Brasil se destaca como destino para cirurgias de redesignação sexual
Procura de pessoas vindas de outros países aumenta principalmente entre homens trans
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Cada vez mais pacientes trans estrangeiros vêm ao Brasil em busca de técnicas inovadoras de redesignação sexual, especialmente no que se refere à reconstrução peniana em homens trans. O urologista Ubirajara Barroso percebeu que a procura por estrangeiros aumentou substancialmente nos últimos meses.
“Nos últimos meses já atendi pacientes do Canadá, Singapura, Austrália, Itália, Estados Unidos, Israel e Irlanda. Sempre fazemos inicialmente consultas online para entender a história do paciente e poder agendar sua vinda ao país. Eles ficam por cerca de três semanas a um mês. O tempo de retirar a sonda, avaliar a recuperação e voltarem para seu país de origem. A internação em si dura em média quatro dias”, explica o urologista chefe da Divisão de Cirurgia Urológica Reconstrutora do Hospital Universitário Professor Edgard Santos da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e primeiro cirurgião a realizar uma cirurgia de redesignação sexual pelo SUS no Bahia.
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O médico, que também é urologista responsável pela área de cirurgia afirmativa de gênero do Hospital São Luiz Jabaquara da Rede D’Or (SP), explica que os homens trans têm visto informações e estudos sobre a técnica de Mobilização Total dos Corpos Cavernosos (TCM), desenvolvida por Ubirajara e sua equipe em 2022. O método permite a reconstrução do pênis com um ganho médio de três a quatro centímetros em relação às técnicas convencionais, além de dar funcionalidade ao órgão.
De acordo com o especialista, na população trans, a técnica usa o mesmo princípio de separar os corpos cavernosos da arcada púbica, ou seja, do osso. O que, segundo o médico, faz com que haja uma mobilização do tecido refixado no próprio púbis com extensão maior do que outras técnicas existentes atualmente. Desse modo, o médico complementa que é mantida a ereção e a sensibilidade e a reconstrução da uretra é feita com tecido interno da mucosa da boca.
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“O objetivo é proporcionar ao paciente um falo maior e que possibilite a penetração e a capacidade de urinar em pé. É fundamental que a reconstrução genital contribua para a autoestima do paciente. Por isso, temos estudado e aperfeiçoado cada vez mais a TCM para alcançar bons resultados funcionais e estéticos”, afirma Ubirajara, que também é professor adjunto de Urologia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.
Sobre a técnica
A técnica de Mobilização Total dos Corpos Cavernosos (TCM) foi desenvolvida pela equipe do urologista em parceria com a Divisão de Urologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.
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“A procura demonstra que os pacientes buscam saúde onde acreditam que terão benefícios reais. No nosso caso, trata-se da combinação de uma técnica inovadora com uma estrutura hospitalar qualificada”, explica o urologista, que tem realizado esse tipo de procedimento em Salvador e em São Paulo.