QUEDA DO DÓLAR

Dólar fecha em R$ 4,99 em meio a guerra no Irã

Moeda americana cai abaixo dos R$ pela primeira vez em dois anos. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 0,34% e atingiu novo recorde

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar ficou abaixo do piso de R$ 5 pela primeira vez em dois anos na sessão desta segunda-feira (13/4), com investidores reagindo aos novos desdobramentos da guerra no Irã.

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A cotação de R$ 4,999 foi atingida no início da tarde, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que Teerã quer fazer um acordo para encerrar o conflito que se estende desde o final de fevereiro.

Antes disso, o mercado reagia ao fracasso das negociações de paz no fim de semana e ao bloqueio do estreito de Hormuz ordenado por Trump. A via marítima era, antes da guerra, responsável por 20% de todo o tráfego global de petróleo e gás natural liquefeito.

Às 14h43, a moeda recuava 0,35%, cotada a R$ 4,992, revertendo os ganhos de mais cedo e em linha com o movimento no exterior. O índice DXY, que compara o dólar com seis moedas fortes, tinha perdas de 0,11%.

Já a Bolsa marcava alta de 0,29%, a 197.907 pontos, testando um novo recorde histórico.

O bloqueio em Hormuz começou às 11h, no horário de Brasília. Antes disso, segundo monitores de tráfego marítimo, apenas dois navios ligados ao Irã tentaram fazer o trânsito na região, ante quatro na véspera e até 140 antes do conflito que vive um incerto cessar-fogo desde a terça passada (7/4).

Trump determinou a medida no domingo (12/4), depois que as delegações não chegaram a um acordo. Três rodadas de conversas foram realizadas - e a terceira só terminou na noite de sábado (11/4) no Brasil.

Segundo a emissora estatal do Irã, a delegação de Teerã apresentou demandas relacionadas ao estreito de Hormuz, à liberação de ativos iranianos bloqueados, ao pagamento de reparações para cobrir danos causados pela guerra e a um cessar-fogo que alcance toda a região

Antes das infrutíferas tratativas do final de semana, a última vez em que EUA e Irã negociaram diretamente foi na costura do acordo nuclear de 2015. Na ocasião, foi acordado o fim de sanções ao regime iraniano por um intrincado esquema de verificações segundo o qual seria restringida a capacidade de enriquecimento de urânio do país por 15 anos, visando coibir a busca pela bomba atômica.

O bloqueio de Hormuz surge em resposta, também, à cobrança de um pedágio para as embarcações. Em vez de reabrir a passagem como havia sido combinado na trégua, Teerã estabeleceu uma rota que diz evitar minas colocadas pela própria teocracia e passa por suas águas territoriais. Um petroleiro precisaria pagar US$ 1 em criptomoedas por cada barril de óleo transportado.

"O bloqueio será realizado de maneira imparcial contra embarcações de todos os países que entrem ou partam de portos e áreas costeiras do Irã", disseram os militares americanos, afirmando que não impedirão a navegação de barcos "que cruzem o estreito de Hormuz vindo de ou com destino a portos não-iranianos".

Neste cenário, a manhã desta segunda-feira (13/4) é de volta da aversão ao risco nos mercados internacionais. O petróleo Brent voltou a ultrapassar os US$100 o barril, em alta de mais de 5%. Ações em todo o mundo estão em baixa, à exceção dos índices S&P500 e Nasdaq Composite nos EUA, em alta tímida de até 0,15%.

A possibilidade de uma retomada nos ataques também impõe cautela entre os investidores.

"Os mercados estão tentando filtrar o turbilhão de manchetes, mas parece que os EUA estão considerando retomar ataques limitados contra o Irã. Até agora, pelo menos, os mercados estão lidando relativamente bem com a notícia, pois ainda não vimos um retorno dos preços aos níveis anteriores ao cessar-fogo", diz Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado global da Ebury.

"Isso sugere que os investidores talvez vejam a ruptura nas negociações mais como um obstáculo no caminho e um sinal de jogo de pressão, em vez de algo que necessariamente possa atrapalhar o caminho para a paz."

Na semana passada, as expectativas em torno do cessar-fogo e as negociações para o fim do conflito aqueceram os mercados e fizeram o Ibovespa renovar o recorde histórico por três dias consecutivos.

O dólar ainda registrou o menor valor em dois anos na sexta-feira, quando encerrou o dia cotado a R$ 5,010 -quase caído abaixo dos R$ 5 pela primeira vez desde que foi alçado a esse patamar.

"Houve um abrandamento no conflito armado, mas a escala do abrandamento e a falta de clareza sobre quando os fluxos comerciais serão retomados nos deixa, de modo geral, ainda no mesmo lugar", diz Benjamin Jones, chefe global de pesquisa da Invesco.

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"Esperamos uma pressão renovada sobre os ativos de risco e movimentos de alta no petróleo no início desta semana."

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