INOVAÇÃO DIGITAL

Startups voltadas para indústria querem ganhar escala, diz Deloitte e Fiemg

Levantamento identifica 377 startups voltadas à indústria no país e evidencia maturidade tecnológica e ecossistema com geração de valor comprovada

Publicidade
Carregando...

Caroline Jardim - Especial para o Estado de Minas

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

O ecossistema de indtechs – startups e empresas de tecnologia desenvolvidas especificamente para o setor industrial – vem ampliando sua presença e relevância no Brasil, com soluções cada vez mais sofisticadas e orientadas a ganhos operacionais, conforme revela a pesquisa “Inovação digital na indústria: panorama das indtechs, gargalos e caminhos para a transformação”, realizada pela Deloitte e pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

Ao analisar as soluções desenvolvidas e os setores econômicos atendidos por 377 indtechs, o estudo identificou oportunidades de expansão de negócios para áreas pouco exploradas, sobretudo governança ESG e soluções integradas para setores de alto risco operacional, e estratégicas para indústrias dos setores que mais se relacionam com essas startups.

A distribuição geográfica das indtechs mapeadas acompanha a estrutura industrial do país. O Sudeste, especialmente no eixo São Paulo-Minas Gerais, concentra mais de 60% do total das empresas mapeadas, sendo 33,7% em São Paulo e 27,6% em Minas Gerais. Em seguida, os estados com presença das startups mapeadas são Santa Catarina, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Pernambuco, Bahia e Goiás, confirmando a presença do ecossistema em polos industriais. Essas startups possuem atuação nos setores de Mineração, Automotivo, Alimentos e Bebidas, Agroindústria, Logística, Energia, Celulose e papel, Petróleo e gás, Construção e Engenharia. Além disso, o mapeamento inclui indtechs de diversos portes e níveis de receita.

As principais soluções oferecidas estão relacionadas à produtividade, eficiência operacional e estabilidade de processos industriais. A Gestão da Produção é a mais recorrente, sendo ofertada por 32,4% das indtechs, seguida por Sustentabilidade e Meio Ambiente, por 23,1%. Soluções de Logística e Supply Chain, assim como de Manutenção e Gestão de Ativos, foram identificadas, cada uma delas, em 16,2% das startups. As áreas com menor atuação das startups são Trabalho, Saúde e Segurança (11,1%) e Governança ESG (1,9%), o que constitui uma oportunidade de novos negócios e fortalecimento do ecossistema, uma vez que os segmentos mais atendidos pelas startups são mineração (53,4%), automotivo (35,2%) e alimentos e bebidas (33,6%) e que o contexto é de crescentes demandas regulatórias.


A pesquisa mostra que o ecossistema já passou pela fase inicial de experimentação e tem aderência às demandas industriais: 68% das empresas mapeadas alcançaram contratos comerciais com indústrias. “Esse dado demonstra que as soluções desenvolvidas estão sendo efetivamente incorporadas nas operações industriais, gerando valor concreto e uma integração cada vez mais fluida entre inovação e produção. Também evidencia que a confiança entre indtechs e indústria se fortalece e cria uma base para expansão dos negócios, ampliação de parcerias e desenvolvimento contínuo de soluções mais sofisticadas”, analisa Rafael Ferrari, sócio de Strategy & Business Design e líder de Soluções de Inovação da Deloitte.


Além dos contratos comerciais consolidados, a interação entre indtechs e indústrias se concentra principalmente em formatos tradicionais: 71% das empresas já possuem provas de conceito (PoCs) e 52% desenvolveram projetos-piloto para indústrias. Modelos de relacionamento mais avançado, como codesenvolvimento, programas de aceleração e investimento, são menos frequentes, mas já despontam para consolidar uma interação mais madura entre indústria e startups.


A pesquisa também evidencia a alta adesão aos hubs de inovação, com 75% das empresas mapeadas integrando esses ambientes. O resultado sugere que as indtechs reconhecem o papel dos hubs como estruturas estratégicas para conexão, validação e geração de negócios, funcionando como catalisadores para realização de pilotos e PoCs, acesso a decisores corporativos e aumento de visibilidade junto a empresas e investidores.


Nesse sentido, os hubs podem contribuir para vencer os principais desafios levantados na pesquisa: o acesso às grandes indústrias (58%), fomento e incentivo (51%), ambientes de teste – testbeds (48%) e mentorias/conexões (40%). Um dos principais gargalos está na transição entre a validação técnica e a escala comercial das soluções trazidas. Fatores como ciclos de decisão prolongados nas indústrias, com múltiplos níveis de aprovação, integração com sistemas legados e concentração de capital em estágios iniciais impactam no ritmo de crescimento.


