Caroline Jardim - Especial para o Estado de Minas

Um movimento consistente tem demonstrado que a inteligência artificial se expandiu para além das equipes de tecnologia de empresas em 2026. Hoje, a IA tem deixado de  ser uma responsabilidade concentrada exclusivamente nas áreas de Tecnologia da Informação (TI) e passado a integrar a rotina de diferentes departamentos. 

Para que essa realidade de fato funcione, ganham espaço nas corporações, estruturas dedicadas ao chamado AI Enablement. “Trata-se de estruturas que capacitam colaboradores de diferentes áreas a criar e operar agentes de IA autônomos e pró-ativos em seus próprios fluxos de trabalho, definindo padrões de uso, selecionando ferramentas e promovendo capacitação — enquanto as equipes de tecnologia mantém o foco em infraestrutura, segurança e governança”, explica Lucas Machado, diretor de Tecnologia e sócio da agência de gestão de viagens e despesas corporativas digital VOLL, que inaugurou este ano uma área exclusiva de AI Enablement.

A mudança acompanha uma tendência observada em estudos recentes de mercado. Segundo o Microsoft Work Trend Index 2026, o avanço da inteligência artificial está exigindo uma reorganização da forma como o trabalho é estruturado nas organizações. A pesquisa aponta que apenas 26% dos profissionais percebem uma estratégia de IA claramente alinhada entre as lideranças, indicando a necessidade de estruturas dedicadas para coordenar essa transformação.

Na mesma direção, um levantamento global da Deloitte, realizado com 3.235 líderes empresariais e de tecnologia em 24 países, mostra que a adoção de agentes de IA avança em ritmo mais acelerado do que a implementação de mecanismos de controle. Embora quase três quartos das organizações planejem ampliar o uso da tecnologia nos próximos dois anos, apenas 21% afirmam possuir um modelo maduro de governança para agentes autônomos.

No caso da VOLL, o objetivo de estruturar formalmente a nova área, é apoiar colaboradores de diferentes setores na criação de soluções com inteligência artificial, enquanto a equipe de Tecnologia permanece responsável pela infraestrutura, segurança e governança da plataforma. 

Agentes de IA ganham espaço na rotina dos funcionários

IA é solução interna Segundo o diretor de Tecnologia da VOLL todos os mais de 600 colaboradores da empresa, distribuídos em 19 estados, têm acesso a ferramentas de IA e, atualmente, 72% utilizam agentes desenvolvidos internamente. A iniciativa faz parte de uma estratégia voltada à democratização do uso da tecnologia em toda a organização.

"Disponibilizamos IA para todos os colaboradores e criamos um ambiente para que qualquer pessoa consiga utilizar essa tecnologia para resolver desafios do dia a dia, sempre com segurança e acompanhamento técnico", afirma.

Na prática, em vez de direcionar todas as demandas para a equipe de Tecnologia, os próprios colaboradores identificam oportunidades de automação em suas rotinas e desenvolvem agentes de inteligência artificial com o suporte da área de AI Enablement. Até o momento, já foram criados 65 agentes internos.

Para Machado, essa transformação tende a reduzir estruturas excessivamente verticalizadas e diminuir o volume de atividades operacionais repetitivas “Essa realidade permite  que as equipes concentrem seus esforços em atividades de maior valor agregado, como análise, atendimento e tomada de decisão", conclui.

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