RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Desembargador afastado do TJMG suspeito de favorecimento no caso 123 milhas

Carvalho já foi afastado por 60 dias em dezembro de 2024 por negociar a nomeação do filho e da mulher como servidores fantasmas

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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou, nesta segunda-feira (30/3), o afastamento do desembargador Alexandre Victor de Carvalho do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), responsável pelo processo de recuperação judicial do Grupo 123 milhas.

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A medida administrativa foi tomada pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Mauro Campbell, atual corregedor nacional de Justiça. O afastamento tinha caráter provisório, mas o desembargador decidiu se aposentar após a determinação.

Carvalho já foi afastado por 60 dias em dezembro de 2024 por negociar a nomeação do filho e da mulher como servidores fantasmas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Ele foi presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) entre 2020 e 2021.

Recuperação judicial da 123 milhas

Nota divulgada pelo CNJ afirma que há “graves indícios de irregularidades e favorecimento na condução do processo de recuperação judicial do Grupo 123 Milhas”.

O Grupo 123 milhas negou que tenha sido favorecido por decisões do magistrado. "A decisão do CNJ diz respeito à indevida substituição dos administradores judiciais nomeados pela juíza de primeiro grau, ato que não foi solicitado pela 123 milhas e que não a favoreceu de nenhuma forma. Pelo contrário, implicou despesas extraordinárias para a empresa".

O gabinete de Carvalho no TJMG foi alvo de buscas, e o Tribunal foi notificado para designar um substituto imediato.

“Os elementos colhidos apontam um padrão de atuação que aparentemente extrapola a simples divergência jurídica, configurando, em tese, violação dos deveres funcionais da magistratura”, afirmou o CNJ.

O desembargador é acusado de violar o “princípio do juiz natural” ao substituir auxiliares de confiança do juízo de primeiro grau por administradores judiciais. Carvalho também teria determinado o levantamento de R$ 23 milhões durante o recesso forense para pagamento de honorários a peritos e administradores nomeados por ele.

Em nota, o TJMG afirmou ter tomado "todas as providências para o cumprimento das determinações" e nomeado um desembargador substituto.

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"O TJMG reafirma o seu compromisso com a legalidade e a apuração devida dos fatos, e seguirá colaborando e cumprindo as determinações do CNJ", disse.

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