BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A capacidade de pagamento de empresas e famílias continua desafiadora, trazendo mais riscos ao sistema financeiro nacional, segundo relatório divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira (27).
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Segundo a autoridade monetária, os ativos considerados problemáticos cresceram no crédito às famílias e atingiram o maior nível desde 2012. Enquadram-se nessa categoria as operações de crédito em atraso há mais de 90 dias e outras operações com indícios de que não serão integralmente honradas.
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De acordo com o BC, a inadimplência foi o principal fator desse movimento, e teria aumentado mesmo se as políticas de baixa a prejuízo (write-off) não tivessem sido alteradas no ano passado. As estimativas de probabilidade de default -ou seja, calote- indicam continuidade da pressão na maioria das modalidades na segunda metade deste ano.
Do lado das famílias, o comprometimento de renda atingiu o nível mais elevado dos últimos 21 anos, com intenso impacto nos tomadores de menor renda. Quanto às empresas, aumentou o número de companhias com lucro líquido menor e despesa financeira líquida maior, indicando margem de segurança mais estreita para honrar dívidas.
O BC concluiu que a inadimplência também teria aumentado mesmo sem as mudanças regulatórias. Segundo estimativa do órgão, em junho, a taxa de inadimplência do sistema financeiro nacional seria 0,78 ponto percentual inferior caso os critérios de baixa vigentes até 2024 tivessem sido mantidos. Esse efeito corresponde a aproximadamente 45% da elevação de 1,76 ponto percentual observada desde dezembro de 2024.
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A autoridade monetária considera que o efeito da mudança regulatória sobre a variação da inadimplência tende a diminuir ao longo do tempo.
Em relação ao consignado voltado para trabalhadores do setor privado, o BC avaliou que cresceram os volumes de concessão na modalidade, mas que as operações têm apresentado materialização de risco superior a linhas de crédito mais arriscadas.
Desafios operacionais pressionam a inadimplência no segmento, superando a verificada no crédito pessoal não consignado sem garantias. Parte relevante dos saldos em atraso, contudo, se concentra em operações cujos tomadores permaneceram empregados ou retornaram ao mercado formal de trabalho após eventual desligamento.
"Considerando que, nessas situações, o desconto em folha deveria permanecer como mecanismo de mitigação de risco, os resultados sugerem possível influência de fricções operacionais sobre o desempenho da carteira", afirma o BC.
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A autoridade monetária também destacou que a rentabilidade do sistema bancário recuou no primeiro semestre deste ano, com maior pressão sobre bancos públicos diante dos riscos associados ao crédito rural e ao crédito pessoal.