IPCA-BH

Inflaçao de Belo Horizonte em 2025 foi de 4,56%, aponta Fundação Ipead

Além do café, comer e beber fora de casa pesam no bolso. Empregado doméstico e condomínio também impactam inflação na capital

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A inflação registrada em Belo Horizonte no ano de 2025 ficou em 4,56%. O índice ficou abaixo do percentual apurado em 2024, quando foi atingiu 7,52%. Estes valores são referentes ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo de Belo Horizonte (IPCA-BH), divulgado pela Fundação Ipead (Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais).

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Na análise de Eduardo Antunes, gerente de Pesquisa da Fundação Ipead, trata-se de uma redução significativa em relação a 2025, mas uma inflação ainda alta quando consideramos a meta de 3% e um teto de 4,5%. Ele lembra que a capital vem de outras altas significativas ao longo dos últimos anos: 6,8% em 2023; 6,33% em 2022; e 9,63% em 2021 (ainda sob forte impacto da pandemia).



“A estratégia do Banco Central com a taxa Selic alta, em 15%, é justamente conter a inflação. É um remédio amargo, com efeitos colaterais como a redução do crédito. Com isso, todo financiamento fica mais caro. Na contramão disso temos um gasto público elevado”, disse Antunes.


Café sobe 31,24%


No quesito Alimentação a inflação foi de 2,87% em Belo Horizonte. No entanto, enquanto o custo da alimentação na residência registrou queda de 1,05% (portanto, uma deflação), a alimentação fora da residência registrou alta de 7,89% em relação a 2024.

Na alimentação na residência, os alimentos de elaboração primária tiveram queda de 5,47%. Como exemplo de queda de preços temos o leite (-6,3%) e o arroz (-28,56%). Os alimentos in natura, como os itens de sacolão, também registraram deflação de 4,29%. Os melhores exemplos são a laranja (-33,15%) e a batata inglesa (-14,37%). Já os alimentos industrializados tiveram alta de 2,44%. 

O café foi o maior responsável pela inflação da alimentação na residência, com alta de 31,24%. Isso depois de ter registrado elevação superior a 60% em 2024 e, no último semestre de 2025, ter acumulado algumas quedas. Já o azeite, que acumulou várias altas em 2024, fechou 2025 com queda de 22,05%.


Comer fora está cada vez mais caro



Enquanto isso, o preço da alimentação fora da residência explodiu. A alimentação no restaurante ficou 7,44% mais cara. Os dois itens que mais “puxaram” essa inflação foram a refeição fora de casa (+6,51%), que é o almoço em um self-service, e os lanches (+11,26%).

O preço das bebidas em bares e restaurantes tiveram um salto ainda maior, na ordem de 12,28%, com destaque para a cerveja, com alta de 13,75%. Antunes explica que esses estabelecimentos acumulam todo tipo de custo, como os próprios insumos, além de aluguéis, impostos, gás, energia elétrica e empregados.


Empregado doméstico e condomínio  pesam a inflação



Já entre os produtos não alimentares a inflação de 2025 em Belo Horizonte foi de 4,92%. Dentro desse grupo de despesas, a Habitação na capital ficou 6,05% mais cara, puxada pelos Encargos e Manutenção, com alta de 6,82%, representando gastos como condomínio (+8,09%) e aluguel residencial (+9,04%). Os artigos de residência, como móveis, utensílios e eletrodomésticos, tiveram alta de 3,96%.

A categoria Pessoais teve inflação de 5,06%, onde um dos destaques é Vestuário e Complementos, que disparou 10,18%. Outra subcategoria é Saúde e Cuidados, que registrou alta de 5,97%, abrangendo custos com plano de saúde (+6,06%) , higiene pessoal e produtos farmacêuticos.

Já a subcategoria Despesas Pessoais teve alta de 4,33%, respondendo por 31,85% da variação geral do IPCA-BH. Segundo o gerente de Pesquisa da Fundação Ipead, essa categoria sempre exerce grande influência sobre a inflação por reunir muitos produtos com pesos relevantes em sua composição, como empregado doméstico (o que mais “puxou” a inflação, com alta de 7,51%), educação (alta geral de 5,71%), automóvel novo (+5,2%), entretenimento, cabeleireiro, etc.

Os Produtos Administrados - que compreendem transporte, comunicação, energia elétrica, combustíveis e IPTU - tiveram alta de 3,84%. Nesta categoria, a conta de luz (+10,25%) e o imposto predial (+4,71%) foram os itens que mais pesaram na inflação de 2025. Antunes explica que esses produtos também exercem grande impacto na inflação. 

Ele cita como exemplo a tarifa de ônibus em Belo Horizonte em dezembro de 2025, cuja gratuidade aos domingos e feriados (uma renúncia de arrecadação) contribuiu em grande parte para reduzir a inflação daquele mês. No entanto, nesse mês de janeiro de 2026 a tarifa aumentou em cerca de 9%, o que, provavelmente, vai contribuir como uma das principais causas de aumento da inflação no mês.

Enquanto isso, o preço da gasolina - que em 2024 foi o principal produto a contribuir com a alta da inflação no ano, com aumento de 15,49% - foi um dos principais fatores que contiveram a alta geral de preços em 2025, com queda de 1,62%.

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Inflação para quem ganha até 5 salários sobe 4,15%


A Fundação Ipead ainda calculou o Índice de Preços ao Consumidor Restrito em Belo Horizonte (IPCR-BH), que mede o impacto da inflação para as famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos. Em 2025 o índice teve alta de 4,15%, contra 7,34% apurado em 2024. 

Antunes explica que o preço dos produtos tem impacto diferente nos cálculos do IPCA e do IPCR. Um exemplo é a alta de 7,06% na tarifa do ônibus urbano. Para o IPCR, esse foi o principal fator que contribuiu para a alta da inflação em 2025, enquanto no cálculo do IPCA ele está em oitavo lugar. 

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