Há cerca de 13 mil anos, grupos de caçadores-coletores preparavam a cerveja de Raqefet usando cereais selvagens na atual Israel. Restos microscópicos ficaram presos em pilões de pedra. As marcas indicam moagem, aquecimento e fermentação de uma bebida espessa, provavelmente consumida durante festas ligadas aos mortos.
Como uma bebida desaparecida deixou pistas durante 13 mil anos?
Os vestígios foram encontrados na Caverna de Raqefet, perto da atual Haifa. O local foi usado pelo povo natufiano, grupo de caçadores-coletores que viveu no Mediterrâneo oriental antes da agricultura se tornar dominante na região.
A equipe da Universidade Stanford estudou resíduos conservados em antigos pilões de pedra. Grãos microscópicos de amido e partículas vegetais tinham alterações compatíveis com o processamento de trigo e cevada para produzir uma bebida fermentada.

Como os natufianos poderiam ter produzido essa bebida?
Os pesquisadores reconstruíram experimentalmente as etapas sugeridas pelos resíduos arqueológicos. Primeiro, cereais como trigo ou cevada germinavam para produzir malte. Depois eram secos e armazenados antes da preparação da mistura.
O malte era triturado e aquecido com água. Na etapa seguinte, a mistura podia ficar exposta a leveduras selvagens presentes no ambiente, iniciando a fermentação. As alterações produzidas no amido durante esses testes foram comparadas às marcas encontradas nos pilões antigos.
Essa bebida era parecida com a cerveja atual?
A semelhança tem limite. Os próprios pesquisadores descrevem o produto antigo como algo provavelmente mais próximo de um mingau fino ou uma mistura espessa de vários ingredientes do que de uma cerveja moderna filtrada e servida em copo.
A idade também aparece como intervalo. As evidências da bebida de Raqefet foram situadas entre aproximadamente 11.700 e 13.700 anos atrás, o que coloca sua produção antes da ampla presença de cereais domesticados naquela parte do Oriente Próximo.
- Os cereais usados podiam ser variedades selvagens.
- A bebida provavelmente era bem mais espessa que uma cerveja atual.
- A fermentação dependia de microrganismos disponíveis naturalmente no ambiente.
- Os pilões de pedra participavam do processamento e do armazenamento de alimentos.
Por isso, “cerveja” funciona como uma forma simples de descrever o processo fermentativo identificado. A composição exata, o teor alcoólico e o sabor daquela preparação não sobreviveram para serem medidos diretamente.

Por que os pesquisadores ligaram a bebida aos mortos?
A Caverna de Raqefet também funcionava como local de sepultamento natufiano. Os recipientes com resíduos foram encontrados nesse contexto, levando os pesquisadores a interpretar a bebida como parte de festas rituais que homenageavam pessoas mortas.
Essa ligação é importante porque mostra uma possível razão social para dedicar tempo à moagem e à fermentação. Produzir a bebida poderia fazer parte das cerimônias que reuniam o grupo em momentos funerários.
| Pista | O que indica | Força da evidência |
|---|---|---|
| Amido alterado Resíduo microscópico | Processamento de cereais | Forte |
| Experimentos Processo recriado | Alterações compatíveis com fermentação | Compatível |
| Contexto funerário Caverna com sepultamentos | Possível consumo ritual | Interpretação |
A produção de bebida veio antes do cultivo de cereais?
Em Raqefet, as evidências de fermentação são anteriores à ampla agricultura de cereais domesticados na região. Isso mostra que grupos de caçadores-coletores já dominavam etapas relativamente trabalhosas de processamento muito antes de dependerem de plantações como base da alimentação.
O achado não prova que a vontade de produzir cerveja criou a agricultura. Ele sustenta uma possibilidade discutida pelos arqueólogos: bebidas fermentadas e festas poderiam ter aumentado o interesse humano em cereais antes mesmo de sua domesticação se espalhar.




