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O derretimento do gelo revelou uma passagem viking perdida com centenas de objetos, incluindo sapatos, luva, trenós e uma inscrição rúnica

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
23/08/2026
Em Entretenimento
Objetos comuns ajudaram a reconstruir como viajantes atravessavam aquela região séculos atrás

Objetos comuns ajudaram a reconstruir como viajantes atravessavam aquela região séculos atrás

Quando o gelo recuou nas montanhas da Noruega, uma passagem viking esquecida começou a devolver objetos deixados por viajantes durante séculos. Sapatos, uma luva e partes de trenós estavam entre os achados. A rota foi usada desde cerca do ano 300 e teve seu auge perto do ano 1000.

Como uma estrada inteira pode simplesmente desaparecer?

Uma rota de montanha pode perder importância quando mudam o comércio, o clima e os lugares onde as pessoas vivem. Com o tempo, neve e gelo cobriram sinais do tráfego. A passagem saiu da memória local enquanto objetos deixados para trás permaneceram congelados.

O local é Lendbreen, na Noruega. A passagem foi identificada em 2011, e trabalhos arqueológicos acompanharam o recuo do gelo para recolher materiais orgânicos que poderiam se deteriorar rapidamente depois de expostos.

O gelo funcionou como uma espécie de cápsula do tempo para itens deixados pelo caminho

O que os viajantes deixaram congelado pelo caminho?

Centenas de achados formam uma mistura rara de transporte e vida cotidiana. Alguns objetos caíram durante a viagem. Outros podem ter sido descartados, perdidos ou abandonados quando animais e pessoas atravessavam a montanha carregando mercadorias.

Entre os materiais recuperados estão:

1
Roupas e calçados Foram recuperados sapatos, uma luva da Era Viking e até uma túnica mais antiga.
2
Peças de transporte Ferraduras, ossos de animais de carga e restos de trenós ajudam a reconstruir o tráfego.
3
Objetos de trabalho Madeira preservada aparece em utensílios ligados à rotina e à produção de fios.
4
Inscrição rúnica Um bastão de caminhada conservado no gelo carregava uma inscrição feita com runas.

Para que tanta gente atravessava aquela montanha?

As passagens encurtavam caminhos entre assentamentos, áreas de pastagem e redes de troca. Animais de carga podiam transportar produtos através das regiões altas, fazendo da montanha uma parte ativa da economia, principalmente quando o movimento comercial cresceu no norte europeu.

As evidências apontam para vários usos:

  • Deslocamento entre áreas habitadas.
  • Transporte com cavalos de carga.
  • Movimentação de produtos locais.
  • Acesso a fazendas e pastagens de altitude.

O estudo publicado na Antiquity mostra que a rota fazia parte de conexões regionais e também de movimentos de longa distância.

O recuo da neve trouxe à superfície peças que ficaram escondidas por centenas de anos

Quando a passagem ficou mais movimentada?

As datações dos objetos permitem acompanhar a estrada por muitos séculos. O tráfego começou por volta do ano 300, cresceu aos poucos e alcançou seu ponto mais intenso perto do ano 1000, justamente durante a Era Viking.

A cronologia fica mais simples assim:

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Período Uso da passagem Situação
Por volta de 300 Início do registro Tráfego já aparece nas datações Começo
Por volta de 1000 Era Viking Maior concentração de atividade Auge
Até cerca de 1500 Final do uso Movimento cai até a rota ser abandonada Declínio

Leia também: Há 2.000 anos, viajantes da Rota da Seda limpavam o corpo com varetas enroladas em tecido e uma delas ainda guardava ovos de parasitas

Por que a rota acabou esquecida?

Os pesquisadores relacionam a queda do tráfego a uma combinação de mudanças econômicas, alterações climáticas e epidemias no fim da Idade Média. Quando as comunidades da região se reorganizaram, outras formas de circulação já tinham ganhado espaço e a antiga passagem deixou de ser usada.

O gelo de Lendbreen acabou guardando justamente o que os viajantes perderam. Seu recuo trouxe de volta objetos frágeis de madeira, tecido e couro, formando um registro incomum de uma estrada que funcionou durante aproximadamente 1.200 anos.

💡 Curiosidade Entre os objetos de madeira estava um batedor doméstico, item simples que dificilmente teria sobrevivido por tantos séculos fora do gelo.
Tags: arqueologia glacialLendbreenNoruegavikings

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