Entre 950 e 710 a.C., uma mulher egípcia usou ou recebeu uma prótese egípcia feita de madeira e couro no lugar do dedão direito. A peça chegou presa ao pé de sua múmia. Séculos depois, réplicas usadas em testes de caminhada mostraram que o objeto podia ter utilidade prática.
Por que um dedão de madeira foi encontrado no pé de uma múmia?
O objeto é formado por três partes e combina madeira com couro. Ele foi encontrado no pé de uma mulher mumificada enterrada perto de Luxor, no Egito.
Peças artificiais também podiam ser produzidas para recompor corpos antes do sepultamento. Nesse caso, porém, sinais de desgaste e características da construção levantaram a possibilidade de que o dedão tivesse sido utilizado quando a mulher ainda estava viva.

Como saber se a peça servia para caminhar de verdade?
Pesquisadores produziram réplicas e recrutaram dois voluntários que não tinham o dedão direito. Eles caminharam em uma pista de 10 metros em diferentes condições, inclusive usando versões de sandálias egípcias.
Câmeras acompanharam os movimentos e uma plataforma mediu a pressão exercida pelos pés. Assim, a análise conseguiu comparar o desempenho com e sem as réplicas, buscando sinais de conforto e de movimento útil durante a caminhada.
O que aconteceu quando os voluntários começaram a andar?
Os dois participantes conseguiram caminhar com as réplicas. Em um deles, o modelo de madeira e couro alcançou quase 78% da flexão obtida pelo dedão normal do outro pé.
Os sensores também não encontraram pontos de pressão excessivamente altos durante os testes com os dedos artificiais. Os voluntários consideraram confortável o modelo de três partes feito para reproduzir a peça de madeira e couro.
- Os dois voluntários conseguiram caminhar usando as réplicas.
- O modelo de madeira e couro chegou perto de 78% da flexão normal em um participante.
- As medições não indicaram pontos de pressão excessivamente altos.
- O desempenho mudava conforme o uso ou não das sandálias.
Esses resultados não demonstram cada detalhe do uso da peça original, mas reforçam a possibilidade de ela ter ajudado uma pessoa viva a caminhar, além de completar visualmente o pé.

Por que o dedão fazia tanta diferença com uma sandália?
O dedão participa do impulso final do pé quando uma pessoa dá um passo. Nos testes, usar apenas a sandália sem a prótese fez a pressão sob o pé aumentar bastante.
A pesquisa da Universidade de Manchester concluiu que os dedos artificiais tornavam mais confortável a caminhada com aquele tipo de calçado, oferecendo um argumento biomecânico para uma função prática.
| Evidência | O que foi observado | Indicação |
|---|---|---|
| Desgaste Peça original | Marcas compatíveis com uso | Uso possível |
| Marcha Teste com réplicas | Voluntários conseguiram caminhar | Funcional |
| Contexto funerário Encontrada numa múmia | Também poderia ter valor estético ou funerário | Não excluído |
Ela pode mesmo ser chamada de prótese funcional mais antiga?
A combinação entre sinais de desgaste, construção articulada e testes de marcha tornou mais forte a interpretação de uso protético. A peça é datada entre 950 e 710 a.C., vários séculos antes de outros exemplos antigos conhecidos.
O cuidado necessário está no termo “pode”. Os testes foram feitos com réplicas modernas baseadas nos objetos, não com a peça arqueológica no pé de sua antiga dona. Ainda assim, os resultados mostram que aquele dedão de madeira e couro tinha condições reais de ajudar uma pessoa a caminhar.




