CINEMA

"Vicentina pede desculpas" chega ao cinema (e logo depois ao streaming)

Com produção da Netflix, novo longa de Gabriel Martins estreia nesta quinta (5/11) no circuito comercial e chega à plataforma no próximo dia 20/11

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Do Alípio de Melo ao Barreiro, passando pelo Centro e por Contagem, “Vicentina pede desculpas” percorreu extensa lista de locações em Belo Horizonte. “É difícil falar onde não rodamos”, diz Gabriel Martins, diretor do longa, que enfrentou um dos maiores desafios da produção na gravação de uma cena no viaduto Helena Greco.

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As imagens das filmagens, em 2024, circularam pelas redes sociais e despertaram a curiosidade do público. A sequência, que mostra um ônibus despencando do viaduto, foi uma das mais complexas do filme e exigiu meses de preparação.

Realizada numa manhã de domingo, a operação mobilizou diferentes departamentos da equipe. A produção comprou a carcaça de um ônibus e trouxe de São Paulo Martão, profissional conhecido no cinema pelo trabalho com efeitos visuais. Engenheiros e técnicos da Prefeitura de Belo Horizonte participaram da operação, que envolveu análises do terreno e um planejamento detalhado.

“Foi um esforço hercúleo para esses alguns segundos do filme”, resume Gabriel. A cena passou ainda por um trabalho de pós-produção, que apagou os equipamentos de segurança visíveis nas imagens e construiu a movimentação dos carros que passavam pelo viaduto durante a gravação. “Diferentemente de alguns outros trabalhos nossos, que eram muito concentrados em Contagem, este filme percorreu muitos lugares”, comenta.

Com coprodução da Netflix, “Vicentina pede desculpas”, que estreia nesta quinta-feira (5/11), é o maior projeto realizado até agora pela Filmes de Plástico, produtora responsável por “Marte Um”, outro longa de Gabriel Martins. O cineasta considera o filme o maior desafio de sua carreira e da empresa. Com distribuição prevista em 190 países pela plataforma, a produção representa ainda o trabalho de maior alcance internacional da produtora de Contagem.

O roteiro começou a tomar forma há cerca de 10 anos, depois que Gabriel leu uma notícia sobre a queda de um avião. Durante a investigação, a análise da caixa-preta revelou que o piloto havia direcionado a aeronave contra as montanhas.


PREMEDITAÇÃO

Na trama, Vicentina (Rejane Faria) é mãe do motorista de ônibus envolvido no acidente. Depois de receber a notícia da morte do filho, ela passa a chorar discretamente pelos cômodos da casa onde os dois moravam. Recusa as visitas e, no dia seguinte, acompanha pela televisão as notícias sobre a tragédia. É pela cobertura jornalística que descobre que a investigação procura esclarecer a conduta do motorista e apurar se o acidente foi premeditado.

A partir daí, Vicentina começa a experimentar um sentimento que inicialmente não consegue identificar. É a culpa. Convencida de que precisa fazer alguma coisa pelas vítimas, passa a procurar familiares e pessoas próximas dos envolvidos no acidente para se desculpar.

“Quis pensar como é possível uma pessoa passar por um processo de luto quando também existe um escrutínio público sobre ela”, explica Gabriel. Outra referência para o roteiro foi o documentário “Ônibus 174”, de José Padilha, sobre o sequestro do coletivo no Rio de Janeiro. O diretor conta que ficou impressionado com a imagem da mãe do sequestrador, sozinha no velório.

A imprensa ocupa lugar importante na narrativa. Vicentina passa boa parte do tempo em casa, com a TV ligada, acompanhando as notícias sobre o acidente. Para construir essa cobertura, a produção convidou vários jornalistas de BH. A única atriz a interpretar uma jornalista é Karine Teles. Embora tenha papel pequeno, Karine participa também como consultora de roteiro.

“É comum a gente acompanhar tantas notícias trágicas e, quando o jornal acaba, desligar a televisão e voltar para a própria vida. Ou passar para a próxima notícia. Nem sempre existe tempo para elaborar o sentimento diante de uma tragédia, mesmo quando ela tem proporções catastróficas. No filme, temos a possibilidade de ficar com a pessoa que viveu aquela história e enxergar esse outro lado, que é muito importante. É a dor que permanece, uma dor da qual nenhuma matéria dá conta”, afirma o diretor.

O elenco reúne atores que fazem parte do que o diretor chama de “família cinematográfica”, como Grace Passô, Carlos Francisco e Bárbara Colen. O nome Vicentina é uma homenagem à avó de Gabriel Martins, que morreu quando ele tinha 12 anos. Mãe de nove filhos, ela representou a primeira experiência do diretor com a morte. “Acho que o meu jeito de ser também tem muito a ver com o jeito dela ser. Era uma presença muito carinhosa, que sempre me envolveu muito”, conta.

O diretor reconhece que o longa tem um tom melancólico e sombrio. Para ele, essa atmosfera era necessária para acompanhar a experiência da protagonista sem suavizar o momento que ela vive. “A forma que encontrei de ser honesto com a Vicentina foi criar uma atmosfera em que o espectador possa se relacionar com o momento que ela está vivendo. Para mim, era navegar por um momento muito ruim da vida de uma pessoa e, nisso, criar um gesto de empatia diante de uma situação muito difícil”, afirma.


SESSÃO COMENTADA

Gabriel Martins e parte da equipe de “Vicentina pede desculpas” participam nesta quinta-feira (5/11), da sessão de estreia no Cine Belas Artes (Rua Gonçalves Dias, 1.581 - Lourdes), às 19h30. Os ingressos já estão esgotados. Também hoje, o Centro Cultural Unimed-BH promove sessão especial do longa, em suas duas salas, às 19h. A Netflix disponibiliza o título no próximo dia 20 de novembro.

“VICENTINA PEDE DESCULPAS”
(Brasil, 2026, 148 min.) Direção: Gabriel Martins. Com Rejane Faria, Renato Novaes, Grace Passô, Carlos Francisco e Bárbara Colen. Estreia nesta quinta (5/11), no Cine Belas Artes (Sala 1, 19h30) e no Centro Cultural Unimed-BH (Salas 1, às 19h40; exceto nesta quinta, que tem sessão às 19h), e Sala 2, às 10h20, nos dias 7/11 e 8/11)

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