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Um navio afundado há mais de 3.300 anos carregava 10 toneladas de cobre, quase 1 tonelada de estanho, ouro, marfim, vidro e alimentos de vários lugares

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
14/08/2026
Em Entretenimento
O carregamento reúne pistas de uma rede marítima muito maior que o próprio navio

O carregamento reúne pistas de uma rede marítima muito maior que o próprio navio

Por volta de 1320 a.C., um navio desapareceu perto da atual costa da Turquia com uma carga que atravessava boa parte do mundo conhecido. O naufrágio de Uluburun preservou cerca de 10 toneladas de cobre, perto de 1 tonelada de estanho e materiais vindos de regiões muito distantes.

Onde e quando o navio de Uluburun afundou?

O navio afundou perto de Kaş, no sul da Turquia, no final do século XIV a.C. O local foi identificado em 1982 depois que um mergulhador de esponjas percebeu lingotes metálicos no fundo do Mediterrâneo.

O projeto de escavação do Institute of Nautical Archaeology registra 11 temporadas de trabalho entre 1984 e 1994 e mais de 22 mil mergulhos. Parte do casco mostrou ainda que a embarcação foi construída com cedro-do-líbano e encaixes de madeira presos por cavilhas.

Cada objeto perdido no fundo do mar ajuda a ligar portos e culturas distantes

O que havia dentro do carregamento do navio?

Os metais eram a parte mais pesada, mas estavam longe de ser os únicos produtos transportados. O conjunto reunia matéria-prima, comida, objetos pessoais e artigos destinados a pessoas muito ricas.

Os principais grupos encontrados foram:

1
Cobre e estanho Os dois metais viajavam em uma proporção próxima da usada para fabricar bronze.
2
Ouro e pedras Joias de ouro apareciam junto de cornalina, ágata e outros materiais valiosos.
3
Vidro e marfim Lingotes de vidro, presas de elefante e recipientes de marfim viajavam como matéria-prima ou luxo.
4
Comida e resina Vasilhas guardavam alimentos e grandes quantidades de resina de terebinto.

De quantos lugares diferentes vinham esses objetos?

A carga reuniu produtos associados a diferentes regiões do Mediterrâneo oriental e áreas ainda mais distantes. Isso não significa que o navio tenha visitado pessoalmente cada local: mercadorias podiam trocar de mãos várias vezes antes do embarque.

As principais pistas incluem:

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  • Chipre: grande parte do cobre é ligada às fontes da ilha.
  • Levante: cerâmicas, resina e características da tripulação apontam para a costa sírio-cananeia.
  • Egito: objetos incluem um escaravelho de ouro com o nome de Nefertiti.
  • Egeu: peças e objetos pessoais indicam contato com o mundo micênico.
  • Regiões mais distantes: marfim, vidro e outros materiais mostram conexões que iam muito além de um único porto.

Um estudo sobre o estanho do naufrágio publicado na Science Advances também analisou a origem do metal para reconstruir essas rotas de longa distância.

Leia também: Uma tempestade solar ocorrida há mais de 1.000 anos deixou uma marca nas árvores e permitiu descobrir o ano exato em que vikings estavam na América

O que a carga prova sobre o comércio da Idade do Bronze?

Ela confirma que grandes volumes de matéria-prima e produtos caros circulavam por mar. O que continua aberto é quem controlava exatamente aquela viagem e qual seria o destino final da carga.

As evidências ficam mais claras quando são separadas pelo nível de certeza:

Confirmado
Comércio de metais em grande escala O peso dos lingotes mostra que toneladas de cobre e estanho viajavam juntas pelo mar.
Confirmado
Produtos de muitas origens A composição da carga liga o navio a diferentes áreas do Mediterrâneo e além dele.
Provável
Viagem para uma elite O luxo da carga aponta para clientes ricos, palácios ou trocas entre grupos de alto status.
Em debate
Destino final do navio Rotas para o Egeu são propostas, mas o porto exato de chegada não foi preservado.

Por que Uluburun virou uma referência para estudar a Idade do Bronze?

O naufrágio preservou no mesmo lugar materiais que normalmente aparecem separados em sítios de vários países. Por isso, arqueólogos conseguem comparar metais, cerâmica, comida, ferramentas, objetos de luxo e partes do próprio navio como peças de uma mesma viagem.

O verbete sobre o naufrágio de Uluburun reúne o contexto histórico da descoberta. No fundo do Mediterrâneo, uma carga perdida congelou uma rede comercial inteira em uma única noite.

Tags: arqueologia navalcomércio antigoIdade do Bronzemediterrâneo

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