Inadimplência bate recorde no Brasil: veja o que muda para quem busca crédito mais barato
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O Brasil chegou a julho de 2026 com 83,9 milhões de consumidores com registro de inadimplência, o décimo nono mês consecutivo de alta na série da Serasa. No mesmo mês, 82% das famílias brasileiras declararam ter dívidas a vencer, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor da Confederação Nacional do Comércio (CNC). É o maior nível já apurado desde o início do levantamento, em 2010.
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O recorde de inadimplência tem um efeito direto sobre o mercado de crédito: cresce a busca por linhas capazes de reduzir o custo das dívidas já contraídas. Uma das modalidades que mais avançou nesse movimento foi o crédito com garantia de veículo, que cresceu 17,83% no primeiro semestre, segundo o Índice PO27. A Nexus Credi, correspondente bancária de Belo Horizonte que opera com garantia de veículo e de imóvel, integra esse mercado em expansão.
A explicação para a procura está na distância entre as taxas. A taxa média do crédito pessoal não consignado oscilou entre 8,4% e 8,6% ao mês no primeiro semestre, segundo o Banco Central, equivalente a mais de 160% ao ano em juros compostos. No rotativo do cartão, principal modalidade de endividamento das famílias, a taxa passa de 400% ao ano. Já as operações com veículo quitado em garantia partem de patamares próximos de 1,09% ao mês mais IPCA.
O que entra na conta além da taxa
A diferença entre os patamares é grande o bastante para tornar a troca atrativa em qualquer simulação superficial, mas o custo efetivo total (CET) não se resume à taxa nominal. Ele inclui avaliação do veículo, registro do gravame no Sistema Nacional de Gravames, IOF e, em parte dos contratos, seguro do bem. Esses custos tendem a ser mais baixos do que os equivalentes em uma operação imobiliária, o que ajuda a viabilizar dívidas de ticket médio.
Prazo mais curto, parcela mais alta
O crédito com garantia de veículo é contratado em horizontes de 12 a 60 meses, mais curtos do que os das operações com imóvel, que chegam a 240 meses. O prazo mais curto reduz o total de juros pagos ao longo do contrato, mas eleva a parcela mensal. Comparar apenas a prestação, sem olhar o custo total, é apontado como o erro mais comum nesse tipo de decisão.
A causa da dívida pesa mais que a taxa
Segundo especialistas, a troca resolve o preço da dívida, mas não a causa dela. Se o orçamento segue estruturalmente negativo, a operação apenas libera limite nas linhas antigas, que tendem a ser reocupadas em poucos meses, agora com um veículo em alienação fiduciária no meio do caminho. O Mapa da Inadimplência da Serasa, com levantamento de dez anos, mostra que 42% dos inadimplentes de 2026 já estavam negativados uma década antes.
"A pergunta certa não é qual taxa você conseguiu, é quanto você vai pagar no fim. Tem operação com taxa menor e custo total maior, e é aí que a troca deixa de fazer sentido", afirma João Viríssimo, diretor da Nexus Credi.
O perfil das operações com veículo observado no mercado inclui exigência de bem com até 17 anos de fabricação, documentação regular e, quando o veículo está parcialmente financiado, destinação de parte do novo crédito para quitar o saldo remanescente.
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Para dívidas maiores ou prazos mais longos, existe ainda o crédito com imóvel em garantia, com taxas a partir de 1% ao mês, prazos de até 240 meses e valor médio de R$ 267 mil por operação. Mas para o perfil de dívida mais comum entre as famílias brasileiras, hoje em recorde histórico, o crédito com garantia de veículo tende a fechar a conta primeiro, com processo mais rápido e custo de formalização menor.