BH: bolos de milho são os campeões do 2º Concurso de Confeitaria e Quitanda
O resultado foi anunciado nesta sexta-feira (30/10) e, curiosamente, dois bolos de milho subiram ao lugar mais alto do pódio
compartilhe
Ingredientes do dia a dia se transformam em receitas dignas de aplausos. A 2ª edição do Concurso de Confeitaria e Quitanda Mineira de BH, iniciativa da Belotur com o Sebrae Minas, desafiou pequenos negócios a apresentar produtos surpreendentes com milho, mandioca, café, queijo, goiabada e jabuticaba, sabores que fazem parte da nossa mesa no cotidiano. O resultado foi anunciado nesta sexta-feira (30/10) em cerimônia na Casa Palma, Bairro Serra, Região Centro-Sul da capital, e, curiosamente, dois bolos de milho subiram ao lugar mais alto do pódio.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
"O simples é extraordinário", destaca a chef confeiteira Carol Mesquita, que assinou a curadoria desta segunda edição, cujo tema era "Receitas de família". "Não precisa ser a coisa mais elaborada para estar em primeiro lugar, e a gente viu isso. Produtos simples e bem feitos, como eram na casa da avó, saem daqui hoje com um troféu e a certeza de que são importantes dentro da nossa cultura alimentar."
"Roupa" de festa
Entre as confeitarias, quem ganhou foi o bolo "Entre milhos e Minas", de Silvana Corrêa. A confeiteira usou técnicas da confeitaria clássica para levar o fubá para um bolo de festa, todo confeitado, que pode muito bem estar em uma comemoração, inclusive, casamento. É uma massa de pão de ló de fubá com uma camada de creme de milho fresco, outra de goiabada artesanal, pedacinhos de queijo Canastra para dar um toque salgado, uma cobertura de buttercream também feita com milho fresco e um crocante de amendoim com rapadura para finalizar.
"Não tinha noção de que conseguiria transformar os ingredientes que a gente usa no dia a dia em uma confeitaria inovadora e com técnicas super modernas. Hoje acredito que a tradição e a inovação caminham juntas, a gente só tem a ganhar com isso, porque consegue valorizar mais ainda esses nossos ingredientes", comenta Silvana, que participou pela primeira vez de um concurso.
O segundo lugar ficou com o "Arroz doce da vovó", do Ateliê Gastronômico Abra. O curioso é que eles transformaram a receita de família em um sorvete de arroz doce com calda de jabuticaba e crocante de fubá. Em terceiro lugar, a torta de nozes, chocolate e café "Legado de Lourdes", do Beggiato Restaurante, uma homenagem à avó da criadora, Fernanda Beggiato.
Cobertura brulée
Já na categoria das quitandas, venceu o "Bolo de milho com requeijão" Analú Atelier de Doces. Bárbara Martins se inspirou em uma receita da avó para desenvolver o produto campeão. "Acho que ganhei pela simplicidade. É um bolo simples, mas com aquele aquele carinho, aquele afeto, a lembrança da avó, a gente junto tomando um cafezinho", diz a confeiteira, que também nunca tinha participado de uma competição.
O bolo ganhou um toque interessante de modernidade na cobertura. Por cima, açúcar queimado com maçarido, que deixa uma casquinha crocante, como no francês creme brulée.
Curiosamente, o segundo e o terceiro lugares ficaram com as únicas quitandas salgadas do concurso. São elas, respectivamente, o "Biscoito de queijo da vovó", do Teresa Café, e a torta "Milho que te quero verde", da Escola de Culinária Vera Melo.
Além do troféu, os negócios vencedores receberão R$ 3 mil (primeiros lugares), R$ 2 mil (segundos lugares) e R$ 1 mil (terceiros lugares) em consultorias do Sebrae até abril do ano que vem.
Profissionalização do setor
Foram oito meses de trabalho, desde a abertura das inscrições (100 no total) até o anúncio do resultado. Os inscritos passaram por uma primeira peneira para manter apenas pequenos negócios com CNPJ ativo há pelo menos dois anos. "A ideia é que os negócios se formalizem para participar. Queremos fazer com que a confeitaria e a quitanda tenham ares de profissionalismo e sejam tratadas como outros segmentos da gastronomia", aponta a curadora Carol Mesquita.
Os aprovados seguiram para a avaliação de um júri não técnico, que representou os consumidores. De lá saíram 20 finalistas, sendo 10 de confeitaria e 10 de quitanda, que poderia ser doce ou salgada. Todos esses negócios receberam uma consultoria para que chegassem a produtos com identidade e qualidade. Por último, entrou em cena um júri técnico, com cinco especialistas, entre chefs e jornalistas de gastronomia, que avaliaram os seguintes critérios: apresentação e embalagem, adequação ao tema, sabor, técnicas empregadas, uso do ingrediente obrigatório e originalidade.
Leia Mais
Além de despertar a vontade de aprimorar a marca e os produtos, Carol comemora o fato de ter incentivado participantes a estudar e se profissionalizar. Alguns até demonstraram interesse em fazer cursos de gastronomia.
"A gente vive numa época em que as pessoas estão desvalorizando o estudo formal. Então, por mais que uma quitandeira e uma confeiteira não precisem de formação nenhuma superior, ganha o profissionalismo. Elas saem com uma consciência maior da necessidade de ampliar o olhar sobre o produto delas, a empresa delas e sobre elas mesmas no desenvolvimento pessoal."
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia