Golpe do Pix errado: como criminosos abusam da honestidade para roubar
Fique atento: fraudadores enviam comprovantes falsos e pressionam vítimas a devolver valores que nunca receberam; aprenda a identificar a armadilha
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Notícias recentes sobre pessoas que devolveram valores recebidos por engano via Pix destacam atos de honestidade, mas também acendem um alerta. Criminosos estão se aproveitando da boa-fé das pessoas para aplicar o chamado "golpe do Pix errado", uma fraude que manipula a vítima para que ela transfira dinheiro que, na verdade, nunca recebeu.
A armadilha começa com uma mensagem inesperada, geralmente por WhatsApp ou SMS. O golpista afirma ter feito um Pix para a pessoa errada e envia um comprovante de transferência falso. A imagem, muitas vezes bem editada, parece legítima e indica que um valor foi creditado na conta da vítima. Em uma variação do golpe, o criminoso pode até fazer uma transferência real e, em seguida, alegar um erro ao banco para reaver o dinheiro, esperando que a vítima também devolva o valor, resultando em um ganho duplo para o fraudador.
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Em seguida, o fraudador cria uma narrativa de urgência para pressionar a devolução. Ele pode inventar uma emergência médica, o pagamento de um aluguel atrasado ou qualquer outra história que gere comoção. O objetivo é fazer com que a vítima aja por impulso, sem ter tempo para verificar a informação com calma.
A pessoa, acreditando na história e querendo agir corretamente, acaba fazendo um Pix com seu próprio dinheiro para a chave indicada pelo criminoso. Quando percebe que o valor inicial nunca entrou em sua conta, o prejuízo já está feito.
Como se proteger do golpe do Pix errado
A principal defesa contra essa fraude é a verificação. Antes de tomar qualquer atitude, acesse o aplicativo do seu banco e confira o extrato bancário detalhado. Verifique se o valor supostamente transferido de fato entrou na sua conta. Não confie apenas em comprovantes enviados por desconhecidos.
Desconfie de qualquer abordagem que envolva pressão ou urgência. Golpistas usam a manipulação emocional para impedir que a vítima pense com clareza. Mantenha a calma e informe que você irá verificar a informação diretamente no seu banco antes de realizar qualquer operação.
Observe atentamente a mensagem e o comprovante recebido. Erros de português, informações desalinhadas no comprovante ou um tom excessivamente emotivo podem ser sinais de fraude. Se confirmar que o dinheiro não caiu, bloqueie o contato e não continue a conversa.
Caso você tenha caído no golpe, o primeiro passo é contatar seu banco imediatamente para solicitar a devolução do valor por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED), que permite o bloqueio e rastreamento dos recursos. Essa solicitação pode ser feita em até 90 dias da data da transação. Em seguida, registre um boletim de ocorrência online ou na delegacia mais próxima, reunindo todas as provas, como prints da conversa e dados da transferência.
Outros golpes
É interessante que usuários de bancos digitais estejam atentos aos diferentes métodos que podem ser usados por criminosos que têm interesse em receber um Pix robusto. Conheça outras fraudes comuns:
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Parente ou amigo pedindo ajuda
Nesta opção, o criminoso clona ou cria um perfil falso no WhatsApp com a foto de uma pessoa conhecida da vítima. Em seguida, envia uma mensagem pedindo uma transferência urgente via Pix, afirmando que está com alguma emergência e o banco não está funcionando — como uma necessidade urgente para pagar o conserto de um telefone estragado, o que justificaria o uso de um número diferente e que não está na lista de contatos da vítima.
A abordagem comumente apela para um lado emocional e urgente, fazendo com que a vítima não consiga verificar a história.
Para se proteger, sempre ligue para a pessoa que está pedindo o dinheiro, se possível em vídeo, e faça perguntas que somente ela poderia responder, antes de fazer qualquer transação em dinheiro.
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QR Code falso
Uma outra forma de arrecadar dinheiro fraudulento é a criação e a utilização de QR Codes falsos. Neste sentido, fraudadores adulteram os códigos em lives de arrecadação, sites de lojas virtuais e estabelecimentos físicos, de modo que o destinatário seja a conta do golpista.
Para evitar cair neste golpe, sempre verifique com atenção o nome e os dados do destinatário que aparecem na tela de confirmação do aplicativo do banco, antes mesmo de completar a transação.
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Central de atendimento falsa
A vítima recebe uma ligação ou mensagem de uma pessoa que se passa por um funcionário de banco, que diz que a conta foi invadida ou que há uma transação suspeita. Para resolver a questão, o falso funcionário instrui que a vítima faça um “pagamento teste” ou instale um aplicativo de acesso remoto no telefone, de forma que o atendente tenha acesso ao aparelho.
Lembre-se que bancos nunca pedem dinheiro, senhas ou que novos aplicativos sejam instalados. Caso receba uma ligação assim, desligue e entre em contato com o banco pelos canais oficiais.
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Comprovante de Pix falso
Esta opção de golpe é comumente direcionada a vendedores e prestadores de serviço. Nesta ocasião, o cliente simula uma compra e envia ou mostra um comprovante falso — que pode ser uma imagem editada ou um Pix agendado, que facilmente pode ser cancelado, e o vendedor pode perceber o erro apenas horas depois. Para se proteger, sempre confirme se o valor caiu na conta antes de liberar o produto ou serviço.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.