“Inclusão sem permanência não se sustenta”, afirma o novo reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Alessandro Fernandes Moreira, sobre a necessidade de fortalecer as políticas de permanência estudantil e o acolhimento de discentes na instituição. A afirmação foi feita na cerimônia de posse, no auditório da reitoria, no campus Pampulha. Ele ficará no cargo entre até 2030.
“Os projetos que impulsionamos perpassam por essa ideia de cuidado. A atenção de forma inovadora, e essa inovação é uma pauta forte da nossa gestão”, diz. “O cuidado se traduz nas questões das ações afirmativas que cada vez mais consolidamos”, afirma Moreira.
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Alessandro foi o vice-reitor na gestão passada (2022-2026) e na anterior (2018-2022), comandadas pela professora Sandra Goulart Almeida. Ele também foi diretor da Escola de Engenharia da UFMG (2014-2018) e vice-diretor da mesma unidade (2010-2014). É professor titular do Departamento de Engenharia Elétrica da UFMG, onde ingressou em 1993.
O professor comanda a instituição pelo próximo quadriênio com a professora titular do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da UFMG, Alamanda Kfoury. A docente destaca o papel do cuidado exercido pelos profissionais da saúde e como isso vai basear as propostas de acolhimento no decorrer do mandato.
“Nós temos muita expectativa de que possamos ampliar políticas de inclusão, para que a UFMG seja um bom lugar para se trabalhar e estudar. Temos uma relação saudável com as pessoas daqui de dentro da comunidade acadêmica”, diz. “Vamos juntos construir um projeto para uma UFMG acolhedora e que continue a ser uma das instituições de ensino superior mais respeitadas do país”, afirma.
Alamanda Kfoury se graduou em medicina pela UFMG em (1986). O ingresso como docente veio em 1994, no posto de lecionadora substituta. Desde 2020, é professora permanente do Programa de Pós-graduação em Saúde da Mulher, e suas atividades de pesquisa e extensão estão vinculadas ao Centro de Medicina Fetal do Hospital das Clínicas (HC/UFMG).
A professora destacou a participação dela como diretora da Faculdade de Medicina e como a gestão dela foi responsável por quebrar paradigmas sociais, com o exercício da primeira dupla diretiva feminina da instituição centenária. Alamanda demonstrou euforia com essa nova responsabilidade.
“Eu recebi com muita alegria, o convite para compor um reitorado que vai conduzir os rumos da universidade”, diz. “Estamos muito animados em levar esse projeto à frente com o apoio de toda a comunidade da UFMG”, finaliza a docente.
Sandra Goulart se despede
A ex-reitora da UFMG, Sandra Regina Goulart Almeida, se despede neste mês de março após 8 anos como administradora da universidade. O primeiro período como reitora foi entre 2018-2022 e o segundo, de 2022 a 2026.
“É um momento muito especial para mim, marca o final de um ciclo, que foi longo, 8 anos de reitoria, que tiveram momentos muito importantes e desafiadores”, diz. “Foi uma honra enorme estar à frente da UFMG nesse período”, afirma Sandra.
As adversidades enfrentadas foram os pontos mais marcantes levantados pela ex-reitora no decorrer do mandato. “Eu posso dizer, talvez tenha sido um dos momentos mais difíceis da história da universidade. Além da questão orçamentária, várias outras questões se apresentaram”, diz. “Então eu me sinto feliz. Claro que pensamos que poderíamos ter feito algo mais, mas eu sinto que consegui fechar um ciclo”, afirma a ex-reitora.
O sentimento de orgulho com o término do período se une à confiança com a nova gestão.
“Alessandro esteve comigo nos 8 anos de reitoria, e sempre se mostrou presente e solícito. Trabalhamos juntos pela universidade”, diz. “Tenho certeza absoluta que eles farão uma gestão de sucesso. Eu sei que eles terão muito sucesso no decorrer deste período”, garante Sandra.
A agora ex-reitora da instituição é formada em Letras pela UFMG, com mestrado e doutorado pela universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill e pós-doutorado pela universidade de Columbia, em Nova York. Ela é docente do departamento de Letras da UFMG, foi diretora de relações internacionais e vice-reitora da instituição.
Processo de eleição
O pleito pela escolha da chapa UFMG Acolhedora de Alessandro e Alamanda se deu em outubro de 2025, em um processo simbólico. A eleição tinha chapa única. Alunos, professores e servidores podiam votar.
De acordo com a UFMG, 50.637 pessoas estavam aptas a votar: 3.092 docentes, 3.934 técnico-administrativos em educação e 43.611 discentes. A universidade utilizou um sistema de pesos diferentes entre os eleitores, em que os professores tinham um voto com peso 70, enquanto alunos e funcionários tinham peso 15 cada.
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O resultado da votação foi enviado ao Colégio Eleitoral, formado pelos membros do Conselho Universitário, do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) e do Conselho de Curadores. Esse colegiado elaborou uma lista tríplice de nomes de professores que foi levada ao presidente Lula. A nomeação dos docentes foi publicada no Diário Oficial da União em 22 de janeiro. Alamanda Kfoury encabeçou a lista tríplice para o cargo de vice-reitor.
