Em uma situação fictícia, um casal paga R$ 48 mil por uma reforma, mas o profissional deixa a obra pela metade e para de responder. Quando existe relação de consumo, o CDC oferece alternativas para serviço inadequado ou não cumprido, incluindo reexecução, devolução de valores e possíveis perdas e danos.
Abandonar a reforma pela metade é apenas um atraso?
A situação pode ultrapassar um simples atraso quando o serviço contratado deixa de ser concluído e o imóvel permanece com etapas pendentes. Contrato, orçamento, mensagens e comprovantes ajudam a mostrar exatamente o que deveria ter sido entregue.
O Código de Defesa do Consumidor responsabiliza o fornecedor por vícios que tornem o serviço inadequado ou provoquem diferença entre aquilo que foi contratado e o que efetivamente foi entregue.

O casal pode contratar outro profissional para terminar?
O artigo 20 permite ao consumidor escolher a reexecução do serviço sem custo adicional quando ela for cabível. O parágrafo 1º vai além: essa reexecução pode ser confiada a terceiro devidamente capacitado, por conta e risco do fornecedor original.
Isso dá base para que outra pessoa conclua ou refaça o trabalho em determinadas situações. Antes de gastar novamente, porém, documentar o abandono e o estado da obra reduz a discussão sobre quais serviços estavam faltando e quanto custou terminá-los.
O que fazer antes de chamar outra pessoa para a obra?
Fotos e vídeos devem mostrar o estágio em que os trabalhos pararam. Orçamentos, transferências bancárias e conversas também ajudam a provar quanto já havia sido pago e quais etapas estavam incluídas no preço.
Uma comunicação formal pedindo a conclusão, quando possível, ajuda a registrar que o fornecedor deixou de cumprir o combinado. Se ele permanece desaparecido, novos orçamentos podem demonstrar quanto outro profissional cobrará para terminar ou corrigir a reforma.
- Contrato e orçamento original da reforma.
- Comprovantes dos R$ 48 mil pagos.
- Fotos e vídeos da obra no momento do abandono.
- Mensagens e tentativas de contato com o profissional.
- Orçamentos para concluir ou corrigir o serviço.
Esses documentos permitem separar o custo normal que já fazia parte da reforma do gasto adicional causado pelo abandono ou por serviços que precisaram ser refeitos.

E se o profissional simplesmente se recusar a cumprir o combinado?
O artigo 35 do CDC trata da recusa em cumprir uma oferta. Nesse cenário, o consumidor pode exigir o cumprimento forçado, aceitar serviço equivalente ou rescindir o contrato, com restituição do que antecipou e possibilidade de perdas e danos.
A escolha adequada depende do estado da obra. Em uma reforma parcialmente aproveitável, a solução pode ser diferente de outra em que trabalhos precisam ser demolidos e refeitos.
| Situação | Possibilidade | Prova importante |
|---|---|---|
| Obra incompleta Parte pode ser aproveitada | Reexecução ou abatimento | Orçamento e vistoria |
| Fornecedor não retorna Serviço abandonado | Terceiro pode reexecutar | Tentativas de contato |
| Prejuízo adicional Gasto causado pelo descumprimento | Perdas e danos | Comprovantes |
Dá para cobrar do primeiro profissional o valor pago ao segundo?
Nessa situação fictícia, há fundamento no CDC para confiar a reexecução a terceiro por conta e risco do fornecedor original. Isso não significa que qualquer gasto escolhido pelo casal será automaticamente reembolsado.
O novo valor precisa estar relacionado à solução do serviço abandonado e ser demonstrável. Fotografar a obra, obter orçamento detalhado e preservar os pagamentos ajuda a ligar o gasto adicional ao descumprimento que deixou a reforma pela metade.




