Como drinks com plantas replicam sensação de relaxamento e prazer do álcool
Bebidas prometem entregam os efeitos desejados do álcool, mesmo sem conter nem uma gota, só que sem ressaca
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Foi a partir de uma leitura precisa de um novo comportamento social que surgiu a bebida LUCIA, lançada em agosto de 2025. “Observávamos um movimento consistente de redução do consumo de álcool. As pessoas queriam estar presentes, acordar bem no dia seguinte, manter ritmo de trabalho, saúde e clareza mental, mas sem abrir mão da vida social”, relembra a cofundadora da marca, Victória Linhares.
Desde o início, a LUCIA se propôs a ocupar um espaço específico – e ainda pouco explorado. “Ela nasce conectada a uma ideia de bebida consciente, mas nunca restritiva”, afirma Victória.
A ambição não era criar uma bebida saudável no sentido funcional clássico, mas um drinque sem álcool com linguagem adulta, corpo, estética e complexidade gastronômica. “Queríamos que a LUCIA ocupasse o mesmo lugar simbólico de um bom coquetel”, comenta.
O incômodo que impulsionou o negócio era, acima de tudo, social. “Ao optar por não beber álcool, você automaticamente saía do centro da experiência”, menciona a também cofundadora, Bertha Jucá. As alternativas disponíveis, segundo ela, não promoviam pertencimento. “Eram bebidas extremamente doces, rasas ou que pareciam sucos disfarçados.”
Para alguém que sempre valorizou saúde e equilíbrio, mas não abria mão de encontros e celebrações, essa exclusão era frustrante – e compartilhada por muitos. “A ideia sempre foi criar uma bebida escolhida por desejo, não por restrição”, afirma Bertha.
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Camadas sensoriais
A lógica adotada foi a da alta coquetelaria e da gastronomia. “Queríamos corpo, densidade, resistência em boca e complexidade aromática. Sem isso, nada mais faria sentido”, aponta Bertha.
A fórmula foi desenvolvida pelos mixologistas José Luiz Soares e Michelly Rossi, a partir de uma construção cuidadosa de camadas sensoriais. O cupuaçu foi escolhido como base estrutural. “Ele entrega volume de boca, textura cremosa e notas florais delicadas, funcionando como a espinha dorsal do drinque”, explica o criador da fórmula.
Componentes cítricos entram para trazer frescor e brilho aromático, enquanto o amargor garante profundidade e evita que a bebida se torne enjoativa. O jambu, planta amazônica amplamente utilizada na gastronomia brasileira, aparece como assinatura sensorial. “Ele adiciona surpresa, personalidade e uma identidade brasileira muito clara”, descreve José.
Também aparecem entre os ingredientes frutas vermelhas, baunilha e canela, valeriana em pó e extrato natural de ginseng – plantas que possuem propriedades adaptógenas, ou seja, capazes de ajudar o corpo a lidar com o estresse. Com isso, podem “replicar” a experiência de um drinque alcoólico.
Durante o desenvolvimento, a equipe importou e degustou 26 bebidas sem álcool de mercados como Europa e Estados Unidos. A constatação foi objetiva. “Muitas eram excessivamente doces, lineares ou cansativas após poucos goles”, relata José Luiz.
A LUCIA foi pensada para o oposto: uma bebida que não se “vira” rapidamente, mas que convida à conversa e à continuidade. Foram testados mais de 400 aromas e extratos naturais, passando por mais de 40 versões até chegar ao equilíbrio desejado.
Para o carnaval
A mineira Lambe Lambe, que se consolidou no mercado com drinques prontos à base de frutas de verdade, é mais uma marca que entendeu que a “folia” agora também pede equilíbrio. Próximo do carnaval, a empresa criou o primeiro drinque sem álcool.
O Lambe Lambe Zen combina frutas, especiarias, flores, plantas adaptógenas e ingredientes fermentados, como caju, framboesa, limão, gengibre, ginseng, hibisco, jambu, pimenta-rosa, cravo, canela e missô.
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O resultado é um drinque de perfil levemente ácido, final refrescante e apenas 24 calorias por porção, pensado para quem quer brindar sem álcool, mas com complexidade e sensação.