Posto de combustíveis na esquina das Avenidas Amazonas e Contorno passou aumentou o preço da gasolina comum de R$ 5,99 para R$ 6,39 -  (crédito: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

Posto de combustíveis na esquina das Avenidas Amazonas e Contorno passou aumentou o preço da gasolina comum de R$ 5,99 para R$ 6,39

crédito: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press

O aumento no preço da gasolina para as distribuidoras anunciado pela Petrobras nessa segunda-feira (8/7) já pode ser sentido pela população nos postos de combustíveis em Belo Horizonte nesta terça-feira (9/7), data em que o reajuste de 7,11% , o que equivale a uma alta de R$ 0,20 que levará o preço a R$ 3,01.


Em postos percorridos pelo Estado de Minas na véspera do reajuste e no dia em que passou a valer foi notado uma diferença no preço da gasolina entre R$ 0,20 e R$ 0,30. Posto na esquina das Avenidas Amazonas e Contorno, aumentou o preço da gasolina comum de R$ 5,99 para R$ 6,39, mesma alteração feita em postos localizados na esquina das avenidas Francisco Sá com Amazonas e na Avenida do Contorno com a Rua dos Goitacazes.

 

 

Esse aumento acima do reajuste foi explicado pelo consultor e professor de macroeconomia da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), ligada à Universidade de São Paulo (USP), Silvio Paixão, que previu um aumento de até 10% no custo dos combustíveis, o que foi justificado com a incidência de impostos sobre o novo valor.

 

Paixão explicou que, por exemplo, em um cenário em que um dono de posto de combustíveis comercialize 1000 litros de gasolina a R$ 2,80, assim que ocorrer a alta para R$ 3 na venda da distribuidora que irá repassar para o posto, o produto que ele irá repor já será com o novo preço e, assim, preservar uma margem e garantir que consiga seguir oferecendo o combustível.

 

O Minaspetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo de Minas Gerais) afirmou, por meio de nota, que nas últimas semanas, vem notando "um aumento do custo do produto que está sendo repassado pelas distribuidoras" e que esse aumento dos postos de combustível, assim como os consumidores, ficam "à mercê de distribuidoras, refinarias e produtoras de etanol".

 

O economista Feliciano Abreu, do Mercado Mineiro, disse que o aumento do dólar nas últimas semanas é um dos principais fatores para esse reajuste, após quase um ano sem aumento - em agosto de 2023, o preço da gasolina vendida pelas distribuidoras subiu para R$ 2,93, dois meses depois passou por uma queda de R$ 0,12, valor mantido até esta semana.

 

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Esse aumento no preço afeta uma grande quantidade de pessoas, mas principalmente as que trabalham com transporte. O presidente do Sincavir/MG (Sindicato dos Taxistas de Minas Gerais), Carlos Roberto Luiz Fernandes, afirma que a categoria deve ser fortemente afetada, haja visto que "este é um dos insumos mais caros de nossa planilha de custos. Este aumento faz o taxista alterar sua maneira de trabalhar. É preciso rodar menos, trabalhar com o quilômetro preso, parar mais vezes sempre que estiver com o táxi vazio".

 

Contudo, ele alegou que os profissionais buscam soluções que não sejam o aumento no valor cobrado dos passageiros, como postos que tenham descontos ou aplicativos que dão descontos para os taxistas em postos conveniados. Sobre a possibilidade dos custos serem repassados, ele descartou essa possibilidade.

 

 

"Este ano nós já tivemos o reajuste da tarifa publicado serviço público de táxi", afirmou.

 

Apesar da empresa ter anunciado apenas aumento na gasolina, foi notado também um aumento no valor cobrado pelo etanol nos postos da capital mineira. Entre os mesmos postos visitados pela reportagem, a diferença nos valores foi entre R$ 0,10 e R$ 0,20. Esse reajuste, segundo o presidente da Siamig Bioenergia (Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais), Mário Campos, se deve a uma série de custos que as usinas tiveram na produção.

 

"Quando o preço está muito baixo é bom para o consumidor, mas talvez não seja o suficiente para manter aquela atividade em pé por muito tempo. Então a gente tem que chegar em um ponto de equilíbrio que seja bom para o consumidor, mas bom para que a empresa tenha retorno para conseguir reinvestir no seu negócio e ter maior produção no futuro", comentou.

 

O valor do gás de cozinha também foi reajustado, sendo que o botijão de 13 kg terá um aumento de R$ 3,10, o equivalente a 9,81%, o que vai elevar o preço a R$ 34,70 nas distribuidoras. O último aumento havia sido feito há mais de dois anos, em março de 2022, subindo em 24,9%.

 

Um dos poucos combustíveis que não passou por um reajuste foi o diesel, mas, segundo prevê Feliciano Abreu, isso deve acabar ocorrendo em um futuro próximo. "Não mexeu no preço do diesel ainda. Não conseguiram segurar a gasolina, mas o aumento do diesel gera um impacto muito maior na inflação. Subiu a gasolina, vai subir o diesel. São combustíveis diferentes, mas que vem do mesmo panorama. É só aguardar, que uma hora vai ter que subir", afirmou.

 

Feliciano alegou que o aumento nos preços dos combustíveis, seja gasolina, etanol ou diesel, sempre afetam a popularidade de qualquer presidente e que, por isso, o governo busca evitar repassar isso nas distribuidoras, até pelo efeito dominó que acaba por encarecer o produto para o consumidor final.

 

Leia na íntegra a nota do Minaspetro:

 

A despeito do anúncio divulgado pela Petrobras de R$ 0,20 no preço do litro da gasolina, os postos do estado vêm percebendo, nas últimas semanas, um aumento do custo do produto que está sendo repassado pelas distribuidoras. Para se ter uma ideia, nos últimos 30 dias, o etanol anidro – que compõe o preço da gasolina em 27% – subiu R$ 0,29. Assim como a população, o empresário repudia qualquer aumento de preço do combustível, o que reflete diretamente em perda de venda na pista de abastecimento e aumento da necessidade de capital de giro. É preciso reforçar que o posto é o último elo da cadeia produtora de combustível, ficando, assim como os consumidores, à mercê de distribuidoras, refinarias e produtoras de etanol.