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Casal paga R$ 48 mil por uma reforma, mas o profissional abandona a obra pela metade e desaparece: é possível contratar outra pessoa e cobrar o prejuízo?

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
19/08/2026
Em Relatos
Contratos, mensagens e comprovantes podem ser importantes para mostrar o abandono

Contratos, mensagens e comprovantes podem ser importantes para mostrar o abandono

Em uma situação fictícia, um casal paga R$ 48 mil por uma reforma, mas o profissional deixa a obra pela metade e para de responder. Quando existe relação de consumo, o CDC oferece alternativas para serviço inadequado ou não cumprido, incluindo reexecução, devolução de valores e possíveis perdas e danos.

Abandonar a reforma pela metade é apenas um atraso?

A situação pode ultrapassar um simples atraso quando o serviço contratado deixa de ser concluído e o imóvel permanece com etapas pendentes. Contrato, orçamento, mensagens e comprovantes ajudam a mostrar exatamente o que deveria ter sido entregue.

O Código de Defesa do Consumidor responsabiliza o fornecedor por vícios que tornem o serviço inadequado ou provoquem diferença entre aquilo que foi contratado e o que efetivamente foi entregue.

Outro profissional pode ser necessário para evitar que a obra fique parada

O casal pode contratar outro profissional para terminar?

O artigo 20 permite ao consumidor escolher a reexecução do serviço sem custo adicional quando ela for cabível. O parágrafo 1º vai além: essa reexecução pode ser confiada a terceiro devidamente capacitado, por conta e risco do fornecedor original.

Isso dá base para que outra pessoa conclua ou refaça o trabalho em determinadas situações. Antes de gastar novamente, porém, documentar o abandono e o estado da obra reduz a discussão sobre quais serviços estavam faltando e quanto custou terminá-los.

O artigo 20 oferece três caminhos principais:
1
Reexecutar o serviço O trabalho pode ser realizado novamente sem custo adicional quando essa solução for cabível.
2
Receber o dinheiro de volta O consumidor pode pedir restituição imediata da quantia paga, atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos.
3
Obter abatimento Se parte do serviço possui utilidade, pode existir a opção de redução proporcional do preço.

Leia também: Supervisor volta das férias, descobre que foi rebaixado e passa a ser humilhado pelos antigos subordinados: empresa terá de pagar R$ 9 mil

O que fazer antes de chamar outra pessoa para a obra?

Fotos e vídeos devem mostrar o estágio em que os trabalhos pararam. Orçamentos, transferências bancárias e conversas também ajudam a provar quanto já havia sido pago e quais etapas estavam incluídas no preço.

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Uma comunicação formal pedindo a conclusão, quando possível, ajuda a registrar que o fornecedor deixou de cumprir o combinado. Se ele permanece desaparecido, novos orçamentos podem demonstrar quanto outro profissional cobrará para terminar ou corrigir a reforma.

É útil guardar:
  • Contrato e orçamento original da reforma.
  • Comprovantes dos R$ 48 mil pagos.
  • Fotos e vídeos da obra no momento do abandono.
  • Mensagens e tentativas de contato com o profissional.
  • Orçamentos para concluir ou corrigir o serviço.

Esses documentos permitem separar o custo normal que já fazia parte da reforma do gasto adicional causado pelo abandono ou por serviços que precisaram ser refeitos.

Os gastos extras podem entrar na discussão sobre o prejuízo causado

E se o profissional simplesmente se recusar a cumprir o combinado?

O artigo 35 do CDC trata da recusa em cumprir uma oferta. Nesse cenário, o consumidor pode exigir o cumprimento forçado, aceitar serviço equivalente ou rescindir o contrato, com restituição do que antecipou e possibilidade de perdas e danos.

A escolha adequada depende do estado da obra. Em uma reforma parcialmente aproveitável, a solução pode ser diferente de outra em que trabalhos precisam ser demolidos e refeitos.

O cenário pode ser organizado desta forma:
Situação Possibilidade Prova importante
Obra incompleta Parte pode ser aproveitada Reexecução ou abatimento Orçamento e vistoria
Fornecedor não retorna Serviço abandonado Terceiro pode reexecutar Tentativas de contato
Prejuízo adicional Gasto causado pelo descumprimento Perdas e danos Comprovantes

Dá para cobrar do primeiro profissional o valor pago ao segundo?

Nessa situação fictícia, há fundamento no CDC para confiar a reexecução a terceiro por conta e risco do fornecedor original. Isso não significa que qualquer gasto escolhido pelo casal será automaticamente reembolsado.

O novo valor precisa estar relacionado à solução do serviço abandonado e ser demonstrável. Fotografar a obra, obter orçamento detalhado e preservar os pagamentos ajuda a ligar o gasto adicional ao descumprimento que deixou a reforma pela metade.

💡 Curiosidade O CDC diz expressamente que a reexecução pode ser confiada a um terceiro devidamente capacitado por conta e risco do fornecedor original.
Tags: consumidorindenizaçãoobra abandonadareforma

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