URBANISMO

Tendência em loteamentos: cidades mais inteligentes e sustentáveis

Uso de tecnologias tem transformado o planejamento urbano e reduzido riscos nos empreendimentos

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Caroline Jardim - Especial para o Estado de Minas

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O mercado de loteamentos tem atravessado um processo de transformação impulsionado pelo avanço tecnológico. Ferramentas de inteligência artificial, modelagem digital e monitoramento em tempo real começam a alterar desde a escolha das áreas até a comercialização dos empreendimentos, com impactos diretos em custos, prazos e sustentabilidade.

Para Gustavo Amorim, presidente da Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano de Minas Gerais (Aelo-MG), a incorporação de novas tecnologias tem apontado para tendências. “O mercado de loteamentos tem se adaptado e incorporado inovações tecnológicas. Acredito que as mudanças estarão centradas principalmente no uso de inteligência artificial (IA), que devem possibilitar, por exemplo, análises preditivas do comportamento do mercado e das necessidades dos consumidores”, afirma.

Segundo ele, a aplicação de IA pode contribuir para decisões mais precisas sobre localização, perfil de público e ritmo de vendas. A tecnologia também pode auxiliar o poder público e a iniciativa privada na otimização do uso do solo em grandes centros urbanos, reduzindo riscos de sobrecarga da infraestrutura.

Outra frente de inovação está na experiência do comprador. “O uso de realidade aumentada (RA) e realidade virtual (RV) deve se expandir para o planejamento dos terrenos, oferecendo uma experiência imersiva para os compradores, o que permitirá a visualização de projetos antes mesmo de sua execução”, diz o presidente da Aelo-MG

Além da inovação comercial e operacional, a tecnologia também se consolida como aliada da agenda ambiental. De acordo com o presidente da entidade, a modelagem da informação da construção (BIM) permite mapear impactos ambientais em cada fase do empreendimento. “O uso de tecnologias como modelagem da informação da construção (BIM) permite uma análise detalhada dos impactos ambientais de cada etapa do processo, o que facilita a escolha de materiais mais sustentáveis e a implementação de soluções ecoeficientes, como a reutilização de água, o uso de energia solar e a adoção de técnicas de drenagem sustentável”, afirma.

Sensores e sistemas de monitoramento em tempo real também ajudam na gestão de recursos naturais durante as obras, reduzindo desperdícios de água e energia. Para o dirigente, a tecnologia “facilita a integração de práticas de urbanismo sustentável, como a criação de áreas verdes e o uso de sistemas de transporte e infraestrutura mais eficientes”.

Gustavo Amorim, presidente da Aelo-MG
Gustavo Amorim, presidente da Aelo-MG Thais Sheliden

Olhar internacional e planejamento urbano

O vice-presidente de loteamentos do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), diretor de loteamentos do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais (Secovi-MG) e CEO da Terrah Urbanismo e YVAZ INC, Flávio Guerra, destaca que experiências internacionais que indicam caminhos possíveis para o Brasil. Ele cita o caso da cidade chinesa de Hangzhou, onde sistemas de “cérebro urbano” baseados em inteligência artificial monitoram trânsito, poluição e emergências em tempo real. “O investimento é colossal: apenas a modernização de infraestrutura básica deve custar 4 trilhões de yuans (cerca de US$ 560 bilhões) nos próximos cinco anos”, afirma.

Na avaliação dele, as inovações chinesas oferecem pistas importantes. A pré-fabricação pode reduzir custos e aumentar a previsibilidade dos empreendimentos. O uso ampliado de materiais sustentáveis contribui para metas de descarbonização. Mas, segundo ele, o principal desafio é o planejamento integrado. “Um planejamento urbano de escala metropolitana permitiria que o Brasil se afastasse do modelo fragmentado que temos de boas habitações, construindo cidades mais harmônicas”, diz.

Ele acrescenta que o setor imobiliário precisa incorporar o urbanismo como parte da estratégia de negócio. “O futuro dos empreendimentos imobiliários está na capacidade de criar valor duradouro para as pessoas e para a cidade. Para isso, o setor privado deve entender o urbanismo como estratégia, e não apenas como um requisito regulatório. Afinal, projetos que pensam a cidade aumentam sua própria resiliência: atraem moradores e negócios, reduzem a vacância e tornam o ativo menos vulnerável a ciclos econômicos.”

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Combinando inovação digital, eficiência operacional e planejamento urbano, o mercado de loteamentos sinaliza uma mudança de paradigma: sair da lógica de expansão isolada para adotar soluções integradas, capazes de responder às demandas ambientais, econômicas e sociais das cidades contemporâneas.

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