Setor produtivo analisa impactos do tarifaço para Minas Gerais
Fiemg recomenda que setores mais afetados pela sobretaxa de 25% devem renegociar contratos e diversificar mercados
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A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) fez um estudo sobre os setores do estado que serão mais impactados pela sobretaxa de 25% nas exportações do Brasil para os Estados Unidos.
A lista reuniu os 15 setores de Minas Gerais que mais exportaram, em termos de valor, para os Estados Unidos ao longo de 2025. Assim, a categoria que envolve sebo de bovinos, ovinos ou caprinos foi a que mais vendeu para os americanos no ano passado, somando US$ 33,96 milhões.
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Em seguida vem a categoria que abrange disjuntores para tensão <= 1 kV, que exportou o montante de US$ 32,9 milhões. Minas Gerais responde por 97,21% das exportações brasileiras desse produto para os Estados Unidos. A categoria das preparações capilares, que reúne alguns cosméticos, está na terceira colocação, com US$ 22,25 milhões exportados para os EUA.
De acordo com Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do Centro Internacional de Negócios da Fiemg, as categorias que têm nos Estados Unidos o seu principal mercado — como pedras preciosas, disjuntores, válvulas cardíacas e lentes intraoculares — vão ser mais impactadas pelo tarifaço. E aí ela inclui as empresas cujos produtos não estão no topo das exportações mineiras, e não impactam significativamente o PIB ou a economia do estado, mas que, devido à sua forte dependência do mercado americano, serão duramente afetadas pelos tarifaço.
“Esses terão que redefinir mercados ou negociar com os clientes. Acredito que os exportadores que já têm contrato previsto para embarque vão ter que negociar preço porque a aplicação da tarifa já inicia dia 22. Eles precisam renegociar porque, no tarifaço anterior, alguns setores praticamente pagaram para exportar. Outro ponto é já começar um planejamento estratégico para a diversificação de mercado”, aconselha Verônica.
A coordenadora da Fiemg confessa que houve um certo alívio quanto à lista de exceções, principalmente, no caso de Minas Gerais, por ter poupado o ferro-gusa da sobretaxa. “Na verdade nós já tínhamos essa expectativa, porque os Estados Unidos não produzem o suficiente para sua demanda, e o ferro-gusa brasileiro, cuja maioria sai de Minas Gerais, é essencial para a indústria americana”, explicou, reforçando o papel de negociação do setor junto ao Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).
Agro mineiro comemora mel e tilápia como exceções
Para a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), a decisão final do USTR também trouxe um resultado mais favorável devido a ampliação da lista de exceções à tarifa adicional de 25%. “Além da manutenção de importantes produtos fora da medida, como café verde, carne bovina, suco de laranja e cacau, a inclusão do mel orgânico, da tilápia e de determinados produtos de madeira e couro e do café solúvel representa um avanço relevante para o estado”, informou, em nota, a entidade.
Além de ser o maior produtor e exportador brasileiro de café, Minas Gerais é o 3º maior produtor nacional de tilápia e o 4º maior produtor de mel. Os Estados Unidos é o principal destino desses produtos. “A ampliação das exceções contribui para preservar a competitividade desses segmentos no mercado norte-americano e reduzir os impactos potenciais sobre importantes cadeias produtivas mineiras”, analisou a Faemg.
Por outro lado, produtos relevantes para Minas Gerais, como o açúcar e o etanol, continuam sujeitos à sobretaxa, o que compromete sua competitividade no mercado americano. A Faemg destaca que a decisão final proferida na última quarta-feira (15/7) encerra a fase ordinária da investigação e não prevê a abertura de um novo processo para solicitação de exclusões tarifárias, embora futuras alterações na lista de exceções permaneçam possíveis por decisão do governo dos Estados Unidos.
“Nesse contexto, será fundamental acompanhar os desdobramentos da política comercial norte-americana e intensificar a diversificação dos mercados de exportação, reduzindo a dependência de um único destino comercial”, finaliza a nota. A tarifa adicional de 25% sobre as importações brasileiras começa a ser cobrada a partir de 22 de julho.
63,5% das exportações do agro brasileiro estão fora do tarifaço
A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) também reforçou que a decisão final do Escritório do Representante de Comércio dos EUA ampliou, em relação à proposta preliminar, as exceções para produtos agropecuários brasileiros. Com isso, 63,5% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro aos Estados Unidos fica excluído da tarifa adicional.
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Em termos de valor exportado, o principal ganho apontado pela CNA foi a inclusão do café solúvel sem adição de sabor à lista de exceções, que ainda abrangeu os segmentos de pescados, mel, couros e peles e madeira, concentrando-se, porém, nos produtos com baixo grau de processamento em todos estes setores. Já os segmentos do setor agropecuário que ganharam alíquotas adicionais são o açúcar, o etanol, as carnes suínas, algumas frutas e diversos tipos de preparações alimentícias.