Tell es-Sultan, junto à atual Jericó, guarda vestígios humanos que chegam a cerca de 10.500 a.C. Entre o 9º e o 8º milênio a.C., a Jericó neolítica já tinha uma comunidade permanente associada a uma muralha, um fosso e uma torre monumental.
Onde ficava essa comunidade e por que as pessoas permaneceram ali?
Tell es-Sultan fica no vale do Jordão, a noroeste da Jericó atual. O lugar é um tell, monte formado pelo acúmulo de construções, ruínas e novas ocupações erguidas umas sobre as outras durante milhares de anos.
Um ponto decisivo era a fonte perene de ‘Ain es-Sultan. A descrição oficial de Tell es-Sultan destaca que essa água abasteceu moradores da área por milênios. Ter uma fonte constante ajudava uma comunidade a permanecer no mesmo lugar.

Que construções já existiam na Jericó neolítica?
As obras preservadas mostram que os moradores não estavam apenas levantando pequenas casas isoladas. Havia construções que exigiam planejamento e trabalho feito por muitas pessoas.
Os principais elementos preservados ajudam a mostrar essa mudança:
O que essas obras revelam sobre quem vivia ali?
Elas mostram uma comunidade capaz de organizar pessoas para tarefas que iam além da construção de uma única casa. A UNESCO usa justamente essas estruturas como evidência da passagem para uma vida sedentária e coletiva.
Alguns pontos ajudam a entender o tamanho dessa mudança:
- Trabalho coletivo: obras monumentais exigiam várias pessoas trabalhando para um objetivo comum.
- Planejamento: muralha, fosso e torre precisavam ser pensados antes de serem construídos.
- Vida sedentária: morar de forma permanente mudou a relação das pessoas com comida, água e território.
- Organização social: estruturas compartilhadas indicam decisões que envolviam boa parte da comunidade.
Essa Jericó já era uma cidade como as que surgiriam depois?
O assentamento neolítico era grande e permanente para seu período, mas as camadas posteriores mostram outro nível de vida urbana. A própria sequência arqueológica permite acompanhar essa transformação no mesmo lugar.
A decisão de inscrição do sítio pela UNESCO separa as obras neolíticas do urbanismo que aparece nas fases da Idade do Bronze.
Por que Tell es-Sultan é tão importante para a história das cidades?
Porque o sítio registra uma longa transformação entre acampamentos antigos, comunidades sedentárias e formas posteriores de vida urbana. A documentação da UNESCO identifica 29 fases de ocupação preservadas no monte arqueológico.
O verbete sobre Jericó ajuda a situar essas fases na história mais ampla da região. Muito antes de ruas, palácios e escrita, já havia gente erguendo obras que só faziam sentido quando uma comunidade inteira decidia permanecer.




