ARTES CÊNICAS

Ballet Jovem Minas Gerais estreia "Sentido", criado com Libras

A Língua Brasileira de Sinais é usada como recurso narrativo no espetáculo do coreógrafo Maxmiler Junio, que tem apresentação gratuita nesta sexta (6/11)

Publicidade
Carregando...

O desejo de dar forma coreográfica à Língua Brasileira de Sinais (Libras) está na gênese de “Sentido”, espetáculo do Ballet Jovem de Minas Gerais, que estreia nesta sexta-feira (6/11), com apresentação gratuita, às 18h, na Associação de Surdos de Minas Gerais.

Fique por dentro das notícias que importam para você!


Dirigida por Maxmiler Junio, a montagem é resultado de pesquisa que ele desenvolve há cerca de 10 anos, desde que estava concluindo a graduação em dança na UFMG, sobre novas formas de comunicação por meio do corpo.


O coreógrafo explica que em “Sentido” a Libras não entra apenas como recurso de acessibilidade; ela está na base da criação dos movimentos, da dramaturgia e da linguagem da obra. Ele conta que seu trabalho de conclusão de curso na faculdade foi sobre os elementos da Libras postos a serviço da dança e vice-versa.


“Eu já era bailarino, mas atuava apenas como intérprete. Conheci a Libras quando estava começando a coreografar e percebi que ambas as linguagens estão relacionadas ao movimento”, diz.


Nos anos seguintes, a pesquisa ganhou corpo na sala de ensaio, com bailarinos e bailarinas explorando os parâmetros da Libras em diálogo com a composição coreográfica. “Esses parâmetros estruturam a dança. O que fiz em 'Sentido' foi ampliar a Língua Brasileira de Sinais para o corpo, o que implica uma ampliação também do espaço visual”, diz.


O espetáculo conta com uma dramaturgia “aberta”, segundo Junio, costurada por poemas dos próprios integrantes do Ballet Jovem e de Edmeia Cupertino, que atuou como consultora.


ESPAÇO

Artista surda oralizada, ela acompanhou as diferentes etapas do trabalho, indicando as melhores formas de expressão e comunicação. “Edmeia fez toda tradução em Libras dos poemas escolhidos, mas, para que façam sentido dentro da comunidade surda, eles precisam ser interpretados. Coube a ela nos guiar na forma como realizamos essa interpretação”, afirma o coreógrafo. A consultora também deu orientações quanto à ocupação do espaço.


“Para trabalhar com Libras, preciso pensar em uma estrutura coreográfica de fachada. A percepção e as necessidades da comunidade surda foi Edmeia quem nos trouxe, ajudando nessa organização espacial e na interpretação dos poemas”, explica.


Nenhum dos integrantes do Ballet Jovem de Minas Gerais é surdo. “Esse trabalho com ela foi um atravessamento imprescindível, porque não existem ferramentas prontas para esse tipo de composição coreográfica”, acrescenta o coreógrafo.


Sobre a dramaturgia de “Sentido”, ele observa que ela não conta uma história com início, meio e fim, mas carrega duas temáticas que se relacionam: a comunicação em suas mais diversas formas e a resistência. Junio diz que os poemas selecionados tratam de uma ou de outra questão.

“Falamos da resistência que a comunidade surda precisa ter para estar inserida na sociedade, o que não é muito diferente no caso dos artistas. Essa relação temática une os dois grupos e embasa a comunicação entre eles.”


TRILHA SONORA

Junio chama a atenção para o fato de que, apesar de se dirigir prioritariamente à comunidade surda, o espetáculo tem uma trilha sonora. No entanto, ao contrário do que habitualmente acontece, ela foi construída depois que a coreografia já estava pronta. Junio diz que criou algumas cenas a partir de sons improvisados e outras no absoluto silêncio, sem nenhum estímulo sonoro.


“Quando Edmeia foi assistir a coreografia pronta, ela me questionou se o espetáculo teria música. Achei que não faria sentido, mas ela me disse que sim, que o som poderia entrar como o corpo do elenco”, conta.


Ele explica que não é uma trilha original, são trechos e recortes de músicas já existentes, escolhidos pela pulsação – uma forma de ampliar a experiência para além da percepção auditiva. “Trabalhamos muito com ruídos e com graves, para ter uma vibração que as pessoas possam sentir sem precisar ouvir”, diz.


“SENTIDO”
Estreia do espetáculo do Ballet Jovem de Minas Gerais, nesta sexta-feira (6/11), na Associação de Surdos de Minas Gerais (Rua Elisa Felippeto Ricaldoni, 90, Castelo). Entrada gratuita, sem necessidade de retirada de ingressos.


Outros espetáculos neste fim de semana em BH:

>>> "O HOMEM MAIS INTELIGENTE DA HISTÓRIA"

O Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes) recebe novamente, nesta sexta-feira (6/11), às 20h, a montagem "O homem mais inteligente da história", baseado no livro homônimo de Augusto Cury.

O espetáculo aborda os principais aspectos da gestão da emoção e também fala sobre autocontrole, criatividade, solidariedade, a busca pela felicidade e pelo amor. Ingressos com preços variando de R$ 51 e R$ 150, à venda no Sympla.


>>>“MUNDO EM CHAMAS”

Primeiro espetáculo do Teatro da Fumaça, “O mundo está em chamas, o teatro também tem de estar” volta ao cartaz no Complexo Cultural da Funarte-MG (Rua Januária, 68, Floresta), nesta sexta (6/11) e sábado, às 20h, e no domingo, às 19h.

A montagem busca ser uma declaração de crença na potência do teatro, na criação compartilhada e na continuidade do trabalho coletivo. Ingressos a R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia), à venda no Sympla.


>>> HANNAH ARENDT

Eduardo Wotzik dá corpo e voz a Hannah Arendt, uma das mais importantes pensadoras do século 20, em “Hannah Arendt - Uma aula magna”, que volta a BH com apresentações nesta sexta (6/11) e sábado, às 20h, e no domingo, às 19h, no Teatro de Câmara do Cine Theatro Brasil (Av. Amazonas, 315, Centro).

A peça faz parte da “Ocupação Wotzik”, que prevê um debate sobre educação e arte logo após a apresentação desta sexta e a oficina “O ator e o texto”, que será ministrada amanhã e domingo, das 10h às 14h, no mesmo local, com custo de R$ 350, os dois dias, ou R$ 200, um dia. Ingressos para a peça a R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia), à venda pela plataforma Eventim.


>>> GLICÉRIO DO ROSÁRIO

O ator, dramaturgo e diretor mineiro Glicério do Rosário, que atualmente está no ar como Enéas, em “Quem ama cuida” (Globo), leva ao palco do Teatro Feluma (Alameda Ezequiel Dias, 275, 7º andar, Centro), no domingo (8/11), às 19h, o monólogo “Pai”. Glicério se desdobra em três personagens vindos de contextos sociais distintos.

A peça nasceu de forma virtual, durante a pandemia, e passou por palcos de BH e do interior de Minas em 2022. Ingressos a R$ 80 (inteira), R$ 40 (meia) e R$ 50 (ingresso social, mediante doação de 1 kg de alimento não perecível).

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia



Tópicos relacionados:

ballet danca espetaculo libras minas-gerais

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay