Porco, boi, frango, camarão e influências dos mais diversos cantos do mundo convivem muito bem em um menu de apenas 12 pratos (13, se levar em conta o pão da casa). O Tilinto Bar foi inaugurado na última semana no Lourdes, Região Centro-Sul de BH, com o objetivo de servir poucos itens com maestria.
A chef e sócia da casa, Sabrina Banneit, que assina a carta ao lado do também chef e sócio Gabriel Machado Murta, conta que o menu enxuto, além de estar ligado à qualidade do que é servido, permite que o cliente prove de tudo. “Apostei em um cardápio pequeno para manter um nível de excelência, mas também porque o cliente pode vir algumas vezes e já provar todos os pratos. Ele vai aproveitar pouco tempo desse menu e depois de três meses já vão ter novas opções”, explica a chef, que pretende mudar cerca de 60% do cardápio a cada 90 dias.
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Na primeira seleção, os clientes encontram poucas e interessantes pedidas. Os bolinhos britânicos scones (R$ 38) são enriquecidos com bacon e servidos com creme cru caseiro, boa opção para começar.
Quem quiser dar um pulo no Leste Europeu, com pitadas de Minas e da Ásia em uma garfada, pode provar o langos (R$ 42), massa frita coberta com molho de queijo Minas, abobrinha marinada e nduja (espécie de salame picante da Calábria, na Itália).
Um dos preparos mais destacados por Sabrina é a salada de abóbora (R$ 44), feita com grandes cubos do vegetal assados, creme de tahine e molho XO chinês, feito, entre outros ingredientes, com bacon e camarão.
Olha a melancia
Provavelmente, o prato mais surpreendente do Tilinto é o sashimi de melancia (R$ 46), servido com gaspacho (que também leva a fruta), furikake e granola salgada. “A sensação é de comer um atum”, explica Sabrina.
Salada de abóbora com tahine e molho XO é uma das favoritas da chef Sabrina
A chef nos contou que o prato é preparado com uma técnica que aprendeu na França. “A melancia é assada envolta em massa de pão. Depois de sair do forno, a massa é retirada e descartada. Aprendi essa técnica da crosta de pão para assar carnes. Quando morei em Paris, usava muito com o porco, porque você mantém a mesma temperatura durante a cocção”, diz. O fato de a melancia ser sua fruta favorita a levou a testar a técnica com a fruta.
As carnes
A proposta do cardápio do Tilinto é que os clientes façam as combinações que quiserem. As carnes, por exemplo, podem ser combinadas com todos os itens citados anteriormente. Lá, os camarões braseados (R$ 78) ganham um toque de manteiga de ervas, e o porco braseado (R$ 54) vem com maionese de pimentão.
Para quem gosta de miúdos, o coração de galinha (R$ 44), servido com molho de amendoim e purê de batata, é uma boa opção. A França, onde Sabrina estudou, aparece no molho vierge, à base de azeite de oliva, tomate picado, ervas frescas e raspas de limão, servido com o peixe do dia e feijão branco (R$ 78).
O wagyu (R$ 118), perfeito para quem não troca a carne bovina por nada, acompanha batata-doce laranja frita e maionese de cebola caramelizada.
Doces clássicos
Na seção de sobremesas, os chefs optaram por itens clássicos. A primeira opção é a mousse de chocolate (R$ 39), servida na frente do cliente com azeite e flor de sal. A outra é uma versão do tradicional bolo de abacaxi com coco, mas com massa choux (R$ 36) — olha aí a França de novo!
Para beber
Sabrina explica que também define o Tilinto como um bar de vinhos. “Queremos fomentar a venda de vinhos. Nossa carta tem muita variedade: espumante, branco, laranja, rosé, tinto… Até nossa arquitetura tem referências de bares de vinho de Paris, Copenhague, Madri e Barcelona.”
Apesar disso, quem preferir os coquetéis encontra por lá uma carta enxuta, mas democrática. Opções como negroni (R$ 40), old fashioned (R$ 42) e o Pingado (R$ 42), que une licor de café, Baileys (licor de uísque), café cold brew e angostura de laranja, comprovam essa variedade.
Mudança de rumo
Chefs e sócios da casa, Gabriel Murta e Sabrina Banneit
Sabrina é formada em administração, mas trabalhou com marketing por 14 anos. A gastronomia, entretanto, já estava presente em sua vida por conta do pai, Christian Banneit, alemão que veio de seu país natal para Belo Horizonte para fundar o Stadt Jever com o próprio pai.
Depois de entender que queria entrar no universo da culinária, Sabrina foi para a Le Cordon Bleu, em São Paulo, onde se formou, e se mudou para Paris. Na capital francesa, trabalhou por um ano e meio no restaurante Franchie, agraciado com uma estrela Michelin, onde entrou como auxiliar de cozinha e saiu como subchef.
De volta a Belo Horizonte, ela foi chefiar a cozinha do Hofbrauhaus, restaurante alemão no Lourdes, Região Centro-Sul da cidade. “Lá eu tive uma boa experiência com uma grande estrutura de operação”, conta.
Já com o desejo de ter uma casa própria, uniu-se ao pai, a Roberta Magalhães Tobias, uma amiga antiga que sempre disse que queria ser sua sócia, e a Gabriel Murta, chef de cozinha que trabalhou ao seu lado no Hofbrauhaus, para abrir o Tilinto.
Como o próprio nome sugere, a casa busca celebrar os encontros em torno de pratos e taças. “O nome vem do verbo tilintar, uma onomatopeia que tem a ver com taças brindando, metais batendo uns nos outros, bem esse movimento que temos no restaurante.”
Vale destacar que a casa aposta em um horário de funcionamento diferente do que tem se tornado usual em BH. A casa abre às segundas-feiras e aos domingos, por exemplo.
Serviço
Tilinto (@tilintobar)
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