Alckmin se afasta de reciprocidade em tarifaço: "Buscar outros mercados"
Márcio Elias Rosa se reuniu com setores produtivos para tratar sobre crédito para empresas e plano Brasil Soberano
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No dia em que a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros aplicada pelos Estados Unidos entrou em vigor, o governo federal iniciou uma série de reuniões com setores afetados pela medida. Os encontros ocorridos na manhã e tarde desta terça-feira (21/7) foram conduzidos pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa.
Na saída do encontro, ambos falaram com a imprensa e reconheceram que o principal objetivo do governo e das empresas é sair em busca de novos mercados, para suprir a demanda norte-americana impactada pelo tarifaço. Segundo o vice-presidente, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimento (ApexBrasil) terá um papel relevante nessa tentativa.
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"Esse é um dos grande desafios que precisam ser seguidos e nós precisamos ter uma política, juntos com a Apex, de buscar outros mercados para os setores atingidos", disse Alckmin, na saída da reunião. Ele ainda destacou que o Brasil deve continuar em defesa do multilateralismo e das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e ressaltou os acordos de livre comércio com a União Europeia (UE), com o EFTA e com Cingapura.
Alckmin também descartou a possibilidade, por hora, de o Brasil aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada em 2025 no Congresso Nacional como resposta ao tarifaço do presidente norte-americano Donald Trump. Ele fez uma alusão à famosa “Lei de Talião” para afirmar que, se depender do governo brasileiro, as negociações devem continuar por vias diplomáticas. “Com o ‘olho por olho’, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos”, comparou.
Já o ministro Márcio Elias Rosa reforçou o objetivo de ir em busca de novos parceiros para os setores atingidos — o que ele destacou como prioridade neste momento. Ele também lembrou que o governo aguarda a definição sobre a tarifa de 12,5% sobre países que seriam coniventes com trabalho forçado — segundo os EUA, o que pode impactar diretamente o Brasil. A expectativa é que a decisão seja proferida na próxima sexta-feira (24/7).
Participaram das reuniões pela tarde representantes de diferentes segmentos da indústria nacional. Estiveram presentes Humberto Barbato Neto e Neuri Luiz Mantovani, respectivamente representante e gerente de Relações Governamentais da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee); e José Velloso Dias Cardoso, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
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Também esteve na reunião Rodrigo Martins Navarro de Andrade, presidente executivo da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip); Haroldo Ferreira, presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados); e José Ricardo Roriz Coelho, presidente do Conselho da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).