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Há mais de 9.000 anos, moradores viviam em uma cidade sem ruas, entravam nas casas pelos telhados e enterravam os mortos sob o piso

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
20/08/2026
Em Entretenimento
As casas formavam uma paisagem urbana muito diferente das cidades atuais

As casas formavam uma paisagem urbana muito diferente das cidades atuais

Há mais de nove milênios, Çatalhöyük cresceu sem abrir ruas entre boa parte de suas casas. As construções ficavam encostadas umas nas outras e o acesso era feito pelo teto. Dentro delas, a vida seguia sobre plataformas de barro enquanto familiares mortos eram enterrados sob o próprio piso.

Como era possível morar em um lugar praticamente sem ruas?

O assentamento ficava na planície de Konya, na atual Turquia. As casas formavam conjuntos muito compactos, muitas vezes com as paredes traseiras encostadas diretamente umas nas outras.

Isso deixava pouco espaço para ruas como as conhecidas hoje. O deslocamento podia acontecer pelos telhados, e aberturas superiores davam acesso ao interior por escadas. O teto fazia parte da circulação diária da comunidade.

Telhados serviam como passagem enquanto o interior das casas também recebia sepultamentos

O que existia dentro dessas casas de barro?

Grande parte das moradias seguia uma organização parecida. Havia um cômodo central para as atividades cotidianas e espaços menores usados para guardar alimentos e objetos.

Plataformas elevadas serviam para dormir e realizar tarefas domésticas. Fornos ocupavam partes específicas da casa. A própria arquitetura de Çatalhöyük mostra como cada espaço era usado repetidamente por gerações.

Uma casa típica reunia:
1
Entrada pelo teto A abertura superior permitia entrar na moradia com o auxílio de uma escada.
2
Cômodo central Grande parte das tarefas domésticas acontecia no espaço principal da casa.
3
Plataformas internas Áreas elevadas eram usadas para dormir e para outras atividades do dia a dia.
4
Áreas de armazenamento Pequenos cômodos laterais ajudavam a guardar alimentos, materiais e utensílios.

Por que os mortos eram enterrados debaixo das casas?

Escavações encontraram sepultamentos sob pisos e plataformas internas. Os corpos podiam ser colocados em posição flexionada em pequenas covas abertas dentro da própria moradia.

O projeto arqueológico de Çatalhöyük registra que pessoas eram enterradas sob o chão das casas, muitas vezes com poucos objetos ou nenhum acompanhamento funerário.

Os achados mostram uma relação direta entre casa e sepultamento:
  • Covas eram abertas sob pisos e plataformas.
  • Os corpos podiam ser colocados em posição bastante dobrada.
  • Algumas casas receberam vários sepultamentos ao longo do tempo.
  • A vida doméstica continuava sobre esses espaços depois dos enterros.

Isso significa que áreas usadas para dormir e trabalhar também podiam guardar os mortos da comunidade. As casas reuniam atividades cotidianas e práticas funerárias no mesmo espaço físico.

A organização do lugar ajuda a entender como comunidades antigas dividiam seus espaços

Leia também: A 336 metros da entrada de uma caverna, neandertais usaram cerca de 400 pedaços de estalagmites e montaram enormes círculos há 176.500 anos

O que significam as 18 camadas encontradas no sítio?

O monte oriental preserva 18 níveis de ocupação neolítica datados aproximadamente entre 7400 e 6200 a.C.. Cada camada registra reformas, demolições e novas construções levantadas sobre estruturas anteriores.

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A ocupação do conjunto arqueológico continuou por mais de 2.000 anos, considerando também fases posteriores. Por isso, o sítio guarda uma longa sequência da transformação de comunidades agrícolas sedentárias na Anatólia.

A cronologia ajuda a entender a dimensão do local:
Parte do sítio Período Registro
Monte oriental Ocupação neolítica 7400 a 6200 a.C. 18 níveis
Monte ocidental Fase posterior 6200 a 5200 a.C. Calcolítico
Conjunto Longa permanência humana Mais de 2.000 anos Várias fases

Por que Çatalhöyük ainda parece tão diferente de uma cidade atual?

Quase tudo que hoje organiza uma rua aparece de outro jeito ali. As casas formavam blocos compactos e seus telhados ajudavam na circulação, enquanto os espaços internos concentravam preparo de comida, descanso e sepultamentos.

As 18 camadas neolíticas mostram que esse modelo foi reconstruído repetidas vezes. O resultado preservado no solo permite acompanhar séculos de mudanças em uma comunidade agrícola que começou a ocupar o lugar há mais de nove mil anos.

💡 Curiosidade Os dois montes arqueológicos de Çatalhöyük chegam a se elevar cerca de 20 metros acima da planície de Konya.
Tags: arqueologiaCidades antigasNeolíticoturquia

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