TARIFAÇO DE TRUMP

Veja regras, setores e valores do plano para aliviar o tarifaço no Brasil

Nova linha de crédito do governo federal busca impedir quebra de exportadores afetados pelos EUA e conflitos no Oriente Médio. Entenda quem recebe

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O governo lançou, nessa quarta-feira (22/7), o Plano Brasil Soberano 3, que contará com R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento para apoiar empresas afetadas pelas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A iniciativa amplia a estratégia de proteção à indústria e aos exportadores brasileiros diante das restrições ao comércio internacional.

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A ampliação do programa, criado no ano passado, em meio ao primeiro tarifiaço criado por Donald Trump, foi formalizada por medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e encaminhada ao Congresso Nacional. Além de atender empresas prejudicadas pelo tarifaço, a iniciativa contempla exportadores afetados pelos impactos dos conflitos no Oriente Médio sobre o comércio internacional.

Os recursos poderão ser destinados a capital de giro, aquisição de bens de capital, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos, além da prospecção e abertura de novos mercados.

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Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, as linhas de financiamento serão regulamentadas com critérios específicos para cada setor atendido. As condições de acesso, incluindo taxas de juros entre 3% e 9,8% ao ano, variarão conforme o impacto das tarifas comerciais e dos conflitos internacionais sobre cada atividade econômica.

As exigências e contrapartidas também serão definidas em regulamentações específicas, que deverão ser publicadas no curto prazo. Segundo o governo, a decisão de não adotar regras uniformes reflete as diferentes características e necessidades dos setores contemplados pelo programa. "Como temos situações distintas entre os setores — os afetados por tarifas, os considerados estratégicos e os atingidos por conflitos internacionais —, vamos regulamentar cada uma das linhas com requisitos específicos", afirmou Moretti, durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto.

"Vamos discutir, no curtíssimo prazo, a regulamentação, onde serão definidos os critérios e as contrapartidas necessárias. São setores muito diferentes para terem regras únicas estabelecidas na medida provisória", acrescentou.

Do total previsto para o Plano Brasil Soberano 3, R$ 13,5 bilhões serão aportados pelo Tesouro Nacional, enquanto os R$ 5 bilhões restantes virão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Caberá ao banco de desenvolvimento elaborar o plano de aplicação dos recursos, que será submetido à análise de um conselho interministerial. O objetivo é direcionar os financiamentos conforme o grau de impacto sobre cada segmento econômico e sua importância para a economia e para a pauta exportadora brasileira.

Beneficiados

Entre os principais beneficiários da nova etapa estão as empresas atingidas pelas tarifas aplicadas pelos EUA com base nas Seções 232 e 301 da legislação comercial norte-americana. As medidas afetam cadeias industriais como aço, alumínio, automóveis, móveis, madeira, carvão, máquinas e equipamentos elétricos, cerâmicas, plásticos, calçados, papel e açúcar. 

O programa também alcançará empresas exportadoras com operações voltadas aos países do Golfo Pérsico, além de setores considerados estratégicos para a balança comercial e a segurança produtiva do país, como fertilizantes, minerais críticos, produtos químicos, farmacêuticos, têxteis, automotivos, equipamentos eletrônicos e máquinas elétricas.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o Plano Brasil Soberano 3 é resultado de um trabalho desenvolvido pelo governo ao longo do último ano para preparar respostas aos impactos das mudanças no comércio internacional. "Desde julho do ano passado, quando foi anunciada a primeira tarifa, temos nos reunido com os setores produtivos para entender suas demandas e buscar soluções", afirmou.

Lançado com o objetivo de preservar empresas, empregos, investimentos e a capacidade exportadora do país diante das mudanças no cenário global, o plano estreou, em 2025, com R$ 16 bilhões em crédito. Em 2026, a segunda etapa ampliou o volume de recursos para R$ 21 bilhões e já acumula R$ 19,5 bilhões em pedidos protocolados. Desse total, R$ 10,6 bilhões foram aprovados pelo BNDES. Dos 677 projetos apresentados até o momento, 313 são de micro, pequenas e médias empresas.

Durigan afirmou que a nova etapa consolida uma estratégia construída gradualmente pelo governo para enfrentar diferentes pressões sobre o setor produtivo. "Entendam o Plano Brasil Soberano como um programa que fomos amadurecendo e a resposta que temos para essas diferentes provocações e interferências indevidas. Por isso está tudo contemplado. Não porque estamos agora tentando encontrar saídas, mas porque estamos construindo esse programa há um ano", completou.

Além da atual medida provisória, Lula sancionou, nesta quarta-feira, o Projeto de Lei de Conversão nº 7, originado da Medida Provisória nº 1.345, de março deste ano, que instituiu as linhas de financiamento do Plano Brasil Soberano. Durante a tramitação no Congresso, o alcance da política foi ampliado para incluir exportadores dos setores de agricultura, pecuária, florestas plantadas, pesca, aquicultura e mineração, além de cooperativas e associações vinculadas a essas atividades.

A nova legislação também permite que os recursos destinados à inovação tecnológica sejam usados para adequar produtos e processos às exigências sanitárias, fitossanitárias, ambientais, de rastreabilidade e de conformidade impostas pelos mercados internacionais, ampliando a competitividade das empresas brasileiras.

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O programa também alcançará empresas prejudicadas por conflitos internacionais, especialmente exportadoras com operações voltadas aos países do Golfo Pérsico, além de setores considerados estratégicos para a balança comercial e a segurança produtiva do país, como fertilizantes, minerais críticos, produtos químicos, farmacêuticos, têxteis, automotivos, equipamentos eletrônicos e máquinas elétricas.

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