CRESCIMENTO

Gestora mineira avança em meio à expansão global das startups jurídicas

Venture building de legaltechs, Aleve encerrou 2025 com portfólio de R$ 180 milhões, inaugura ciclo de liquidez e projeta novas vendas de participação em 2026

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Caroline Jardim - Especial para o Estado de Minas

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A Aleve LegalTech Ventures, gestora especializada em Venture Building de legaltechs (startups da área jurídica), encerrou 2025 com um crescimento de 80% no valor de mercado de suas startups investidas, que saltou de R$100 milhões em 2024 para R$180 milhões. A venda da startup Cria.AI também marcou o início do ciclo de liquidez da Aleve, que hoje reúne 11 startups e projeta para 2026 a ampliação do portfólio para até 20 legaltechs, além de novas vendas de participação.

O desempenho da gestora reflete um movimento global de expansão do mercado de legaltechs, que vive um ciclo acelerado de crescimento. Segundo a consultoria Future Market Insights, o setor deve alcançar US$ 68 bilhões até 2034, com crescimento médio anual de 8,7%. Dentro desse universo, as legaltechs que incorporam inteligência artificial despontam como o principal vetor de expansão: de acordo com a The Business Research Company, esse segmento deve movimentar US$ 2,82 bilhões em 2025 e chegar a US$ 8,41 bilhões em 2029, com crescimento médio anual de 31%.

Para a CEO da Aleve, Priscila de Oliveira Spadinger, 2025 marcou o início efetivo do ciclo de liquidez para investidores, inaugurado com a venda da participação na Cria.AI. A startup, especializada em soluções de inteligência artificial para a redação de documentos jurídicos, recebeu um novo investimento da Preâmbulo Tech, líder em tecnologia para o mercado jurídico brasileiro, que adquiriu a participação da Aleve. Os recursos são destinados ao aprimoramento da plataforma e à aceleração da escala operacional, com expectativa de que a empresa alcance valuation de R$ 50 milhões em 2026. 

Entre os principais marcos do ano, a executiva também destaca a captação de R$ 3,8 milhões pela RevisaPrev, startup referência nacional em inovação previdenciária, e os R$ 3,1 milhões levantados pela GRTS Digital, especializada na automação de convenções coletivas de trabalho e que já atende empresas como Unilever, McDonald’s, Burger King, C&A e Grupo Boticário. Outro avanço relevante foi o da Dynadok, startup de validação documental por inteligência artificial, que entrou no ranking 100 Open Startups, entre as empresas mais promissoras do ecossistema de inovação.

Para 2026, a Aleve aposta em uma estratégia de ampliação da liquidez, com a expectativa de realizar ao menos três cashouts ao longo dos próximos 12 meses, elevando o retorno aos investidores e reforçando a sustentabilidade de sua plataforma de Venture Building. “Estamos prontos para liderar o próximo ciclo de transformação do mercado jurídico no Brasil, unindo tecnologia, governança e impacto econômico”, afirma Priscila.

Onde o mercado jurídico mais cresce

A inteligência artificial e a automação despontam como um dos principais motores de crescimento do mercado global de legaltechs. Segundo a consultoria Future Market Insights, áreas como gestão de contratos, compliance e pesquisa jurídica estão entre as mais impactadas pela adoção de novas tecnologias. Outros vetores relevantes incluem segurança de dados e descentralização, com soluções baseadas em blockchain, a expansão de plataformas em nuvem voltadas para escritórios de médio e pequeno porte e o aumento da complexidade regulatória, que vem impulsionando o surgimento e a consolidação das chamadas compliance techs.

É nesse contexto que a Aleve LegalTech Ventures direciona sua estratégia de investimento. A gestora atua exclusivamente com legaltechs e mantém hoje um portfólio composto por 11 startups: Assembleias Virtuais, Cria.AI, Dynadok, ForeLegal, JusMapp, GRTS Digital, IPPBlock, JusHub, NAI-IT, RevisaPrev e Trustt Digital, com soluções que endereçam exatamente os segmentos de maior crescimento do setor, como automação jurídica, governança digital, inteligência artificial aplicada ao Direito e infraestrutura tecnológica para compliance.

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“Somos a única venture builder brasileira dedicada exclusivamente a legaltechs. O mercado jurídico tem especificidades muito próprias, como regulação rígida, restrições à publicidade, ciclos longos de adoção e uma forte dependência de credibilidade institucional. Essa complexidade exige uma abordagem especializada, que é justamente o nosso diferencial”, afirma Priscila.

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