Durante décadas, localizar novos desenhos de Nazca exigiu examinar uma área enorme do deserto peruano. Uma equipe da Universidade de Yamagata usou inteligência artificial para indicar onde procurar. Em apenas 6 meses de trabalho de campo, arqueólogos confirmaram 303 novos geoglifos figurativos.
Como a inteligência artificial encontrou algo escondido havia séculos?
Os desenhos não surgiram de repente. Muitos já estavam no solo, desgastados e difíceis de reconhecer em meio a uma paisagem gigantesca. O desafio era saber onde concentrar equipes capazes de verificar cada possível figura pessoalmente.
A Universidade de Yamagata trabalhou com a IBM Research para analisar grande quantidade de imagens geoespaciais. O sistema apontou áreas com maior chance de conter desenhos, transformando uma busca aberta em uma lista de locais prioritários.

O que a equipe realmente encontrou em seis meses?
A inteligência artificial levantou 1.309 candidatos. Os pesquisadores verificaram em campo aproximadamente um quarto deles e confirmaram 303 geoglifos figurativos até então desconhecidos. Segundo a universidade, o uso da tecnologia elevou em 16 vezes o ritmo de descoberta.
O trabalho funcionou em etapas:
Como eram os novos desenhos encontrados em Nazca?
O estudo publicado na PNAS separa os geoglifos figurativos em tipos diferentes. Muitos dos novos achados eram menores e feitos em relevo, removendo ou rearranjando pedras da superfície para formar figuras visíveis a curta distância.
Entre os motivos identificados estavam:
- Figuras humanas.
- Cabeças humanas.
- Animais domesticados.
- Outras cenas ligadas à vida humana.
Esses desenhos menores se diferenciam dos grandes geoglifos lineares, frequentemente associados a animais selvagens. A diferença de tamanho, localização e tema ajudou a equipe a investigar também como cada grupo de figuras poderia ter sido usado.
Por que os desenhos menores mudaram a interpretação do sítio?
Muitos geoglifos pequenos estavam próximos de caminhos antigos. Isso levou os pesquisadores a considerar que poderiam ser vistos por pessoas ou pequenos grupos durante deslocamentos. Já figuras maiores aparecem relacionadas a uma rede mais ampla de linhas e áreas associadas a atividades coletivas.
A comparação ficou mais clara depois das novas descobertas:
| Tipo | Características | Interpretação do estudo |
|---|---|---|
| Relevo Geralmente menor | Muitos temas humanos | Próximo de caminhos |
| Linear Geralmente maior | Predomínio de animais selvagens | Atividades coletivas |
| Novos achados Pesquisa de 2024 | 303 figuras confirmadas | Quase dobrou o total conhecido |
O que essa descoberta mostrou sobre a IA na arqueologia?
A máquina não substituiu a confirmação arqueológica. Ela fez uma tarefa diferente: reduziu a quantidade de terreno que precisava ser examinada às cegas. Cada candidato continuou dependendo de trabalho de campo, documentação e análise humana antes de ser aceito como novo geoglifo.
Esse detalhe explica o salto de velocidade em Nazca. A inteligência artificial serviu como filtro para uma região enorme. A UNESCO informa que o conjunto de linhas e geoglifos se espalha por uma extensa planície costeira, tornando a escolha dos pontos de busca parte central do problema.