“O que observamos no ecossistema brasileiro de indtechs não é uma limitação tecnológica. As soluções existem, são competitivas e estão alinhadas com o que há de mais avançado globalmente. O desafio está em construir um ambiente em que essas soluções possam se desenvolver mais rapidamente e escalar. Há espaço para evoluir em direção a parcerias mais estruturadas, que favoreçam a integração de soluções e ampliem seu alcance”, explica Rafael Ferrari.


Modelos de negócio e de investimento refletem foco em eficiência e retorno tangível


Com 45% das indtechs ainda bootstrapped, ou seja, financiadas com recursos próprios dos fundadores, o ecossistema demonstra uma forte cultura empreendedora, mas também evidencia os desafios de escalar sem capital externo.


As rodadas iniciais concentram a maior parte das empresas. O estágio Pre-Seed, voltado à transformação da ideia em um produto mínimo viável (MVP), representa 15%, enquanto o Seed, direcionado à validação do product-market fit, à estruturação da aquisição de clientes e à organização das métricas comerciais, responde por 10%. Juntas, essas fases somam 25% do total. Em contraste, a Série A, que marca o momento de escalar o que já foi validado, aparece de forma residual, com apenas 3%, evidenciando um funil bastante estreito rumo a estágios mais avançados.


A dificuldade de captação de recursos reforça esse cenário. Do total, uma parcela equivalente (45%) se financia com capital próprio, enquanto 15% recorrem a investidores-anjo para tirar a solução do papel. Outras 10% utilizam capital semente, principalmente para aquisição de clientes ou entrada no mercado, e 27% acessam outras fontes de financiamento. Apenas 3% chegam à Série A, com rodadas entre US$ 5 milhões e US$ 15 milhões voltadas à expansão do negócio. Mais de 80% dos aportes realizados nessas empresas são inferiores a R$ 1 milhão.


“Esse padrão mostra um ecossistema ainda jovem, com capital concentrado nas etapas de maior risco e validação inicial. Aportes mais robustos tendem a vir quando já há maturidade de produto, tração comercial comprovada e redução de riscos, o que reforça a importância de mecanismos capazes de acelerar essa transição”, afirma Junia Cerceau, gerente do Fiemg Anjos.


As prioridades tecnológicas incluem Indústria 4.0 & IoT (54% das startups), Automação & Controle (35%), Qualidade e Controle de Processos (33%). Eficiência Energética (23%) também ganha destaque, tendo em vista a busca por redução de custos e maior sustentabilidade operacional. As soluções mais citadas são as com retorno de investimento mensurável e conectado ao fluxo produtivo.


O modelo de negócio predominante entre as IndTechs é o SaaS (Software as a Service), adotado por 58% das empresas, o que evidencia uma estratégia voltada à recorrência de receita, escalabilidade e retenção de clientes. Outros formatos, como customização, venda direta de produtos e de serviços, consultoria e HaaS, também estão presentes, compondo um portfólio diversificado.


Os investidores-anjo aparecem como principal fonte externa de capital, presentes em 47% das startups. Fundos de venture capital participam em 41%, enquanto CVCs, private equity e family offices ainda têm atuação mais tímida.


Tendências incluem sustentabilidade, dados e segurança operacional


Por meio da análise integrada das soluções desenvolvidas e dos padrões de uso e de interesse, a pesquisa também identifica as principais frentes tecnológicas com potencial para desenvolvimento do ecossistema nos próximos anos. A sustentabilidade e práticas ESG passam a ocupar posição relevante nas operações. Também há potencial para soluções relativas à saúde, segurança e meio ambiente (SSMA), como monitoramento de riscos operacionais, gestão de segurança do trabalho, compliance regulatório e auditoria em tempo real.


“Antes relacionados apenas ao âmbito da conformidade normativa, a segurança operacional e o SSMA consolidam-se agora como um pilar de inovação estratégica. As indtechs que combinarem a eficiência operacional com rastreabilidade, gestão de riscos e compliance tendem a trazer soluções mais completas para a captura de valor e fortalecimento do ecossistema”, conclui o sócio da Deloitte.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia


Perfil das indtechs e metodologia


O estudo foi realizado com abordagem predominantemente qualitativa, combinando dados estruturados de base proprietária da Fiemg, composta por startups que integram o ecossistema Fiemg Lab, e dados autorrelatados coletados por formulário digital. A pesquisa digital complementar foi realizada com startups, empresas industriais e demais atores do ecossistema e divulgada por meio de canais institucionais da FIEMG e ativações junto à rede de parceiros.

Tópicos relacionados:

industria inovacao startup

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay