No mês em que se celebra o Orgulho LGBTQIAP+, a busca pela parentalidade entre casais homoafetivos ganha destaque e reflete uma transformação significativa na sociedade brasileira e na medicina reprodutiva. De acordo com dados recentes do setor, um a cada 10 ciclos de fertilização realizados no país já envolve casais do mesmo sexo.
Com o avanço das técnicas de reprodução assistida, especialmente da fertilização in vitro (FIV), clínicas especializadas têm registrado um aumento expressivo na procura por tratamentos que permitam a construção de famílias biológicas, ampliando possibilidades e superando barreiras históricas.
“A reprodução assistida deixou de ser apenas um tratamento para infertilidade e passou a desempenhar um papel fundamental na viabilização de diferentes modelos familiares”, destaca Alfonso Massaguer, especialista em reprodução humana da Clínica Mãe.
Para casais homoafetivos femininos, as alternativas mais utilizadas incluem a inseminação artificial e a FIV, com destaque para a gestação compartilhada, conhecida como método ROPA. Nesse procedimento, uma das parceiras fornece os óvulos enquanto a outra realiza a gestação, permitindo que ambas participem ativamente do processo.
Já para casais homoafetivos masculinos, a parentalidade pode ser alcançada por meio da FIV associada ao uso de óvulos doados e ao útero de substituição, popularmente chamado de barriga solidária. No Brasil, esse procedimento deve ocorrer de forma voluntária e, preferencialmente, com parentes de até quarto grau, conforme as normas vigentes.
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A história de Fernanda Gardim Martinez Seoane e Patrícia Calil de Andrade ilustra essa nova realidade. O desejo de formar uma família ganhou ainda mais força após o falecimento do pai de Fernanda, motivando o casal a buscar informações sobre reprodução assistida.
“A gente decidiu procurar clínicas e entender mais sobre reprodução assistida depois que meu pai faleceu. Minha mãe falou: ‘não vamos parar com esse desejo, porque também era um desejo dele. É uma forma de manter a memória dele viva’”, relembra Fernanda.
Fernanda e Patrícia, mães do Martin, que está prestes a completar quatro anos
A decisão pela FIV ocorreu por ser um método considerado mais seguro e com maior controle de todas as etapas do tratamento. Durante o processo, o acolhimento da equipe teve papel decisivo na experiência do casal.
“Eu escolhi gerar o Martin, mas o doutor Alfonso tratou a Patrícia, minha esposa, tão mãe quanto eu. Ele pediu exames para ela e falou: ‘não é porque você vai gerar que a Patrícia não precisa estar bem de saúde, porque ela é tão mãe quanto você’. Isso tocou a gente de uma forma muito especial e nos colocou em um nível de igualdade”, emociona-se Fernanda.
Hoje, Martin, que está prestes a completar quatro anos, cresce cercado pelo carinho de familiares e amigos, em uma ampla rede de apoio construída ao longo da jornada.
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Segundo Alfonso, o crescimento da procura por tratamentos reprodutivos por casais homoafetivos reforça a necessidade de uma medicina cada vez mais inclusiva e acolhedora.
“A medicina reprodutiva tem o papel fundamental de acolher e viabilizar o sonho da parentalidade para todas as famílias. Nos últimos anos, observamos um crescimento expressivo da procura por parte de casais homoafetivos, e nosso compromisso é oferecer tratamentos seguros, humanizados e respeitosos, valorizando a história e os projetos de vida de cada paciente”, afirma o especialista.
Para muitos casais, a conquista da maternidade ou da paternidade vai além da biologia. Representa também a concretização de um projeto de vida baseado no amor, na diversidade e no direito de construir uma família.
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“Com o apoio de clínicas especializadas e acesso à informação de qualidade, o sonho da parentalidade se torna cada vez mais possível e acessível para todos”, afirma o médico.
