixando uma lacuna justamente quando outras sociedades do Mediterrâneo passavam por mudanças profundas.
As escavações em Oued Beht, no Marrocos, preencheram parte desse vazio. Datações colocam a fase principal do sítio entre 3400 e 2900 a.C., no final do quarto milênio antes de Cristo.

O que havia nesse complexo agrícola?
A ocupação se estendia por pelo menos 9 a 10 hectares. Escavações encontraram grande quantidade de cerâmica, ferramentas de pedra, pedras usadas para moagem e muitas covas profundas espalhadas pelo terreno.
Os sinais principais foram:
As grandes covas serviam como depósitos de alimento?
Essa é uma interpretação provável, mas ainda exige cautela. Muitas covas tinham boca estreita e interior mais largo, formato compatível com silos. Algumas possuíam capacidade estimada entre 1 e 2 metros cúbicos, e estruturas semelhantes apareciam com alta frequência nas áreas escavadas.
Dentro delas surgiram sinais claros de produção de alimentos:
- Cevada domesticada apareceu em amostras carbonizadas.
- Trigo e ervilha também foram identificados.
- Restos de cabras e outros animais domésticos estavam presentes.
- Alguns ossos carregavam marcas ligadas ao corte de carcaças.
O estudo arqueológico aponta uma economia baseada principalmente na produção de alimentos, com poucos sinais claros de dependência da caça e coleta de recursos silvestres.

Por que o tamanho de Oued Beht surpreendeu os arqueólogos?
O sítio é descrito como o mais antigo e maior complexo agrícola conhecido desse período na África fora do corredor do Nilo. Sua área e a densidade de estruturas apontam para um investimento contínuo de trabalho durante vários séculos.
Os números centrais podem ser comparados assim:
| Dado | Medida | O que mostra |
|---|---|---|
| Fase principal Datações do sítio | 3400 a 2900 a.C. | Cerca de 5 séculos |
| Área ocupada Concentração principal | Pelo menos 9 a 10 hectares | Grande escala |
| Covas Estruturas subterrâneas | Muitas em toda a área escavada | Possível armazenamento |
O que essa sociedade muda na história do Mediterrâneo?
A localização do sítio coloca comunidades africanas em uma região voltada tanto para o Mediterrâneo quanto para o Atlântico. Cerâmicas e outros materiais também apresentam paralelos com achados da Península Ibérica, sugerindo contatos ou movimentos entre as duas margens.
O Oued Beht mostra que o noroeste africano tinha comunidades agrícolas grandes e bem estabelecidas durante um período pouco documentado. Os depósitos, cultivos e animais transformam uma antiga lacuna arqueológica numa paisagem de produção que funcionou por séculos.




