Por volta de 1320 a.C., um navio desapareceu perto da atual costa da Turquia com uma carga que atravessava boa parte do mundo conhecido. O naufrágio de Uluburun preservou cerca de 10 toneladas de cobre, perto de 1 tonelada de estanho e materiais vindos de regiões muito distantes.
Onde e quando o navio de Uluburun afundou?
O navio afundou perto de Kaş, no sul da Turquia, no final do século XIV a.C. O local foi identificado em 1982 depois que um mergulhador de esponjas percebeu lingotes metálicos no fundo do Mediterrâneo.
O projeto de escavação do Institute of Nautical Archaeology registra 11 temporadas de trabalho entre 1984 e 1994 e mais de 22 mil mergulhos. Parte do casco mostrou ainda que a embarcação foi construída com cedro-do-líbano e encaixes de madeira presos por cavilhas.

O que havia dentro do carregamento do navio?
Os metais eram a parte mais pesada, mas estavam longe de ser os únicos produtos transportados. O conjunto reunia matéria-prima, comida, objetos pessoais e artigos destinados a pessoas muito ricas.
Os principais grupos encontrados foram:
De quantos lugares diferentes vinham esses objetos?
A carga reuniu produtos associados a diferentes regiões do Mediterrâneo oriental e áreas ainda mais distantes. Isso não significa que o navio tenha visitado pessoalmente cada local: mercadorias podiam trocar de mãos várias vezes antes do embarque.
As principais pistas incluem:
- Chipre: grande parte do cobre é ligada às fontes da ilha.
- Levante: cerâmicas, resina e características da tripulação apontam para a costa sírio-cananeia.
- Egito: objetos incluem um escaravelho de ouro com o nome de Nefertiti.
- Egeu: peças e objetos pessoais indicam contato com o mundo micênico.
- Regiões mais distantes: marfim, vidro e outros materiais mostram conexões que iam muito além de um único porto.
Um estudo sobre o estanho do naufrágio publicado na Science Advances também analisou a origem do metal para reconstruir essas rotas de longa distância.
O que a carga prova sobre o comércio da Idade do Bronze?
Ela confirma que grandes volumes de matéria-prima e produtos caros circulavam por mar. O que continua aberto é quem controlava exatamente aquela viagem e qual seria o destino final da carga.
As evidências ficam mais claras quando são separadas pelo nível de certeza:
Por que Uluburun virou uma referência para estudar a Idade do Bronze?
O naufrágio preservou no mesmo lugar materiais que normalmente aparecem separados em sítios de vários países. Por isso, arqueólogos conseguem comparar metais, cerâmica, comida, ferramentas, objetos de luxo e partes do próprio navio como peças de uma mesma viagem.
O verbete sobre o naufrágio de Uluburun reúne o contexto histórico da descoberta. No fundo do Mediterrâneo, uma carga perdida congelou uma rede comercial inteira em uma única noite.




