Tarifaço entra em vigor e pressiona economia de Minas Gerais
Na análise da Fiemg, tarifa de 25% pode pressionar preços, margens e contratos das empresas atingidas. Setor produtivo aguarda definição da tarifa de 12,5%
compartilhe
SIGA
Passa a valer nesta quarta-feira (22/7) a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre uma extensa lista de produtos exportados pelo Brasil. No entanto, mercadorias que iniciaram o transporte antes desta data poderão ficar livres da nova cobrança, desde que ingressem para consumo no mercado americano antes de 29 de julho.
Leia Mais
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) avalia que a tarifa de 25% pode pressionar preços, margens e contratos das empresas atingidas. Segundo a Fiemg, em mercados em que existem fornecedores de diferentes países, a cobrança pode reduzir a competitividade do produto mineiro, estimular a substituição da origem das importações ou levar os compradores americanos a exigir renegociação de valores e condições comerciais.
O Centro Internacional de Negócios da Fiemg (CIN) calculou que a soma dos 15 principais produtos mineiros afetados pelo tarifaço americano somaram cerca de US$ 234 milhões em exportações aos EUA em 2025.
Os maiores valores estão concentrados no sebo de bovinos, ovinos ou caprinos, com quase US$ 34 milhões, e nos disjuntores de baixa tensão, com aproximadamente US$ 33 milhões.
Na análise da Fiemg, a participação de Minas Gerais nas exportações brasileiras de alguns desses produtos reforça a dimensão do impacto para o estado. Um exemplo são as obras contendo magnesita, dolomita ou cromita, onde o estado responde por mais de 99% do valor exportado pelo Brasil. Nos disjuntores de baixa tensão, a participação mineira superou 97% do valor embarcado.
Lista de exceções alivia o impacto
Por outro lado, a lista de exceções ao tarifaço, montada de acordo com a conveniência dos Estados Unidos frente aos produtos brasileiros, não deixa de ser um alívio para a economia de Minas Gerais.
No estudo feito pelo CIN/FIEMG, os 15 principais produtos mineiros isentos do tarifaço totalizaram cerca de US$ 3,3 bilhões em exportações em 2025, significativamente superior aos aproximadamente US$ 234 milhões registrados pelos 15 principais itens afetados.
Entre os itens isentos, destaque para o café verde, ferro-gusa, ferronióbio, ferrossilício-manganês, ouro, carne bovina, celulose, mel natural e determinados produtos químicos.
A maior surpresa dessa lista de exceções foi o ferro-gusa, cujas exportações em 2025 para os EUA somaram pouco mais de US$ 1 bilhão, sendo que Minas Gerais respondeu por quase 73% do valor total exportado pelo Brasil.
Já o café verde não foi surpresa, mas sempre é motivo de preocupação devido ao seu peso na balança comercial mineira. As exportações mineiras do produto para os americanos alcançaram aproximadamente US$ 1,6 bilhão em 2025 e representaram cerca de 83% do valor embarcado pelo país.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Apreensão pela tarifa de 12,5%
Agora o foco se volta para outra sobretaxa às exportações brasileiras para os EUA, que pode resultar em uma tarifa adicional de 12,5%. Na sexta-feira (24/7) será anunciado o resultado da investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre a importação de mercadorias do Brasil produzidas com trabalho forçado.
“A combinação das medidas pode colocar produtos brasileiros em desvantagem significativa diante dos principais concorrentes internacionais, e essa diferença pode pesar diretamente na escolha do importador. A preocupação não está apenas no tamanho da tarifa, mas na diferença de tratamento entre fornecedores que disputam os mesmos compradores. O momento exige negociação, clareza nas regras e previsibilidade para preservar contratos e mercados estratégicos”, analisa Verônica Ribeiro Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do CIN/Fiemg.
A Fiemg defende a continuidade das negociações entre os governos brasileiro e americano, a ampliação das exceções e regras claras sobre a eventual acumulação das tarifas. Para a entidade, também é necessário avaliar medidas de apoio às empresas mais expostas e estratégias de diversificação dos mercados de destino.